domingo, 10 de fevereiro de 2019

Baú da Gesteira: Aventuras de um casamento azarado em 1770

Quando, na Gesteira, couto de Cadima, Manuel Rodrigues Padelho pediu Bárbara da Cruz em namoro, por volta de 1765, na presença dos pais dela, ninguém imaginaria a complicação que seria nem o destino tão atribulado e azarado desse casal.
É uma parte dessa história que conto AQUI (para quem tem Facebook) ou AQUI (para quem tem conta no Academia).

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Baú da Gesteira: A primeira epidemia de cólera na Europa (1833)

Como introdução a um trabalho que publicarei em breve, sobre o efeito da epidemia de cholera morbus, de 1833, na região Gandaresa apresento aqui apenas alguns dados preliminares.

A cólera é originária da Ásia, mais propriamente no rio Ganges (Índia), a partir do
qual se veio a espalhar pelo mundo inteiro através das rotas comerciais. Primeiro entrou na Rússia, e depois propagou-se para o resto da Europa e daqui para a América.

Os primeiros sintomas da cólera são diarreias, depois desidratação, febres altas, vómitos e dores abdominais. De seguida dá-se a queda acentuada da pressão arterial, da temperatura corporal e a morte.

Em 1835, e por causa desta epidemia, são criados oficialmente os cemitérios públicos e passa a ser proibido sepultar os mortos dentro das igrejas.

Sabe-se que a cólera chegou a Portugal, mais precisamente ao Porto, a bordo do vapor London Marchant, com o general Solignac e 200 soldados belgas, que vinham de Ostende, Bélgica, para ajudar os liberais (D. Pedro) na guerra civil (Referência: GOMES, Bernardino António. Aperçu historique sur les épidémies de choléra-morbus et de fièvre jaune en Portugal, dans les années de 1833-1865. Constantinopla: Imprimerie Centrale. 1866.).
Observou-se durante o cerco do Porto, e depois, espalhou-se pelo país. A epidemia de cólera de 1833 acabou por causar mais de quarenta mil mortos, um número mais elevado do que o da própria guerra, na altura. Depois dessa epidemia, seguiram-se mais vagas epidémicas, impulsionadas pela falta de higiene nas casas e nas ruas, pelo uso de água e alimentos contaminados e pela concentração dos doentes em pequenos espaços.

Ora, a região do couto de Cadima não fugiu a esta epidemia de 1833. Não se sabe ao certo quando a mesmo entrou no couto ou na região, mas pelos registos paroquiais pode-se ter uma ideia bastante precisa sobre as datas das primeiras mortes causadas pelo cólera.

Como exemplo vejamos o histórico de registo de óbitos para Cadima (incluia então as actuais freguesias de Cadima e da Sanguinheira):
  • 1828 - 77 óbitos
  • 1829 - 122 óbitos
  • 1820 - 55 óbitos
  • 1831 - 72 óbitos
  • 1832 - 69 óbitos
  • 1833 - 288 óbitos
  • 1834 - 102 óbitos
Quadro 1: Evolução dos Óbitos para algumas localidades (1828-1834)
Como se pode observar, em 1833 faleceram muits mais indivíduos que nos anos anteriores, de facto, morrem mais de 3 vezes e meia do que a média dos 5 anos antecedentes (79 óbitos por ano).
O incremento de falecimentos começa a observar-se em Junho de 1833 e apenas regressa ao normal em inícios de Setembro do mesmo ano. Em Cadima, o número de mortes teve o seu pico entre 2 e 12 de Agosto de 1833, quando faleceram 119 pessoas em apenas 11 dias!

Também na Gesteira o número de falecimentos aumentou drasticamente, como se pode observar no quadro seguinte. Aceitam-se teorias para algumas particularidades os dados, sobretudo o facto de na vila de Cadima (na altura sede de Concelho) apenas ter falecido 1 individuo no período de 15 de Junho a 15 de Setembro, quando em todas as outras localidades apresentadas, o número de mortes aumentou bastante.



Os valores na Gesteira, Zambujal, Fervença e Taboeira aumentaram bastante (pode aliás ver-se a discriminação do número de mortes no período mais crítico). Coloquei também os dados para Vila Nova de Outil, onde se observa o mesmo.

No entanto, para Cadima e para a Sanguinheira, os valores praticamente não mudam. Será que Cadima, sendo na altura sede de concelho, teria tomado medidas para se afastar do resto do couto? Terão impedido a restante população de entrar em Cadima? Na Sanguinheira já se observam 4 mortes, mas mesmo assim o valor total continua semelhante aos valores observados para os anos antecedentes. Curioso.

