sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Feliz 2011

Votos sinceros de felicidade, sucesso, saúde, paz e que os sonhos deixem de ser sonhos e passem a ser realidade.
Ao fim de quase 11 meses de existência deste blog atingimos ontem as 3000 visitas. Espero que em 2011 continuem a visitar e comentar os artigos do blog.

Feliz 2011 para TODOS.

Baú da Gesteira: Escola primária da Gesteira, ano lectivo de 1982/83 (parte 2)

Nos primeiros dias de Dezembro recebi de mais um Gesteirense uma valiosa contribuição para identificar os alunos da foto od Magusto de 1982. Os nomes estão na foto e também são apresentados de seguida.
 
De cócoras, da esquerda para a direita:
Fernando Santos, Henrique Vinagreiro, Nuno Silva, Paulo, Victor, Vitos, Bacia de Castanhas, Ulisses Teixeira, Rogério, Pedro

De pé, da esquerda para a direita:
André (filho da professora), Helena, Duarte Taboeira, Célia, Regina, Paula Navalhas, Gorete, Susana, Cristina, Dulce, Zé Manel Bento, Vitor, Hortência, ?, Clídia, ?, Graça, Graça, Professora, Fernando Bento, Rui, Elizabete, Maria do Céu

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Baú da Gesteira: O mistério de Entre Águas

Feliz Natal e que 2011 seja um ano em cheio para TODOS.

Como tenho apresentado aqui algumas "imagens" do passado, surgiu uma discussão saudável sobre a localização da antiga aldeia de Entre Águas (ou Entre as Agoas, Entre Ambas as Águas, Moínho de Entre Águas, etc).

Inicialmente pensei que a localização fosse junto ao Escoural, mas o esclarecimento de um leitor do blog veio colocar mais luz na questão:

"... ESTE SITIO FICA JUNTO AO LUGAR CONHECIDO HOJE POR PORTO SOBREIRO. O SITIO ENTRE ÁGUAS É MAIS PRECISAMENTE ONDE HOJE SE ENCONTRAM AS INSTALAÇÕES DA JÁ FECHADA FÁBRICA DE REFRIGERANTES DUARTE GIL & IRMÃOS MAIS CONHECIDA POR FABRICA DE REFRIGERANTES PORTO SOBREIRO . SE TIVER OPORTUNIDADE AO PASSAR PELA ESTRADA QUE VAI DO PORTO SOBREIRO PARA A TABOEIRA ANTES DA PONTE AO OLHAR PARA O SEU LADO ESQUERDO VERIFICARÁ QUE EXISTEM DUAS VALAS REIAS , UMA QUE VEM DO LADO NASCENTE E A OUTRA QUE VEM DO LADO SUL ( AZENHA ) . VERIFICARÁ AINDA QUE EXISTE EMBORA EM RUÍNAS UMA CONSTRUÇÃO ONDE FUNCIONARAM EM TEMPOS ANTIGOS DOIS MOINHOS . ERAM CONHECIDOS PELOS MOINHOS DO "TI RITO". SE PERGUNTAR A ALGUMA PESSOA MAIS VELHA AQUI DA ZONA ONDE É QUE FICA A PONTE DAS ENTRE ÁGUAS VAI FICAR COMPLETAMENTE ESCLARECIDO DA ORIGEM DO NOME PARA ESTE SITIO .
AO QUE JULGO SABER A CM CANTANHEDE COMPROU ESTES TERRENOS ONDE SE ENCONTRAM OS MOINHOS ( RUINAS ) PARA AI CONSTRUIR UM PARQUE MULTIUSOS RECUPERANDO DESTA FORMA TAMBÉM OS MOINHOS."


Agradeço desde já ao leitor (só oculto o nome por privacidade do mesmo).


Mais uma vez: Um Santo e Feliz Natal para todos!

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Baú da Gesteira: Registos de Baptismo (Cadima) 1631-1640

Entre 1631 e 1640 foram baptizadas 6 crianças da Gesteira (4 crianças a mais que no período anterior). Existiam já então pelo menos 4 famílias na aldeia.
Neste intervalo de tempo foram baptizadas 244 crianças, menos 72 que no período anterior. Esta redução pode indicar que algumas crianças não foram registadas ou que houve uma natalidade inferior ou até que as pessoas de delocaram para fora do couto de Cadima.

Nomes de Baptismo
No que diz respeito aos nomes de baptismo, os mais comuns foram os seguintes:
  1. Manoel 21,5%
  2. Maria 17%
  3. Isabel 11%
  4. António 9%
  5. Domingos 6,5% 
  6. Francisco 5,5%
  7. Ana 5,5%
  8. Catarina 4,5%
  9. João 3,5%
  10. Tomé 3,5%
Existem poucas alterações relevantes face ao período anterior (1621-1630). No caso das meninas, os três nomes mais comuns continuaram a ser Maria (17%), Isabel (11%) e Ana (5,5%). No caso dos rapazes, os três nomes mais comuns eram então Manoel (21,5%), António (9%) e Domingos (6,5%).

Foram baptizados 56% de rapazes, 44% de raparigas.

Mais de um terço das crianças do sexo feminino eram baptizadas com o nome de Maria (39,5%).
Mais de um terço das crianças do sexo masculino eram baptizadas com o nome Manoel (37,5%).


Localidades
A lista que segue apresenta as localidades e o seu peso no que diz respeito ao número de baptizados registados entre 1631 e 1640 (este será um bom indicador do tamanho e importância de cada localidade, percentagens arredondadas):
  1. Zambujal 19,5% (+ 0,0%)
  2. Guimera 17% (+ 0,0%)
  3. Cadima 15% (- 1,5%)
  4. Ribeira (Fervença) 10,5% (+4,0%)
  5. Casal 8,5% (+0,5%)
  6. Escoural 4,5% (+ 1,5%)
  7. Água Doce  3,5% (- 1,5%)
  8. Póvoa 3,5% (- 1,05)
  9. Gesteira 2,5% (+ 2,0%) 
  10. Palhagueira (Palheira) 2% (+ 0,5%) 
  11. Taboeira 2%  (+ 1,5%)
  12. Sanguinheira 2% (+ 1,5%) 
  13. Grou 1,5% (- 1,0%) 
  14. Corgo do Encheiro 1,5% (+ 1,0%)
  15. Desconhecido/Ilegível  1,5% (+ 1,0%)
  16. Olho 1% (- 3,0%)
  17. Carvalheira 1% (- 1,0%) 
  18. Quinta do Manuel Andrade 1% (+ 1,0%)
  19. Aljuriça 0,5% (- 1,0%)
  20. Entre Águas 0,5% (- 0,5%) 
  21. Azenha 0,5% (+ 0,0%)
  22. Cabeça Alta 0,5% (+ 0,0%)
Cerca de 70% da população do couto de Cadima vivia nas aldeias de Zambujal, Guimera, Cadima, Casal e Ribeira (percentagem ligeiramente superior ao período anterior).
Na denominação de Ribeira incluo os registos de Ribeira, Ribeira da Fervença e Fervença, mas esta denominação era bem mais alargada e representava com certeza as populações que viviam junto às grandes e profundas ribeiras que cruzavam o couto.
Na denominação de Póvoa inclui-se os nomes de Póvoa, Póvoa da Ribeira, Córrego da Póvoa, Ribeira da Póvoa e Póvoa de Alçaperna.
Nestes 10 anos não foram registados quaisquer baptismos no Braganção, Lagoa Negra, Seixo, Lagoa Seca, Porto Sobreiro e Marinhal.



Curiosidades dos nomes de localidades durante este período:
  • Novas localidades refentes à naturalidade das crianças baptizadas ou dos padrinhos: Moutta (1636), Córrego das Fradegas (1638).
  • Em 7 de Maio de 1631 foi baptizada uma criança, filha de pais solteiros, o avô paterno era o Alcaide de Montemor-o-Velho, António Simões;
  • Num baptismo de 1635 faz-se referência a uma madrinha casada com Manuel Jorge Recachado da Guimera;
  • Aos 13 de Novembro de 1636 foi faptizada uma criança cuja madrinha era da Moutta;
  • Em 13 de Setembro de 1637 foi baptizada uma criança que teve por madrinha Domingas de Sá, do Corticeiro, freguesia dos Covões;
  • Em 1638 e 1639, uma madrinha e um padrinho, respectivamente, eram residentes no Córrego das Fradegas;

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Sotaque da Gesteira: "Num caminho assim só dava mesmo para encepar."

Encepar é mais um termo das regiões da Gândara e da Bairrada, que significa tropeçar ou esbarrar em qualquer coisa, normalmente no chão, no caminho. Devendo ser originária de tropeções que ocorriam quando as pessoas se deslocavam em terrenos de antigos pinhais que haviam sido cortados há pouco tempo, e tropeçavam nos cepos que por lá ficavam.

Nos dicionários de português, o verbo encepar significa "pôr em cepo", o que não é exactamente a mesma coisa.

Indo eu, indo eu, a caminho de Viseu... Encepei no caminho, ai Jasus que lá vou eu!"

domingo, 14 de novembro de 2010

Baú da Gesteira: Alminhas antigas

Actualmente existe na Gesteira umas Alminhas, situadas no cruzamento das ruas: Rua das Escolas, Rua Principal Amadeu Neto, Rua Mestre Solposto e Rua do Nicho de Nossa Senhora.
Ao que descobri ontem, existiu há mais de 50 anos umas outras alminhas na Gesteira, exactamente no local onde foi construída a loja da ti-Vénia. Esse antigo Nicho era bem maior que o actual, quase em forma de capela.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Baú da Gesteira: As "nossas" guerras

As guerras sempre existiram, nenhuma sociedade se pode gabar de não as ter tido, ou de não ter evoluído/mudado com as guerras. Os Gandareses também participaram nalgumas, tendo uns conseguido voltar, outros não.
Este post apresenta uma recolha dos nomes (em forma de homenagem) dos soldados naturais da nossa terra e redondezas que participaram na 1ª Guerra Mundial ou renderam a alma a lutar pela Pátria.

1ª Guerra Mundial - Entrega de agasalhos para os soldados:
  • Francisco Pereira, natural de Cadima, em 31.12.1917
  • Augusto Carvalho, natural de Cadima, em 31.12.1917
  • Carlos da Silva Duque, natural do Zambujal, em 05.01.1918
  • Abelão Fonseca, natural de Cadima, em 05.01.1918
  • J. Manuel Gomes Mathias, natural da Gesteira, em 07.01.1918
  • Fracisco Recacho, natural do Casal, em 07.01.1918
  • Manuel Bernardo da Costa, natural das Nogueiras, em 07.01.1918
  • José Fatia, natural do Zambujal/Labrengos, em 07.01.1918
  • José Gomes Faim, natural do Zambujal, em 07.01.1918
  • Josué Sargaço, natural do Zambujal, em 07.01.1918
  • Alberto Fernandes Mathias, natural dos Fornos, em 07.01.1918
  • José Gomes Lourenço, natural dos Fornos, em 07.01.1918
  • José d'Oliveira Camarinho, natural da Taboeira, em 07.01.1918
  • Marçalino Elias, natural da Azenha, em 07.01.1918
  • José Ribeiro, natural da Azenha, em 07.01.1918
  • Francisco dos Santos Romão, natural da Azenha, em 07.01.1918
  • Manuel da Fonseca, natural da Lage, em 07.01.1918
  • Manuel da Silva, natural da Fervença, em 07.01.1918
  • José Fernandes, natural de Cadima, em 09.01.1918
  • Joaquim da Silva Estevam, natural do Casal dos Netos, em 09.01.1918
  • David Camosinho, natural do Casal dos Netos, em 09.01.1918
  • Abel da Fonseca, natural da Lage

Guerra do Ultramar 1954-1976
  • José de Jesus Lourenço, natural dos Fornos, morto na Guiné em 03.04.1971
  • José Gomes de Carvalheiro, natural das Taipinas, morto em Moçambique em 07.08.1966, enterrado no cemitário de Palma
  • José Pereira Oliveira, natural da Quintã, morto na Guiné em 23.07.1966
  • Manuel dos Santos Costa, natural da Taboeira, morto em Angola em 26.04.1974 -meu primo
  • Mário Loureiro Ribeiro, natural do Escoural, morto em Angola em 06.12.1965
E muitos outros haverá que foram e voltaram, foram e não voltaram! A todos um bem haja!


Fontes:
http://ultramar.terraweb.biz/03Mortos%20na%20Guerra%20do%20Ultramar/LetraC/MEC_062n.pdf
http://c.geneal.over-blog.com/article-1918-agasalhos-para-os-soldados-41776800.html

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sotaque da Gesteira: "Estar assim desacressoado dá dó."

Desacressoado(a) é uma daquelas palavras bem particulares da região Gandaresa, significa de alguma forma tristeza, desmotivação, falta de vontade e de forças. Estar desacressoado é estar desalentado, desfeito, despedaçado psicológicamente.


Não estará o nosso povo Português um pouco desacressoado com a situação política e financeira actual do país?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

2000

No passado dia 24 de Setembro este blog recebeu a visita número 2000. Obrigado a todos pelas visitas e pelo interesse.

No dia seguinte, mais um Gesteirense celebrou 86 anos na cidade de São Paulo, no Brasil. Parabéns ao aniversariante.

O estado de São Paulo deve conter a maior comunidade de Gesteirenses fora da Gesteira (até eu cá estou por uns tempos...)

Abraços

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Baú da Gesteira: Registos de Baptismo (Cadima) 1621-1630

Foi neste período que apareceram os primeiros registos que fazem referência à Gesteira. Mais concretamente em 12 de Julho de 1626, e depois em 22 de Agosto de 1628. Existiam portanto pelo menos duas famílias na Gesteira nessa altura.
Curiosamente há também a referência a vários novos locais durante este intervalo de tempo, como é o caso da Sanguinheira e da Lagoa do Grou, por exemplo. Neste intervalo de tempo foram baptizadas 316 crianças, mais 46 que no período anterior. Os nomes Maria e Manoel continuam a ser os mais populares.

Nomes de Baptismo
No que diz respeito aos nomes de baptismo, os mais comuns foram os seguintes:
  1. Manoel 19%
  2. Maria 19%
  3. Isabel 11,5%
  4. António 10,5%
  5. Francisco 5%
  6. Domingos 4,5% 
  7. Ana 4%
  8. Catarina 3%
  9. Thomé 3%
Não se notam alterações relevantes face ao período anterior (1611-1620). No caso das meninas, os três nomes mais comuns continuaram a ser Maria (19%), Isabel (11,5%) e Ana (4%). No caso dos rapazes, os três nomes mais comuns também se mantiveram, e eram então Manoel (19%), António (10,5%) e Francisco (5%).

Foram baptizados 54% de rapazes, 46% de raparigas.

Quase metade das crianças do sexo feminino eram baptizadas com o nome de Maria (46%).
Quase metade das crianças do sexo masculino eram baptizadas com o nome Manoel (43%).

Localidades
A lista que segue apresenta as localidades e o seu peso no que diz respeito ao número de baptizados registados entre 1621 e 1630 (este será um bom indicador do tamanho e importância de cada localidade, percentagens arredondadas):
  1. Zambujal 19,5%
  2. Guimera 17%
  3. Cadima 16,5%
  4. Casal 8%
  5. Ribeira (Fervença) 6,5%
  6. Água Doce  5%
  7. Póvoa 4,5%
  8. Olho 4%
  9. Escoural 3%
  10. Grou 2,5%
  11. Carvalheira 2%
  12. Aljuriça 1,5%
  13. Palhagueira (Palheira) 1,5%
  14. Braganção 1,5%
  15. Lagoa Negra 1,5%
  16. Entre Águas 1% 
  17. Seixo 0,5%
  18. Desconhecido 0,5%
  19. Azenha 0,5%
  20. Lagoa Seca 0,5%
  21. Vagos 0,5% 
  22. Corgo do Encheiro 0,5%
  23. Gesteira 0,5%
  24. Tentúgal 0,5%
  25. Taboeira 0,5% 
  26. Sanguinheira 0,5%
  27. Cabeça Alta 0,5%
  28. Porto Sobreiro 0,5%
  29. Marinhal 0,5%
  30. Pereira 0,5%
Cerca de 67% da população do couto de Cadima vivia nas aldeias de Zambujal, Guimera, Cadima, Casal e Ribeira (uma redução de 15% em comparação com o período anterior).
Na denominação de Ribeira incluo os registos de Ribeira, Ribeira da Fervença e Fervença, mas esta denominação era bem mais alargada e representava com certeza as populações que viviam junto às grandes e profundas ribeiras que cruzavam o couto. Houver uma forte redução do número de baptismos na Ribeira, o que pode significar que esses novos lugares fariam parte da Ribeira anteriormente.
Na denominação de Póvoa inclui-se os nomes de Póvoa, Póvoa da Ribeira, Córrego da Póvoa e Ribeira da Póvoa.


Curiosidades dos nomes de localidades durante este período:
  • Novas localidades refentes à naturalidade das crianças baptizadas ou dos padrinhos: Pereira (1630), Sanguinheira (1630), Marinhal (1627), Moínho do Porto Sobreiro (1627), Cabeça Alta (1627), Fonte (1627), São Silvestre (1622), Lagoa do Grou (1621).
  • Em 21 de Abril de 1624 foi baptizada uma criança, cujo pai era natural de Tentúgal, de nome Manoel Esteves, o escrivão do juíz dos orfãos de Tentúgal. Este era casado, a mãe da criança era sua criada, solteira;
  • Aos 14 de Março de 1629 foi baptizada Brites, filha de Thomé Jorge e de Isabel Francisca da Guímera. Foi padrinho João Garcia Barcellar morador em Cantanhede e Rendeiro do couto de Cadima e madrinha Brites Jorge mulher de Domingos Francisco morador na Póvoa. Este João Garcia é hoje uma personagem ligada à vila da Tocha, ver nota abaixo.
  • Aos 27 de Julho de 1630 foi baptizada uma criança, filha de Simão Pereira, sacerdote de missa, e de Inácia da Cruz cujo pai já era defunto. Ambos de Pereira.
  • Existem também referências a padrinhos naturais de Vila Franca (Arazede), Ermida (Mira), Covão do Lobo, Barrins (Tocha), São Fagundo (Coimbra), Cantanhede, Condeixa, Ribeira de Massalete (Tentúgal), etc.
  • As "fronteiras" estariam pouco definidas, e poderia haver algumas deslocações dos habitantes de uma localidade para outra com alguma facilidade.
  •  
    João Garcia Bacelar:
    Era um fidalgo que vivia na Galiza, e que muito jovem foi para Madrid para casa de um tio. Um dia, ainda muito jovem, caiu num precipicio, indo montado numa mula e acompanhado pelos seus criados. Pediu ajuda à Senhora D'Atocha para que o salvasse daquela queda.
    Foi, de facto encontrado são e salvo pelos seus criados. E o jovem João fez a promessa de erguer uma ermida à senhora D'Atocha que o salvara quando fosse uma pessoa importante.
    João Garcia Bacelar chegou a regressar à Galiza, mas veio depois para Portugal para junto de um tio abastado, que o adoptou. A lenda reza que foi a viajar pela zona da Gândara, mais concretamente junto à Quinta da Fonte Quente, que se apaixonou pela região e comprou o terreno a uma lavrador local onde mandou edificar a igreja em honra de Nossa Senhora D'Atocha. Ao que parece, a Santa estará na origem de muitos milagres.