No Zambujal faleceram 42 pessoas entre 15 de Junho e 15 de Setembro de 1833, sendo, de longe, a localidade mais afectada pela epidemia (também seria a mais populosa), seguido da Fervença, com 28 óbitos (também a Fervença bastante populosa na altura).

Posteriormente adicionarei mais dados a este artigo.


sábado, 6 de outubro de 2018

Baú da Gesteira: Cadima nas notícias - séculos XIX e XX

Fiz uma recolha de notícias relacionadas com o/a couto/concelho/freguesia de Cadima desde meados do século XIX até meados do século XX. São apenas algumas notícias que falam de algumas pessoas naturais ou moradoras na região, bem como de acontecimentos, desastres, etc. Esta lista está, claramente, incompleta, e representa o que se pode encontar actualmente digitalizado on-line. No entanto, algumas notícias são muito interessantes, curiosas e valiosas para quem gosta da história da região de Cadima.

Segue a recolha de seguida:
A Freguesia de Cadima vista pela comunicação social (1843-1946)

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Baú da Gesteira: O Gesteirense que quase fugiu para o Brasil

Notícia retirada do "Diario Catholico de Portugal", de 16 de maio de 1907.

Neste jornal católico Lisboeta, na sua edição de 16 de maio de 1907 aparece uma notícia entitulada "Prisão a Bordo".

A história é de um homem, que nasceu na Gesteira em 12 de junho de 1883, chamado Manuel da Silva Moço (também denominado Manuel da Silva Quintão, na notícia).

Assinatura de Manuel da Silva aquando do seu primeiro casamento em 1905
 
Manuel era filho de José da Silva Moço e de Maria de Jesus naturais e moradores na Gesteira, neto paterno de José da Silva e de Bárbara de Jesus, e materno de Alexandre Gonçalves e de Maria de Jesus, todos da Gesteira.
Manuel da Silva casou primeiro com Maria do Espírito Santo em 7 de janeiro de 1905. Esta era filha de José Maria Camarinho e de Maria da Luza, da Quintã. No entanto, Maria do Espirito Santo viria a falecer nesse mesmo ano de 1905 a 23 de novembro, muito provavelmente por complicações pós-parto, pois tivera uma filha Maria no dia 12 de novembro, mas que viria também a falecer a 16 de novembro.
Manuel da Silva voltou a casar com uma cunhada, Amélia do Espírito Santo, de 17 anos, em 21 de abril de 1906.

Ora, segundo nos conta a notícia, o vapor "Loanda" que chegou ao Tejo no dia 15 de maio de 1907, transportava Manuel da Silva Moço que foi entregue à polícia do porto. Foi posteriormente enviado ao serviço de instrução criminal pelos soldados 149 e 45 da 3ª companhia da guarda municipal.

Manuel, tinha 23 anos, era dito natural da "Gesteira da Quinta", da freguesia de Cadeiras, concelho de Cantanhede. Aqui há dois erros na notícia, ele era natural da Gesteira e morador na Quintã, e não há freguesia de Cadeiras, mas sim Cadima.

Aparentemente, Manuel vivia na Quintã desde 1903, mais ou menos, criando um estabelecimento de fazendas, mercearia e outros artigos, tendo para isso pedido crédito a vários negociantes.
Mas o negócio não parece ter-lhe corrido sempre bem, sendo que três meses antes (talvez em fevereiro de 1907) havia chamado os seus credores que já o tinham colocado em tribunal, e vendeu os bens e algumas propriedades que tinha, tendo feito uma "phantástica venda" a um cunhado seu, por 45.000 reis. Mas não deve ter usado esse dinheiro para soldar as suas dívidas, foi antes a Coimbra, tirou o passaporte no governo civil de Coimbra, e foi depois para Lisboa onde embarcou no paquete inglês "Orissa", no dia 1 de maio de 1907, com o destino de Santos, no Brasil. Como, na altura, a polícia não tinha recebido ainda o mandato de captura, ele lá seguiu no paquete a caminho do Brasil. A polícia depois telegrafou para a polícia da Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, onde o paquete foi forçado a fazer uma escala, chegando no dia 6 de maio. Manuel da Silva foi detido, e assim esteve 6 horas até ser transferido para o paquete "Loanda", que o traria a Lisboa .


sábado, 2 de setembro de 2017

Música daqui: Fado e afins com raízes na Gesteira

A Suzi Silva, uma artista Gesteirense e internacional, acaba de lançar um novo trabalho bilingue, que acaba por ser uma mistura de Fado e Jazz.