    Referência: Junta de freguesia da Tocha

    Por aqui se pode ver que em 1630 João Garcia Bacelar já era Rendeiro do couto de Cadima, e que vivia em Cantanhede. Um rendeiro era uma espécie de contabilista público, um cargo de confiança na altura.

    (A continuar a partir de 1631...)

    sábado, 11 de setembro de 2010

    Sotaque da Gesteira: "Estrelar um ovo na péla"

    Péla é um termo da região Gandaresa que significa frigideira ou caçarola. Não confundir com o jogo da péla, que apesar de poder ser jogado com raquetes, parentes da frigideira, poderá não ter ligação com a origem deste termo tão Gandarês.

    Justamente, nos dicionários de português padrão, a palavra "péla" é:
    • a) bola revestida de pele; bola para jogo ou para brincar; jogo antigo, considerado como percursor do ténis, em que se batia uma bola com uma raqueta (Do latim vulgar *pilla-, por pila-, significando "bola");
    • b) cada uma das camadas de cortiça que o sobreiro vai dando; acto de pelar; descortiçamento.
    Agora, e desde que me lembro, na nossa Gândara sempre se estrelaram os ovos numa péla...

    sábado, 4 de setembro de 2010

    Baú da Gesteira: Registos de Baptismo (Cadima) 1611-1620

    Também ainda não foi neste período que o nome da aldeia foi registado nos registos de baptismo do couto de Cadima. Dos 270 registos estudados durante este período de 10 anos (mais 76 que o período anterior) surgiram algumas referência a novas localidades. Os nomes Maria e Manoel são os mais comuns.

    Nomes de Baptismo
    No que diz respeito aos nomes de baptismo, os mais comuns foram os seguintes:
    1. Manoel 23,5%
    2. Maria 20,5%
    3. Isabel 10,5%
    4. António 7,5%
    5. Ana 7%
    6. Francisco 6,5%
    7. Domingos 5%
    8. Catarina 3%
    9. Thomé 3%
    No caso das meninas, os três nomes mais comuns foram Maria (20,5%), Isabel (10,5%) e Ana (7%). No caso dos rapazes, os três nomes mais comuns mudaram, e eram então Manoel (23,5%), António (7,5%) e Francisco (6,5%).
    A quantidade de registos onde não foi possível ler o nome da criança baixou para 0%.
    Foram baptizados 52% de rapazes, 48% de raparigas.

    Quase metade das crianças do sexo feminino eram baptizadas com o nome de Maria (42%).
    Quase metade das crianças do sexo masculino eram baptizadas com o nome Manoel (47%).

    Localidades
    A lista que segue apresenta as localidades e o seu peso no que diz respeito ao número de baptizados registados entre 1611 e 1620 (este será um bom indicador do tamanho e importância de cada localidade):
    1. Cadima 18,5%
    2. Zambujal 18%
    3. Guimera 18%
    4. Ribeira 17%
    5. Casal 9,5%
    6. Água Doce  5,5%
    7. Escoural 2%
    8. Olho 2%
    9. Póvoa 2%
    10. Aljuriça 1,5%
    11. Seixo 1%
    12. Taboeira 1%
    13. Lagoa Negra 0,5%
    14. Desconhecido 0,5%
    15. Braganção 0,5%
    16. Azenha 0,5%
    17. Corgo do Encheiro 0,5%
    18. Entre Águas 0,5%  
    19. Lagoa Seca 0,5%
    20. Vagos 0,5%
    Cerca de 82% da população do couto de Cadima vivia nas aldeias de Zambujal, Guimera, Cadima, Casal e Ribeira. Na denominação de Ribeira incluo os registos de Ribeira, Ribeira da Fervença e Fervença, mas esta denominação era bem mais alargada e representava com certeza as populações que viviam junto às grandes e profundas ribeiras que cruzavam o couto.
    Na denominação de Póvoa inclui-se os nomes de Póvoa, Póvoa da Ribeira, Córrego da Póvoa e Ribeira da Póvoa.

    Curiosidades dos nomes de localidades durante este período:
    • Foi baptizada uma criança, cujo pai era natural de Vagos, a mãe era solteira, natural da Esgueira;
    • Em 1612 aparece a primeira referência à localidade de Pontes (Antónia, filha de Manoel Fernandes das Pontes);
    • Em 1614 aparece também a primeira referência à localidade do Olho. No mesmo registo a madrinha é da Ribeira da Graciosa;
    • Em 1616 a Azenha é referida como Azenha da Póvoa;
    • Em 1617 aparece uma referência a um padrinho dos Barrins (na altura denominada por Lombos dos Barris);
    • Também em 1617 aparece a referência a um padrinho da localidade da Córrega;
    • Em 1620, uma madrinha de baptismo é moradora no lugar das Palheiras (hoje denominada Palhagueira);
    • O facto de não haver quaisquer registos nalgumas localidades anteriormente referidas pode indicar que eram pouco povoadas (apenas uma ou duas casas) ou que estas se incluem por vezes na denominação de Ribeira. É o caso de Lagoa Negra, Entre Águas, Lagoa Seca, Corgo do Encheiro, por exemplo;
    • As "fronteiras" estariam pouco definidas, e poderia haver algumas deslocações dos habitantes de uma localidade para outra com alguma facilidade.

    (A continuar a partir de 1621...)

    quarta-feira, 1 de setembro de 2010

    Sotaque da Gesteira: "Este fruto boleco não comerei!"

    Boleco (lê-se "Bolêco") é mais uma das palavras relativamente comuns na nossa região, pela voz dos nossos avós e pais.

    Nos dicionários on-line até se encontra a definição para o adjetivo, nomeadamente:

    http://www.dicio.com.br/boleco/
    http://lexico.universia.pt/boleco/
    http://www.significadodepalavras.com.br/Boleco



    Boleco é portanto, de acordo com esses dicionários, um adjetivo da zona da Bairrada (também usado na Gândara), e significa fruto arejado ou que amadureceu anormalmente, significa também fruto ressequido, sem substância, engelhado, murcho e quase seco ou oco.

    Tem um significado semelhante a "chocho".

    Exemplo:
    "Não comas essas maçãs porque estão bolecas."






    Lembro-me das laranjas bolecas, quando estas ficam moles, enrugadas, com a casca mole.

    segunda-feira, 30 de agosto de 2010

    Baú da Gesteira: Registos de Baptismo (Cadima) 1601-1610

    Ainda não foi neste período que o nome da aldeia foi usado nos registos de baptismo do couto de Cadima. No entanto, dos 194 registos estudados durante este período de 10 anos surgiu uma referência a um novo lugar, e continua a ser a era das Marias.

    Nomes de Baptismo
    No que diz respeito aos nomes de baptismo, os mais comuns foram os seguintes:
    1. Maria 18%
    2. António 16,5%
    3. Manoel 12,5%
    4. Isabel 8%
    5. Domingos 7%
    6. Francisco 6,5%
    7. Catarina 5,5%
    8. Ana 4,5%
    9. ilegíveis 4,5%
    No caso das meninas, os três nomes mais comuns continuaram a ser Maria (18%), Isabel (8%) e Catarina (5,5%). No caso dos rapazes, os três nomes mais comuns mudaram, e eram então António (16,5%), Manuel (12,5%) e Domingos (7%).
    A quantidade de registos onde não foi possível ler o nome da criança baixou para 4,5%.
    Foram baptizados 55% de rapazes, 40% de raparigas, os restantes são registos onde não pode ler o nome.

    Quase metade das crianças do sexo feminino eram baptizadas com o nome de Maria (45%).
    Quase um terço das crianças do sexo masculina eram baptizadas com o nome António (30%).

    Localidades
    A lista que segue apresenta as localidades e o seu peso no que diz respeito ao número de baptizados registados entre 1601 e 1610.
    1. Zambujal 20,5%
    2. Guimera 20,5%
    3. Cadima 19%
    4. Ribeira 19%
    5. Casal 7,5%
    6. Escoural 2,5%
    7. Aljuriça 2,5%
    8. Água Doce 2,5%
    9. Seixo 1,5%
    10. Córrego do Enxieiro 1%
    11. Póvoa 0,5%
    12. Braganção 0,5%
    13. Azenha 0,5%
    14. Taboeira 0,5%
    15. Desconhecido 0,5%
    Cerca de 85% da população do couto de Cadima vivia nas aldeias de Zambujal, Guimera, Cadima, Casal e Ribeira. Na denominação de Ribeira incluo os registos de Ribeira, Ribeira da Fervença e Fervença, mas esta denominação era bem mais alargada e representava com certeza as populações que viviam junto às grandes e profundas ribeiras que cruzavam o couto.

    Curiosidades dos nomes de localidades durante este período:
    • Foi durante este período que se deixou de usar "Azambujal" e se passou a usar "Zambujal";
    • Em 1609 aparece a primeira referência à Taboeira;
    • O facto de não haver quaisquer registos nalgumas localidades anteriormente referidas pode indicar que eram pouco povoadas (apenas uma ou duas casas) ou que estas se incluem por vezes na denominação de Ribeira. É o caso de Lagoa Negra, Entre Águas, Lagoa Seca, por exemplo;
    • As "fronteiras" estariam pouco definidas, e locais como a Carvalheira, por exemplo estaria algumas vezes incluída na Guimera, dada a importância desta última.

    (A continuar a partir de 1611...)

    domingo, 8 de agosto de 2010

    Sotaque da Gesteira: "És um atentareto!"

    Lembro-me algumas vezes de expressões do meu falecido avô, coisas que na minha cabeça faziam sentido, mas se fossem ditas a uma criança do Porto, de Coimbra ou de Lisboa não deveriam fazer qualquer sentido.

    Uma dessas palavras é "atentareto", palavra que vêm do verbo "atentar".

    Ora, atentar significa:
    [Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora]
    verbo transitivo, 1. observar com atenção; 2. ponderar, considerar;
    verbo intransitivo, 3. cometer atentado.

    [Dicionário Priberam da Língua Portuguesa - online]
    verbo transitivo, 1. observar com tento; 2. atender a; 3. intentar.
    verbo intransitivo, 4. cometer atentado; 5. ir de encontro a; 6. considerar.

    [Wikcionário - http://pt.wiktionary.org/wiki/atentar]
    verbo transitivo e intransitivo,
    1. observar com atenção; 2. considerar; 3. cometer atentado; 4. fazer bagunça, pirraçar.

    Apenas este último dicionário contém o significado do verbo usado pelo meu avô, atentar significava, de facto, fazer confusão, causar problemas, sobretudo associado a brincadeiras (de bom ou mau gosto), a pregar partidas.

    Sendo assim, atentareto era a pessoa (geralmente uma criança, mas nem sempre) que pregava as partidas, que fazia as brincadeiras, que causava os problemas, um traquina.

    Se gostares de pregar partidas és cá um atentareto...

    sexta-feira, 6 de agosto de 2010

    Baú da Gesteira: Escola primária da Gesteira, ano lectivo de 1982/83


    A escola primária da Gesteira, situada entre os terrenos do meu avô, Emídio Tabanez, e do ti Fernando Navalhas, funciona desde os anos 60, e será encerrada em breve por falta de alunos.
    Esta foto (cortesia de Foto Primavera, José Carlos R. Brás, de Vila Nova de Gaia) foi no magusto de 1982.

    Por trás ainda aparecem duas tradicionais "cabanas" de palhas e quatro pinheiros grandes que hoje já não existem. Aliás, a própria escola está hoje muito mudada, com um muro vedado, e com cedro no interior do pátio.

    Gostaria de colocar o nome dos meus colegas na foto, e quem sabe, por onde andam hoje, se alguém puder ajudar agradecia.

    De cócoras, da esquerda para a direita:
    Fernando, Henrique Vinagreiro, Nuno Silva, Paulo, ?, ?, Bacia de Castanhas, Ulisses Teixeira, Paulo, Pedro

    De pé, da esquerda para a direita:
    André (filho da professora), ?, Duarte Taboeira, ?, ?, Paula Navalhas, Susana, Cristina, Dulce, Bento, ?, ?, ?, ?, ?, ?, ?, Professora, Fernando Bento, ?, ?, Maria do Céu

    quinta-feira, 22 de julho de 2010

    Flora da Gesteira: Papoilas de vermelho garrido

    A flora da Gesteira é composta por largas centenas de plantas e flores, selvagens, coloridas e mais bonitas umas que as outras. Uma das principais e mais vistosas plantas que nasce nos campos e na beira dos caminhos é a papoila, papoila-brava, ou papoila-das-searas [Papaver rhoeas L.], também conhecida pelas designações de Papoila; Papoila-brava; Papoila-ordinária; Papoila-rubra; Papoila-vermelha; Papoila-vulgar; entre outros, é uma planta da família Papaveraceae .

    Embora não haja muitas certezas sobre o lugar de origem da planta, há quem sustente que é originária da região do Mediterrâneo Oriental e que terá sido introduzida na Europa e noutras regiões do globo com a expansão da cultura dos cereais. Mesmo que assim seja, certo é que ela ocorre, actualmente, não só em terrenos cultivados, mas também em terrenos incultos e em pousio e não hesita em "plantar-se" à beira de estradas e caminhos. Não sei se para ver quem passa, se para exibir a sua beleza e ser vista por quem passa.
    Em Portugal distribui-se por todo o Continente e pelos arquipélagos dos Açores e Madeira.
    As suas pétalas são usadas em fitoterapia, geralmente sob a forma de infusão, como sedativo em situações de ansiedade e de perturbação do sono.

    Na Gesteira esta planta existe e persiste, quer umas papoilas com pétalas mais alaranjadas, quer umas papoilas mais imponentes com um vermelho aveludado e garrido.
    Esta planta, pela sua beleza natural, tem alimentado também crenças populares e entrou na cultura lusitana, senão vejamos, por exemplo, uma cantiga popular que se ouvia na Gesteira há uns anos atrás:

    O Ti Zé da horta
    foi aos agriões
    ao saltar a vala
    caiu-lhe os calções.

    O Ti Zé da horta
    foi às papoilas
    ao saltar a vala
    caiu-lhe as ceroulas. (ciroilas)

    (Referência: http://obotanicoaprendiznaterradosespantos.blogspot.com/2010/07/papoila-das-searas-papaver-rhoeas.html)

    sábado, 19 de junho de 2010

    Baú da Gesteira: Registos de Baptismo (Cadima) 1573-1600 - parte II

    No seguimento da mensagem anterior exponho aqui dois tipos de dados: os nomes de baptismo da época e a distribuição dos mesmo baptismos pelas aldeias que então compunham o couto de Cadima.

    Nomes de Baptismo
    No que diz respeito aos nomes de baptismo (com mais ou menos precisão) a sua distribuição foi a seguinte: Para as mulheres, os três nomes mais comuns eram então Maria (15%), Isabel (10%) e Catarina (6%). No caso dos homens, os três nomes mais comuns eram Francisco (9%), Manuel (8%) e António (8%).
    Em cerca de 16% dos casos não me foi possível ler o nome de baptismo.

    Naquele tempo, uma em cada três crianças dos sexo feminino era baptizada com o nome de Maria.

    Localidades
    O couto de Cadima era uma área Gandaresa muito vasta, que então englobava o que são hoje as freguesias de Cadima e da Sanguinheira. Antes de 1600 muitas das localidades que hoje existem nestas freguesias, ou não existiam, ou então tinham nomes diferentes. A lista que segue apresenta as localidades e o seu peso no que diz respeito ao número de baptizados registados entre 1573 e 1600.

    As 5 aldeias do Zambujal (sobretudo denominada na altura por Azambujal), Guimera, Cadima, Casal e Fervença (denominada muitas vezes de Ribeira) representariam cerca de 80% da população do couto de Cadima. Isto sem contar com os quase 13% de registos onde não é possível ver o local de naturalidade.
    Há também a registar um baptizado de uma criança que não era natural do couto (Lemede) e o nome diferente de algumas localidades que ainda hoje existem (Póvoa, Lagoa Negra, Entraguas, Aljuriça, etc.)

    terça-feira, 15 de junho de 2010

    Baú da Gesteira: Registos de Baptismo (Cadima) 1573-1600 - parte I

    O Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, foi o 19º concílio ecuménico. É considerado um dos três concílios fundamentais na Igreja Católica. Foi convocado pelo Papa Paulo III para assegurar a unidade da fé e a disciplina eclesiástica, no contexto da Reforma da Igreja Católica e a reação à divisão então vivida na Europa devido à Reforma Protestante, razão pela qual é denominado como Concílio da Contra-Reforma.

    Para além de muitas decisões importantes que moldaram a igreja católica desde então, este Concílio teve especial importância para os pesquisadores de genealogia devido a uma das suas mais importantes resoluções, esta determinava que todas as crianças, para serem baptizadas na igreja católica deveriam possuir um nome cristão e um sobrenome de família, o uso de sobrenomes familiares foi então implantado definitivamente. E passou a registar-se os bapstizados, óbitos e casamentos.

    Numa tentativa exaustiva de leitura dos registos paroquiais de baptismo da “antiga” freguesia de Cadima, cheguei finalmente ao ano de 1600. Apresento aqui alguns números e algumas curiosidades.
    • O primeiro registo de baptismo em Cadima foi registado a 30 de Setembro de 1573.
    • Desde essa data até ao final do ano de 1600 foram baptisadas 583 crianças (cerca de 22 crianças por ano).
    • Dessas crianças, 257 eram do sexo masculino, 231 do sexo feminino e 95 não é possível saber por ser ilegível.
    • Naquela altura não era muito comum referir o nome da mãe, dos 583 assentos de baptismo 278 não referiam o nome da mãe (quase 50%).
    • A localidade mais referida nos assentos é o Zambujal (ou Azambujal como se dominava naquela altura) com 158 baptisados.
    • O nome de baptismo mais comum é Maria, nada que nos surpreenda, com 85 baptisados.

    quinta-feira, 10 de junho de 2010

    Baú da Gesteira: Património Cultural

    No seguimento do artigo sobre o “homem do corno”, vou descrever um pouco do que era vida na Gesteira há mais de 100 anos. Mais uma vez baseado no trabalho da tia Maria, e no que lhe fora contado pela minha bisavó Maria “Maranhoa”.

    Segundo a minha bisavó, nascida em 1890, a Gesteira tinha ainda poucas casas no século XIX. Ela ficou orfã muito jovem e foi adoptada por um casal já idoso da Gesteira. Este casal criou a minha bisavó e contaram-lhe que havia muitas Giestas no local, e que grande parte do solo não era cultivado (era baldio). Os Gesteireses começaram a cercar e cultivar os terrenos, bem como a construir novas habitações.

    Nessa altura cultivavam linho, e fiavam com teares manuais, faziam cmisas de linho largas e muito soltas, que lhes serviam de túnicas ou vestido, apertando-as com um colete até à cintura.

    Este seria o traje dos mais jovens, que naquela altura passavam o tempo a guardar ovelhas até cerca dos 18 anos.

    Os trabalhadores daquela época usavam camisas de pano crú. Os mais idosos usavam camisas de riscado, ceroulas de pano cru, e barrete. As senhoras vestiam blusas e saias de riscado, lenço e chapéu.