O trabalho, gravado num estúdio em Montreal, no Canadá, inclui as seguintes obras:


1.


2.


3.


4.


5.



6.


fad'AZZ | Fado Mestiço - Amanhã | Suzi Silva




O trabalho completo pode ser apreciado em https://suzi-silva.bandcamp.com/album/fadazz

Apreciem e partilhem.

domingo, 30 de outubro de 2016

Seminário sobre Genealogia na Sanguinheira (28-10-2016) - Apresentação

A apresentação com os dados e as referências encontra-se no link seguinte:

https://drive.google.com/file/d/0B1Me2x-y-YiPZm1NeHdkMGRzU0E/view?usp=sharing

Cumprimentos,
Nuno Silva

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Seminário sobre Genealogia na Sanguinheira

Olá.
Irei administrar o 1º Seminário cultural da Junta de Freguesia da Sanguinheira no próximo dia 28 de outubro de 2016 com uma introdução à pesquisa genealógica, em particular na região Gandaresa do antigo couto de Cadima onde se integrava a actual freguesia da Sanguinheira.
O seminário ocorrerá no salão nobre da junta de freguesia da Sanguinheira, junto à igreja paroquial.

Segue o anúncio do evento. 








Ligação para o Evento no Facebook.

sábado, 2 de agosto de 2014

Flora da Gesteira: A música do pinhal

Este vídeo foi gravado no dia 27-07-2014 entre o canto da Gesteira e o Sanguinhal. Ouvem-se perfeitamente as desafinadas gralhas, um som muito característico durante os quentes e secos dias de Verão.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Baú da Gesteira: Debaixo do mar?

Portugal teve a sua dose de exploradores e cartógrafos, sobretudo no final do século XIII e no século XIV. Para apenas mencionar brevemente os cartógrafos, que foram dos melhores do seu tempo, apesar de muitos terem "emigrado" de Portugal para oferecerem os seus serviços aos reis de Espanha, Inglaterra, França e Itália, ditam-se os seguintes nomes (sem qualquer ordem cronológica ou de importância):

Apesar de todos eles terem criado mapas que foram muito importantes para registar as descobertas, orientar a navegação, planear acções, ensinar, etc, e que foram depois usados e copiados vezes sem conta, todos os mapas apresentam um mundo diferente do actual.

A costa Portuguesa, por exemplo era diferente, como também já fiz referência AQUI :).

A zona gandaresa já esteve, noutros tempos, muito provavalemente, totalmente submersa. Nos mapas de Pomponius Mela (falecido cerca de 45 antes de Cristo) a Península Ibérica e principalmente a zona da costa Portuguesa aparecem muito para o interior, indiciando que há 2000 anos atrás ele teria informação de que o mar entrava pela terra dentro (daquilo que hoje conhecemos, muito provavelmente até à zona de Cantanhede).
Há bastantes reproduções, mais ou menos fiéis, deste cartógrafo/geógrafo Romano, nomeadamente a seguinte que representa a Europa em ponto maior, o onde se pode ver o avanço do Atlântico na região da costa Portuguesa.

Mas não precisamos de recuar 2000 anos para saber de diferenças na costa. É muito provável que alterações climáticas ocorridas há pouco mais de 500 anos tenham não só contribuido para alterações dramáticas a nível de demografia (como por exemplo com a peste negra) mas também da geografia.
Na figura que segue, reconstituição da antiga costa Espinho - Cabo Mondego, de Alberto Souto  – Origens da Ria de Aveiro (Subsídio para o estudo do problema), Aveiro, Livraria João Vieira da Cunha Editora, Tipografia Minerva, 1923, identifiquei alguns locais da Gândara actual, nomeadamente as praias de Mira e da Tocha, que estavam na altura submersas, a Tocha e Mira que se econtravam na costa, e Gesteira e Cadima, a poucos Quilómetros da praia. Esta situação geográfica pode ter acontecido há apenas 1000 anos.
De facto, também no século XIV, Pietro Vesconte, um cartógrafo Genovês, tinha desenhado a costa Gandaresa com o Cabo Mondego perfeitamente identificado e muito saliente para dentro do mar, ou seja, a costa a norte estaria "invadida" pelo Atlântico.
Como diria a o Fernando Pessa: "E esa hein?"

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Flora da Gesteira: imagens e cores da Gesteira 2

Mais algumas fotos do primeiro de maio