    Traje domingueiro de homem: camisa de cabecilho, calças de burel e gabão.

    Traje domingueiro de mulher: blusa de chita, saia de burel e tricanas.

    Já então frequentavam os bailes, que ocorriam em casas particulares, ao toque de flautas, e mais tarde ao toque de pequenas consertinas, também conhecidas por “sanfonas”.

    Nesses bailes, danaçava-se então a farrapeira, o rodízio, o verde-gaio, o vira, etc.

    Farrapeira cantada pela minha bisavó:
    Farrapeira velha balseada, valha Deus como ela é.
    Faz fugir as velhas todas, lá pró canto da chaminé.
    Chamaste-me farrapeira, eu não vivo de farrapos.
    Tenho aqui uma saia nova, toda cheia de buracos.


    No vira havia sempre um par de voluntários que cantavam ao desafio (normalmente um cantador e uma cantadeira), os pais da minha bisavó faziam parte destes animadores de festas.

    Já exisitam também as festas tradicionais dos santos populares, nos lugares vizinhos, onde as pessoas íam levando a merenda, o vinho da região, geralmente transportado num corno de animal bovino, tratado e com uma correia para facilitar o transporte. E daqui surge a história do “homem do corno”.

    sexta-feira, 4 de junho de 2010

    Obrigado

    Já lá vão 4 meses que iniciei este espaço. Já cá estão 22 artigos. Já cá se receberam 1000 visitas. A todos os que têm acompanhado o blog, e que me têm dado incentivo para continuar, queria deixar o meu Muito Obrigado! Voltem sempre e deixem também a vossa marca.

    quinta-feira, 3 de junho de 2010

    Hoje e amanhã: Entrevista ao jornal Independente de Cantanhede

    Em 2009 a Lua veio a Portugal, pelas minhas mãos. Fiquei com uma história para contar e recontar às gerações actuais e vindouras.


    Em 5 de maio de 2010 saiu no jornal Independente de Cantanhede uma entrevista sobre esta e outras aventuras da minha vida, um homem com raízes na Gesteira (entrevista de abril de 2010).


    Essa entrevista pode ser consultada aqui: Gandarês teve a lua nas mãos

    segunda-feira, 31 de maio de 2010

    Baú da Gesteira: Cantador ao desafio

    Em conversa com a minha tia descobri que ela tinha feito um trabalho sobre a Gesteira, e como era a vida na aldeia há muitos anos, bem como o "património cultural" da nossa terra e da nossa gente.
    Apresento hoje aqui uma parte desse trabalho, que trata de um "famoso" cantador, natural da Gesteira, e que, pelos vistos, tinha queda para o ofício.
    O dito cantador, foi uma vez ao São Tomé de Mira, com o seu "corno" às costas (onde levava a sua pinga), e passando perto de um tocador e de uma cantadeira, foi interpelado pela cantadeira:

    "Oh homem do corno, diga-me de onde vem, para onde vai.
    Diga-me se os tem de sua lavrança, ou se os herdou de sua mãe ou de seu pai."

    Ora, esta senhora estava longe de imaginar que o nosso herói era rápido e implacável na resposta, e respondeu-lhe cantando:

    "Não os tenho de minha lavrança, nem os herdei de minha mãe nem de meu pai.
    Herdei-os de seu marido, que eles de maduros também caem!"

    O nosso cantador, não deixou dúvidas sobre quem tinha mais queda para a desgarrada.

    Um grande obrigado à tia Maria por mais esta preciosidade sobre a nossa terra e sobre a nossa gente!

    sexta-feira, 14 de maio de 2010

    Baú da Gesteira: Quando a Gândara era pequenina

    Todos sabemos que a terra sofre mudanças constantemente, que o que conhecemos hoje foi diferente ontem, e será ainda mais diferente amanhã.

    Como já aqui apresentei alguns fósseis marinhos encontrados na Gesteira, é natural acreditar que esta região foi outrora coberta por mares, e habitada por seres marinhos.
    Estou a ler com muito interesse e curiosidade a obra "A Gândara Antiga" do Dr. João Reigota, e uma das coisas que me cativou logo a atenção foi o facto de ele referir que a costa da Beira-Litoral, tem sofrido grandes mudanças mesmo em "curtos" espaços de tempo.
    O que apresento de seguida são alguns mapas que demonstram estas alterações, e bastaria recuar cerca de 800 anos para que a costa fosse quase aqui ao lado, mais ou menos onde se encontram hoje Vagos, Mira e a Tocha, ou seja, entre 7 a 10 Km mais para o interior.
    Por essa altura, a Gândara, pequenina, teria quase menos 10 Km de largura, de alto a baixo.

    Os 3 primeiros mapas são de 1560, 1700 e 1810 respectivamente.

    A Descrição atual e precisa de Portugal, antiga Lusitânia, por Fernando Alvarez Seco (1560)







    Novo Mapa Mostrando as Explorações Espanholas e Portuguesas com Observações dos Mais Engenhosos Geógrafos da Espanha e Portugal (1700)







    Mapa da Espanha e de Portugal, Corrigido e Ampliado a partir do Mapa Publicado por D. Tomas Lopez (1810)








    Ampliando apenas a região das costas Gandaresas, podemos ver mais em detalhe alguma evolução da costa desta região, no mínimo nos últimos 500 anos. Se tivermos em mente onde se encontra hoje a costa, podemos identificar povoações muito mais próximas da costa, mesmo sabendo que estes mapas não tinham a precisão dos mapas dos nossos dias.
    Em 1560, podemos ver que a região de Aveiro tinha várias ilhas e que a foz do rio Mondego era muito mais larga, com alguns ilhéus também no seu leito. A costa em si também parece um pouco recuada.









    No mapa de 1700, pode-se ver uma ilha grande junto à foz do Mondego, e vários "montes" junto à costa, nomeadamente na zona da Tocha.




    Cem anos depois a costa já apresentava os contornos semelhantes aos da costa de hoje e evoluíra a arte de desenhar mapas.





    De acordo com mapas e informações apresentados no livro "A Gândara Antiga", de João Reigota, fiz uma dedução do que teria sido a costa Gandaresa por volta de 1200, ou seja há 800 anos atrás. A parte amarelada no mapa estaria ocupada pelo Atlântico, a ria de Aveiro estaria recuada, o Mondego era um rio muito mais largo e de grande caudal, bem como todas as ribeiras da região. Por essa altura, ainda não são conhecidas referências à zona da actual Gesteira, mas já existindo habitação no local de Cadima por exemplo, a Gesteira não distaria muito mais de 5 km do mar. Pode-se ver no mapa a localização da Tocha e da Gesteira. Se cá estivessemos poderíamos ir à praia a pé...

    Flora da Gesteira: Estrela-da-Tarde (Oenothera)

    Sempre me impressionou esta flor de um amarelo garrido, com pétalas aveludadas, e que abria a partir da tarde, parecendo intimamente ligada à Lua pois à noite mantinha-se aberta e feliz a namorar galhardamente o astro da noite!
    Demorei algum tempo a descobrir o nome e origem desta planta que se encontra em muita quantidade na Gesteira e regiões próximas, nos quintais e à beira das estradas.

    Nome científico: Oenothera biennis L.

    Nomes populares: prímula, onográcea, estrela-da-tarde e erva-dos-burros ou ‘evening primrose’ (nome originado do facto das suas flores se abrirem ao entardecer). Também conhecida por onagra, zécora, canárias; evening primrose (inglês), onagra (espanhol), onagre (francês), onagracee (italiano) e nachtkerze (alemão). Em inglês também é conhecida por Fever plant, Field primrose, King's cure-all, Night willow-herb, Scabish, Scurvish.

    Origem: América do Norte.

    Detalhes
    : Da América do Norte a planta foi trazida para Inglaterra em 1619, onde ficou conhecida como "King’s Cure-all". O seu cultivo expandiu-se pela Europa e Ásia. É uma planta herbácea anual ou bianual, de caule robusto, folhas largas e longas, flores grandes e amarelas. O fruto é uma cápsula que contém numerosas sementes.

    Composição química
    : Ácido gamalinolénico (GLA), fitosterol, onoterina, taninos, compostos flavónicos, mucilagens, ácido palmítico, ácido esteárico, ácido oléico, beta-sistosterol e citrstadieno.

    Propriedades medicinais
    : adstringente, antialérgica, antiinflamatória, activadora dos linfócitos T, demulcente, emoliente, inibidora da síntese de prolactina, reguladora da circulação sanguínea e reguladora do tônus muscular.

    Indicações
    : cólica, diarréia, reações alérgicas de pele, asma, dor, dor peitoral, eczema,
    colesterol, esclerose múltipla, dor de nervo causada por diabete, feridas, nervosismo, psoríase, síndrome pré-menstrual, tosse, tosse asmática. O óleo da planta serve também para combater os sintomas de tensão pré-menstrual (TPM), redução das dores de artrite reumatóide, tratamento de disfunções na pele, tratamento e prevenção de doenças cardíacas, alergias, esclerose múltipla, depressão e hiperatividade.

    Nota: Não se aconselha a sua utilização de forma alguma sem consulta médica prévia.
    O ácido gamalinolénico (GLA) extraído do óleo da planta é normalmente produzido pelo organismo humano pela conversão do ácido linoléico ingerido pela alimentação. No entanto, alguns factores como o stress, colesterol elevado, diabetes, insuficiência hepática e alguns medicamentos, entre outros, inibem essa formação, o que pode acarretar distúrbios no organismo, como aumentar a agregação plaquetária e levar a inflamações, má produção de prolactina, má regulação do tônus muscular e aumentar a susceptibilidade a doenças cardíacas.

    Esta curiosa planta parece portanto uma planta quase milagrosa, não admira o nome que os Ingleses lhe deram ("cura tudo"). Devendo ter sido difundida a partir de Inglaterra depois de 1619 para o resto da Europa.

    A planta em si apresenta vários botões, sendo que todos os dias um desses botões abre com uma espantosa e quase florescente cor amarela, e com um cheiro frutado muito forte e agradável. Como já foi referido a estrela-da-tarde floresce mais à tarde e mantém-se aberta durante a noite, dando um colorido especial à noite. No dia seguinte, o botão seguinte abrirá, e a flor da tarde/noite anterior murcha e fica com uma cor alanranjada.

    Curioso, não?

    quarta-feira, 5 de maio de 2010

    Baú da Gesteira: Fósseis da nossa terra

    Este tópico é um pouco diferente, e com a preciosa ajuda dos professores Pedro Callapez e João Oliveira da Universidade de Coimbra e do site fossil.uc.pt, consigo aqui relatar informações mais precisas sobre alguns fósseis encontrados em terras da Gesteira.

    Os fósseis em questão são marinhos e remontam à Era Mesozóica, Período Cretácico, mais concretamente ao início do Cretácico superior. Neste intervalo da história da Terra, há cerca de 98 milhões de anos, o nível da superfície dos oceanos atingiu cerca de 200 a 250 m acima da sua cota actual, submergindo vastas áreas marginais e do interior dos continentes. A actual Europa estava reduzida a um conjunto de ilhas, entre as quais a Ibéria. Onde estão hoje a Estremadura e a Beira Litoral existia uma vasta plataforma marinha com condições tropicais e inúmeros recifes. Os seus vestígios encontram-se entre os paralelos de Aveiro e de Lisboa, incluindo a Gândara e a Bairrada. Nestas regiões observam-se pequenos afloramentos, como os da Tocha, Mamarrosa, Enxofães, Lapa e Barcouço-Pisão. Consistem em calcários e margas fossilíferos.

    As primeiras fotos mostram um molde interno de Tylostoma ovatum, um gastrópode ou búzio marinho.

    Este fóssil, foi encontrado nos anos 80 do século passado, numa área de pinhal a norte da Gesteira, estando na altura incluído numa rocha maior, da qual eu o retirei danificando um pouco o fóssil como se pode verificar pelas fotos.


    Os outros fósseis representam duas valvas de moluscos bivalves, parentes dos mexilhões actuais. A grande é um excelente exemplar de Pseudoptera anómala e a pequena um Septifer lineatus.

    Estes foram fotografados recentemente numa "pedra" de cerca de 1m de comprimento por 20cm de largura, retiradas da terra há menos tempo aquando da abertura de um poço, também na parte norte da Gesteira. Esta "pedra" foi retirada de uma profundidade que não chegava aos 10 m.

    Estas "descobertas" demonstram que esta região foi outrora coberta por um Oceano, e com imensas criaturas marinhas, a foto anterior mostra uma enorme quantidade de bivalves, e estado esta enterrada a menos de 10 metros de profundidade, poderá imaginar-se que estes últimos 95 milhões de anos trouxeram não só o recuo do Oceano, mas também uma acumulação de cerca de 10 metros de sedimentos, areias, argilas, e o óbvio aparecimento de rochas e fósseis que foram "conservados" desde então. Esta é a minha pequena conclusão de leigo, fica aqui lançado o desafio para a discussão e apresentação de mais fósseis da Gesteira e região.

    Hoje e amanhã: Gesteira vence 9º campeonato de Futsal da freguesia da Sanguinheira

    (in Jornal Independente de Cantanhede)

    Gesteira venceu campeonato de Futsal da Freguesia

    A Gesteira, terminando o campeonato com 17 pontos, 2 pontos a mais que a Palhagueira, foi a justa vencedora deste que acabou por ser o tricampeonato para a nossa terra. Ao fim de 9 edições, é a primeira vez que há "tri" no campeonato de Futsal organizado pela Freguesia da Sanguinheira.

    Os resultados da última jornada foram:
    Sanguinheira 1 - Palhagueira 0
    Pedras Ásperas 2 - Casal dos Netos 1
    Gesteira 8 - Grou 0

    Com estes resultados, sobretudo a vitória da Sanguinheira sobre a Palhagueira que até então ocupava o primeiro lugar, e com a goleada da Gesteira sobre o Grou, a classificação geral e final passou a ser:

    1º Gesteira 17 pontos
    2º Palhagueira 15 pontos
    3º Sanguinheira 13 pontos
    4º Pedras Ásperas 13 pontos
    5º Moita 10 pontos
    6º Casal dos Netos 8 pontos
    7º Grou 8 pontos

    Em 2011 haverá mais um campeonato e a Gesteira será então, de novo, o alvo a abater.

    Parabéns a todas as aldeias participantes pelo equilibrado campeonato, e parabéns especiais à Gesteira por mais uma conquista.

    quinta-feira, 29 de abril de 2010

    Gastronomia: Favas à gandaresa

    Este é sem dúvida um dos meus pratos favoritos. Um dos pratos típicos desta região!
    Os principais ingredientes são favas da Gesteira, fresquinhas, acabadas de colher e de debulhar, batatas novas, também elas recentemente extraídas das areias da Gesteira, e outros ingredientes acessórios como são as carnes de porco, ou as ramas de alho. As favas e batatas são cozinhadas separadamente, e as carnes depois de fritas são misturadas, ou "caldeadas" às favas e às batatas para espalhar um pouco da gordura.
    Como estas eram as primeiras favas da época (a 24 de abril de 2010), tive de repetir a dose para matar o desejo e a necessidade desta refeição tão calórica e apetitosa!

    quarta-feira, 14 de abril de 2010

    Hoje e amanhã: Mais um satélite com dedo Gesteirense

    Bom dia!

    Por muito importantes que sejam as nossas raízes e o nosso passado, sobretudo para nos percebermos a nós próprios, mais importante ainda é aquilo que aspiramos ser e aquilo que efetivamente seremos.

    "Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", concluiu Lavoisier no século XVIII. Não concordo com tudo, pois hoje conseguimos criar tanta coisa virtualmente, somos criadores natos, mesmo, por vezes, não criando nada concreto.

    Assim foi com a Gesteira, que se transformou ao longo dos séculos, de uma região fértil em ribeiros, córregos, lagoas e abundante vegetação de arbustos, para o que é hoje, praticamente sem esses elementos, restam-nos as memórias.

    Assim acontece com este nosso planeta, por vezes tão mal tratado por nós, à beira de crises sociais e de alterações climáticas que poderão ser irreversíveis.

    É nesse contexto que foi definida e levada avante a missão Cryosat, e mais tarde Cryosat-2, para poder estudar a fundo e com dados muito precisos, as alterações das extensões de gelo do nosso planeta (calotes polares, gelo marítimo, gelos sazonais, etc).

    Esta entrevista para a TV NET apresenta apenas mais uma contribuição onde um Gesteirense esteve envolvido.

    segunda-feira, 12 de abril de 2010

    Baú da Gesteira: Morte em 1642

    O primeiro assento de óbito, de um Gesteirense, data de 1642. Faleceu então Maria Francisca, mulher de João Simões o Romião. A transcrição desse registo é a que segue:

    "Aos dezaseis dias de dezembro de 642 falleceo
    Mª [Maria] Fr.ca [Francisca] m.er [mulher] de João Simões o Romião da Gesteira não fes testamento far-seha por sua alma o Costumado da igreija. João Fr.co [Francisco] Mont-ro [Monteiro]"

    Referência: Arquivo da Universidade de Coimbra, Óbitos da freguesia de Cadima 1609-1766.

    Esta Maria Francisca é a mesma que em 1626 deu à luz a primeira criança cujo nascimento foi registado na Gesteira. Em 1642, o seu filho João tinha 16 anos, e já havia mais habitantes na Gesteira, no mínimo a família de Manoel Jorge, sua mulher Izabel Antónia e seus filhos.

    sábado, 3 de abril de 2010

    Baú da Gesteira: No longínquo ano de 1626

    A primeira referência clara à Gesteira, nos assentos de batismo da freguesia de Cadima, até agora por mim encontrada é a seguinte:

    "Aos doze dias do mes de Julho de mil seis centos e vinte e seis annos bautizei João fº [filho] de João Simões e Mª [Maria] Fr.ca [Francisca] m.res [moradores] na Gesteira. Forão padrinhos Pº [Pedro] Jorge o Neto m.or [morador] na Ribª [Ribeira] e Isabel Glz [Gonçalves] a Aguda molher de Pº [Pedro] Frz [Fernandes] da Ribª [Ribeira]."

    Referência: Arquivo da Universidade de Coimbra, Baptismos da freguesia de Cadima 1573-1719.

    Este assento demonstra que a aldeia já era ocupada há pelo menos 383 anos, as principais aldeias da freguesia naquela altura eram: Cadima, Zambujal, Guimara, Casal, Póvoa e Ribeira [Fervença].

    quinta-feira, 1 de abril de 2010

    Hoje e amanhã: Ainda o Gandarês da Lua, ou a Lua do Gandarês


    A TVI esperou-me no aeroporto de Lisboa, tal era o interesse que uma amostra Lunar tinha. E com mais sono que vontade de falar lá lhes (vos) mostrei a preciosa "pedra".

    domingo, 14 de março de 2010

    Baú da Gesteira: 1823 na Gesteira ...

    Da deficiente leitura dos livros paroquiais da época pode-se extrair alguma informação referente a 1823.
    Primeiro procurei a relação entre o Jozé Teixeira e a minha família, mas ainda não encontrei, apenas que o terreno da escritura do post anterior pode ter sido herdado pela minha bisavó, Maria de Jezus, mas ainda não descobri porquê, apenas se sabe que ela herdou dos "Maranhões" da Gesteira, que, ao que parece não tiveram filhos.

    Ora, para o ano de 1823 apenas existem registos de baptismo, não existe registos de óbito nem de casamento. Da análise desses registos de óbito posso afirmar o seguinte:

    • Em 1823 baptizaram-se 111 crianças na freguesia de Cadima
    • Dessas 111 crianças 9 eram da Gesteira (8%)
    • No ano de 1823 nasceram também 111 crianças na freguesia de Cadima, e 9 na Gesteira.
    Os 9 registos de baptismo de 1823 referentes à Gesteira são os seguintes:
    • Maria, filha de Joaquim de Oliveira e de Thereza da Conceição
    • Jozé, filho de Francisco Gomes e de Estofania Maria
    • Izabel, filha de João Gomes Netto e de Maria da Cruz
    • Jozé, filho de Jozé Francisco Rolo e de Maria Teixeira
    • António, filho de Jozé Teixeira dos Ramos e de Izabel Maria
    • Maria, filha de António dos Santos e de Maria de Oliveira
    • Maria, filha de pai incerto, e de mãe também orfã
    • Anna, filha de Gaspar Teixeira e de Anna Rodrigues
    • Anna, filha de Joaquim da Silva e de Maria Teixeira
    Dada a inexistência de registos de casamento e óbito para 1823 e anos próximos, será dificil identificar o casamento do Jozé Teixeira, no entanto existem algums registos que podem fazer referência a ele:
    • Falecimento de Maria do Santos, em 18 de Agosto de 1833, mulher de Jozé Teixeira da Gesteira
    • Falecimento de Jozé, em 28 de Novembro de 1833, menor de idade, exposto em casa de Jozé Teixeira (ou Maria dos Santos) da Gesteira
    • Falecimento de Jozé Teixeira, em 9 de Maio de 1835, da Gesteira
    • Falecimento de Maria, em 6 de Janeiro de 1837, menor de idade, filha de Jozé Teixeira e de Izabel
    Conclui-se por agora, que poderiam existir vários homens com o nome de Jozé Teixeira na Gesteira (pelo menos dois).
    Nota: "exposto" era um dos nomes dados a crianças abandonadas, ou de pais desconhecidos.
    (A continuar)

    sexta-feira, 12 de março de 2010

    Baú da Gesteira: Venda de terreno em 1823

    Este documento, redigido no verso do passaporte de Jozé Teixeira, quando este se preparava para ir trabalhar para Lisboa, é uma "escritura" de terreno.

    Em Agosto de 1823, António Teixeira, viúvo, morador na Sanguinheira, vende um terreno "no mato" chamado a terra do Carreiro ou Carreira, a Jozé Teixeira. Este terreno fica na Sequilha, na parte norte da Gesteira. Ao que parece o próprio Jozé Teixeira já possuía um terreno a nascente (Este) deste, e para poente (Oeste) o terreno pertencia a Manoel de Oliveira Batata. O terreno em causa foi vendido por 700 Reis.

    A transcrição que pude fazer desta escritura é a seguinte:
    «Por este e a meu hoge feito por mim asignado comfeso eu Antonio Theixeira viuvo morador na Sanguinheira de Cima deste couto de Cadima termo da vila de Montemor o novo que he verdade que eu de minha propria e livre vontade e sem comtrangimento de pesoa alguma que para isto me obriguase nem demovese vendi e como de feito tenho vendido de hoje para todo o sempre a Joze Theixeira e a sua mulher moradores na Gesteira do mesmo couto e termo acima dito a saber lhe vendi tudo que me pertence no mato chamado a terra do carreiro no citio da Sequilha que parte da nacente com erdeiros do mesmo e mulher e do poem com erdeiros de Manoel de Oliveira Batata isto lhe vendi em preço certo e decretado de setecentos Reis os coais recebi eu vendedor da mam dos ditos compradores e por este lhe dou toda pose e dominio com emtradas e seis das novas e velhas para estes e seus erdeiros que por eles vierem como eu o tenho posuido e por isto asim ser quero que este valha em juizo e fora dele como se fose huma escritura e para esta venda fazer boa obrigo ? pesoa e bens asim ? como de mais assidos e futuros e por isto ser verdade pedi e hajuiza Joze Jorge da Cruz da Sanguinheira que este por mim fizese e comigo? asignase sendo mais ? que prezente estava no fazer deste Manoel de Oliveira Brado o moço feito hoje 3 de agosto de 1823 as. De Antonio Theixeira vendedor De Manoel de Oliveira tª

    Eu Joze Jorge da Cruz este fis como tª asignei»

    quinta-feira, 11 de março de 2010

    Baú da Gesteira: Passaporte da Gesteira com quase 200 anos




















    Esta relíquia, de Jozé Teixeira, morador da Gesteira no ano de 1823, supostamente relacionado com a minha família, foi-me mostrada pelo meu primo Manuel (http://blog-do-manel.blogspot.com/). É um passaporte para que o dito Jozé Teixeira se possa deslocar livremente por Portugal sem ser considerado fugitivo. Este documento foi guardado e conservado pela minha bisavó Maria de Jesus, também conhecida na Gesteira por Maria Maranhoa.
    A transcrição possível do documento é a seguinte:


    «Pasaporte
    Joze Francisco de Noronha juiz ordinario das pessoas que serve neste couto de Cadima. Faço saber que deste couto e lugar da Gesteira parte Joze Teixeira cazado idade de trinta anos Travalhador de Inxada o qual parte para as partes de Lisboa a travalhar com enxada vai vestido (linha ilegível na dobra)
    gavão? cara comprida olhos castanhos pouca barba cabello acastanhado e para que lhe não ponha impedimento lhe mandei pasar o prezente que lheva para por tempo de trez mezes. Dado Trasado neste coutto de Cadima aos 27 de Maio de 1823.
    ? Joaquim de ? ? ? ? ?
    Joze Francisco de Noronha
    Asine ? E Nada
    Noronha»

    Tirando algumas partes que são ilegíveis, nomeadamente uma das dobras, dá para ver que o juíz do couto de Cadima passava o documento para o Jozé Teixeira ir trabalhar para Lisboa durante 3 meses, fazendo inclusive uma descrição física da pessoa.

    (a continuar)

    terça-feira, 9 de março de 2010

    Flora da Gesteira: Era uma vez uma giesta


    Como já aqui escrevi, a pesquisa sobre a génese do nome da aldeia ainda será longa, no entanto não é difícil perceber que o nome se deve à vegetação então existente na zona, as giestas. Já encontrei nalguns registos de baptismo muito antigos o nome de Giesteira ou Gyesteira.

    Ora, se a giesta foi outrora um arbusto abundante pelas bandas da Gesteira, é hoje um arbusto que vai sobrevivendo aqui e ali, mas em poucas quantidades pelas matas e pinhais existentes na aldeia.

    Aqui apresento algumas fotos recentes de giestas ainda sem floração, bem como uma descrição do tipo de giestas mais comuns na região.


    * Nome Científico: Cytisus scoparius
    * Nome Popular: Giesta, Giesteira
    * Família: Fabaceae (Leguminosae)
    * Divisão: Angiospermae
    * Origem: Península Ibérica e Ilhas Canárias
    * Ciclo de Vida: Perene
    * Época de Floração: Abril a Junho
    * Distribuição em Portugal: Todo o território


    Cytisus scoparius - Giesteira ou Giesta das Vassouras

    Cytisus scoparius é nativo em brejos, solos não cultivados e bosques na Europa; é uma planta familiar tanto no estado selvagem como em cultivos. O nome Cytisus vem do grego "kytisos", termo usado antigamente para descrever várias leguminosas lenhosas e scoparius vem do latim "scopa", vassoura. O nome comum desta planta em inglês é mesmo "broom", ou seja, vassoura.

    Cytisus scoparius é um arbusto com ramos verdes e angulosos, apresentando diminutas folhas alternas e trímeras. Na parte superior dos ramos, flores solitárias amarelas que são hermafroditas, parecidas com as de ervilhas, aparecem na axila das folhas durante o verão. O fruto é uma vagem avermelhada.

    Toda a planta é tóxica. As folhas são lanceoladas ou lineares, pequenas, afiladas e esparsas. É uma planta xerófita, com folhas adaptadas para reduzir a perda de água por transpiração. Para compensar a redução nas folhas, os ramos também apresentam função fotossintética.

    A giesta-das-vassouras cresce nas encostas ensolaradas, na orla das florestas, frequentemente formando matagais.

    No entanto, muitas vezes não resiste ao frio no clima centro-europeu. Foi no século passado que as suas virtudes medicinais começaram a ser intensivamente exploradas. Seus usos medicinais estão listados em todos herbários europeus mais antigos, sob denominação de "Planta genista" da qual a Real casa britânica de Plantagenet tirou seu nome.


    Propriedades Naturais:
    Todas as partes da planta têm interesse farmacêutico: flores, cimeiras, sementes, raízes, mas são mais frequentemente colhidas as cimeiras.

    As partes mais tenras dos caules são cortadas à mão, postas a secar à sombra, cortadas depois em fragmentos mais pequenos. Entre as substâncias activas, a mais importante é o alcalóide esparteína que afecta o coração e nervos de modo semelhante ao "curare". A giesta-das-vassouras contém igualmente glicosídeos, taninos, óleos essenciais, sucos amargos. É uma erva amarga, narcótica que deprime a respiração, regula a acção do coração e tem efeitos diurético e purgativo.

    A forte toxicidade da planta leva a que raramente seja usada em medicina popular: serve principalmente de matéria-prima que permite isolar as diferentes substâncias activas. Os remédios à base de esparteína são prescritos em casos de perturbações da actividade cardíaca e da circulação sanguínea. Dilatam as coronárias e aumentam a tensão. Outras substâncias tiradas da giesta-das-vassouras estimulam a actividade dos músculos lisos e do útero, o que é utilizado em obstetrícia. Têm também um efeito fortemente diurético. Excesso causa colapso respiratório.

    Não é recomendado para mulheres grávidas ou pacientes com pressão alta. As doses e a frequência das administrações devem ser determinadas pelo médico.

    As flores amarelas da planta servem de matéria-prima para fabricar um corante. Os ramos secos são utilizados para fazer vassouras (daí o nome vulgar da espécie). Planta sujeita a leis de controle como erva daninha em alguns países.

    Em tempos mais remotos, antes da generalização da utilização de adubos, a giesta-das-serras era semeada, juntamente com a giesta-branca no Norte e Centro de Portugal, com o intuito de restaurar a fertilidade dos solos cultivados com cereais, pois uma das características mais frequentes nas espécies pertencentes à família das Fabaceae é a presença de pequenos nódulos nas raízes, nos quais se alojam bactérias fixadoras de azoto, sendo este processo de extrema importância para a agricultura e florestas, uma vez que conduz à independência de fertilizantes azotados.Tal como outras giestas, costumava ser utilizada no fabrico de vassouras artesanais para varrer o chão e o interior dos fornos de lenha e ainda para fazer a cama de animais. Esta última terá sido a utilização mais comum na Gesteira, sendo estas vassouras muito comuns ainda em finais do século XX.

    Cultivo:
    A giesta é um arbusto gracioso, podendo ser cultivado em jardins de inspiração campestre, contemporâneos ou mediterrâneos. Destaca-se quando plantada isolado, em renques ou em maciços. Apresenta boa capacidade de conter a erosão e melhorar a fertilidade do solo, pois é uma leguminosa. É no entanto uma planta tóxica, que contém poderosos alcalóides (esparteína e citisina), e deve ser mantida fora do alcance de crianças ou animais domésticos. Devido à rusticidade da espécie e facilidade de multiplicação, a giesta pode ser considerada planta invasora em algumas situações.

    Deve ser cultivada sob sol pleno em solos férteis, bem drenados e irrigados periodicamente. Aprecia solos arenosos e o frio mediterrâneo a subtropical. Adubações anuais na primavera estimulam um intensa floração. As podas de formação devem ser realizadas a cada dois anos e renovam a folhagem. Não tolera o calor excessivo, mas é tolerante a solos salinos e pobres, assim como curtos períodos de seca.
    Multiplica-se por sementes.

    As giestas pertencem à vasta família das Fabaceae (Leguminosae), que em Portugal se alarga por cerca de 220 espécies, onde estão incluídas, por exemplo, a luzerna (Medicago sativa), a olaia (Cercis siliquastrum), a alfarrobeira (Ceratonia siliqua), diversas espécies de codeços (Adenocarpus sp.), a carqueja (Genista tridentata ), a Acácia (Acacia sp.) e ainda outras que numa primeira observação não colocariamos na mesma família , como o feijoeiro (Phaseolus sp. ), o trevo (Trifolium sp. ), entre tantas outras espécies.


    Em inglês, a giesta-das-serras, é conhecida como Portuguese broom, em referência à sua proveniência e igualmente à sua utilização para fazer vassouras.
    Num próximo post colocarei fotos de giestas floridas e até de uma vassoura de giesta.

    terça-feira, 2 de março de 2010

    Hoje e amanhã: O primeiro Gandarês a ter a Lua nas mãos

    Fui criado na Gesteira, pelo menos até aos meus 13-14 anos, altura em que tive de cortar o cordão umbilical e ir estudar para Coimbra. No ano seguinte emigrava junto com os meus pais e irmãs para o Canadá, mais uma ruptura, mais uma aventura.

    Regressei definitivamente à terra Gandaresa em 2001, onde ainda hoje vou aos fins de semana. Mas afinal quem sou eu? Nada mais nada menos que o primeiro Gandarês a ter transportado um pedaço da Lua, a ter protegido durante dois dias um fragmento lunar de valor inestimável.

    Tudo começou em 2009, Ano Internacional da Astronomia, o Museu da Ciência da velhinha Universidade de Coimbra (no antigo Laboratório Chimico) conseguira o empréstimo, por parte da NASA, de um fragmento de rocha Lunar (sim, da Lua) para abrilhantar uma exposição relacionada com o Ano Internacional da Astronomia.

    Dada a relação da empresa onde trabalho (sem publicidade) com a Universidade e com Coimbra, bem como a vocação da empresa para a ciência, decidimos participar no evento ao garantir a recolha do pedaço da Lua, e depois o retorno do mesmo, passado 3 meses ao Johnson Space Center da NASA, em Houston.

    Depois de tratados os detalhes da viagem, enviados todos os dados necessários para fazer a recolha e aceites as condições da NASA, lá fui eu recolher o fragmento da lua aos Estados Unidos.

    Como responsável pelo transporte do “calhau” teria de ter em minha posse, durante todo o tempo, de documentos oficiais da NASA, e nunca me poderia separar do fragmento da Lua durante a viagem, e até que esta estivesse devidamente depositada num cofre do museu, foram portanto 21 horas sem dormir, Houston-Paris e depois Paris-Lisboa. Finalmente, Lisboa-Coimbra de comboio como etapa final.

    No sentido inverso, em Julho, fui de Coimbra para Lisboa de comboio, depois para Londres, e de Londres para Houston, onde quase não passava a Alfândega, não é normal andar um Gandarês com um pedaço da Lua a tentar entrar nos Estados Unidos da América! Mas lá se resolveu a questão, chamando o responsável da Alfândega.

    Lembro-me claramente da minha primeira viagem à Lua, com uns 5 anos, sentado num tronco de pinheiro, que serviu de nave espacial, nada do que se passava à minha volta importava, de tão emprenhado que estava em chegar com segurança ao satélite natural da Terra. Mas era apenas um sonho de criança. Com certeza, nessa altura, não imaginaria que hoje já teria visitado a NASA quase uma dezena de vezes... Muito menos que teria sido responsável por garantir a segurança de um fragmento da Lua e do transportar comigo durante tantas horas.

    A “pedra” em questão foi recolhida por James Irwin durante a missão Apollo 15 (26 de Julho a 7 de Agosto de 1971), considerada pela NASA a missão tripulada mais bem sucedida de sempre.
    Durante a missão Apollo 15 foi realizada uma experiência que confirmou a teoria de Galileu acerca da queda dos graves: sem o efeito da atmosfera, uma pena e um martelo largados em simultâneo atingem o solo ao mesmo tempo.

    A “pedra” é um fragmento da rocha original, que quando foi trazida para a Terra, pesava 2,672 quilogramas. A amostra é um basalto lunar, que têm cerca de 3.300 milhões de anos, mais antigos do que 98% de todas as rochas da superfície da Terra.

    Terei sido o primeiro Gesteirense, o primeiro Gandarês e quem sabe até o primeiro Português a ter tido a Lua nas mãos! A quem dou a Lua?

    Libello e paleografia

    À primeira vista, os dois tópicos deste título podem não ter muito a ver com o objectivo deste blog, mas até têm.

    Libello:

    Foi-me pedido por um amigo para transcrever um documento antigo, de 1666, dado o estado de degradação, o tipo de letras e a grafia usada na época, o estado da língua portuguesa e algumas manchas de tinta e até do tempo em si, o dito documento, era um pouco díficil de perceber.
    Tratava-se de um documento do Santo Ofício da Inquisição, de 44 páginas, que detalha todo um processo de um residente de Vila Nova de Outil, que ajudara três senhoras, cristãs-novas a fugir de Montemor-o-velho para Lisboa, fugidas desta mesma Inquisição para não serem presas por crime de Judaísmo.
    Ora nesse documento encontrei uma peça processual interessante que então se chamava o "Libello". Pesquisei um pouco mais, para perceber o que era então um "Libello".

    O libelo tratava-se de uma peça processual acusatória (pedido ou requerimento) feito pelo equivalente do Ministério Público, que tinha como intuito expor o facto criminoso, indicando o nome do réu, circunstâncias agravantes e razões que poderiam influenciar na fixação da sua pena, tendo em vista o pedido de sua condenação, não podendo obviamente divergir da pronúncia.

    LIBELO, do latim libellus, em Direito Penal é a exposição escrita e articulada do facto criminoso e de todas as suas circunstâncias, concluído pelo pedido da pena a que o réu deve ser condenado.

    Libelo pode ser também um artigo escrito com caráter satírico ou difamatório, um panfleto. Para os antigos romanos era uma declaração, atestado, certificado, solicitação, súplica, etc. - por escrito. Os primeiros jornais de que se tem conhecimento tinham um forte carácter panfletário e eram chamados de libelos.

    Paleografia:

    Quem diria que esta imagem à esquerda, de 1666, representa a palavra "Jezus"?
    Poucos, certamente.A "arte" de conseguir ler, decifrar, transcrever, textos antigos, livros, inúmeras abreviaturas, é a paleografia.

    Há cerca de um ano comecei a tentar interpretar textos deste tipo, documentos bastante danificados, registos paroquiais com 300 ou 400 anos, e tornou-se um hobby, um divertimento e até mesmo um desafio.

    Paleografia, que vem do grego Paleos (παλαιός) e Grafia (γραφή), ou Escrita Antiga, é o estudo de textos e manuscritos antigos e medievais. A paleografia estuda a origem, a forma e a evolução da escrita, em qualquer suporte físico onde foi registada.

    A imagem seguinte apresenta alguns exemplos de paleografia portuguesa antiga, ou simplemente a maneira como se escreviam as letras do alfabeto. Curioso hein?