quarta-feira, 1 de maio de 2013

Flora da Gesteira: imagens e cores da Gesteira 2

Mais algumas fotos do primeiro de maio



















Flora da Gesteira: imagens e cores da Gesteira 1

Algumas fotos tiradas hoje, 1 de maio de 2013





















sábado, 2 de março de 2013

Baú da Gesteira: Gândara 1954

Vídeo de 1954, representando cenas dos lugares de Cadima, Taboeira, Pontes, Aljuriça e Olho, realizado pelo Frei Manuel da Luz.
Como as coisas mudam. Assim era a Gândara há 60 anos atrás.
Para além do Padre Rumor e do ti-Toino Taboeira conhecem mais alguém?



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Baú da Gesteira: 6 meses depois do terramoto de 1755

Nos dias que se seguiram ao terramoto de 1755 interrogatórios ordenados pelo rei (D. José I) foram enviados para todas as freguesia do reino. Este interrogatório precedeu em cerca de 2 anos outro bem mais detalhado, preparado pelo Marquês de Pombal, e já AQUI [1] transcrito.

Estes documentos, disponibilizados na Torre do Tombo [2], são extremamente valiosos pois relatam os efeitos do terramoto poucos meses depois do acontecido. Da região de Coimbra inclui as freguesias Anceriz, Arganil, Benfeita, Celavisa, Cerdeira, Coja, Pomares, Pombeiro da Beira, São Martinho da Cortiça, Sarzedo, Secarias, Vila Cova de Alva, Anção, Bolho, Cadima, Cantanhede, Cordinhã, Murtede, Ourentã, Outil, Pocariça, Sepins, Ameal, Antanhol, Antuzede, Arzila, Assafarge, Botão, Castelo Viegas, Ceira, Cernache, Almedina, Santa Cruz, São Bartolomeu, Sé Nova, Lamarosa, São João do Campo, São Martinho de Árvore, São Silvestre, Taveiro, Torre de Vilela, Trouxemil, Vil de Matos, Anobra, Belide, Bem da Fé, Condeixa-a-Nova, Condeixa-a-Velha, Ega, Sebal, Vila Seca, Águas Belas, Alhadas, Brenda, Buarcos, Ferreira-a-Nova, Figueira da Foz, Lavos, Maiorca, Paião, Quiaios, Tavarede, Alvares, Cadafaz, Colmeal, Góis, Vila Nova de Ceira, Foz de Arouce, Serpins, Mira, Lamas, Miranda do Corvo, Rio Vide, Semide, Abrunheira, Gatões, Liceia, Meãs do Campo, Montemor-o-Velho, Santo Varão, Verride, Vila Nova da Barca, Aldeia das Dez, Alvoco das Várzeas, Avó, Bobadela, Lagares, Lagos da Beira, Lajeosa, Lourosa, Meruge, Nogueira do Cravo, Penalva de Alva, Santa Ovaia, São Gião, Travanca de Lagos, Vila Pouca da Beira, Fajão, Carvalho, Figueira de Lorvão, Friúmes, Lorvão, Paradela, Penacova, São Paio de Farinha Podre, Espinhal, Podentes, Rabaçal, Santa Eufémia, São Miguel, Alfarelos, Degracias, Gesteira, Pombalinho, Samuel, Soure, Tapéus, Vila Nova de Anços, Vinha da Rainha, Ázere, Covas, Covelo, Espariz, Midões, Mouronho, Pinheiro de Coja, São João da Boavista e Sinde.  

No caso do couto de Cadima, o pároco Manuel Rodrigues Trovão foi bastante sucinto, tendo preenchido apenas uma página que a seguir se reproduz.

Cadima: Resposta ao Questionário do Rei, 10 de Maio e 1756 [2]

A informação contida neste documento não deixa de ser muito interessante, nomeadamente:
  • o terramoto sentiu-se durante cerca de um quarto de hora, no dia 1 de Novembro, repetidamente
  • sentiu-se mais ao Sul do que a Norte
  • não causou ruinas em casas da freguesia, mas a (sumptuosa) Igreja teve alguns estragos, a Igreja precisa de reparações que o povo não pode prover por ser muito pobre
  • não morreram pessoas nesta freguesia por causa do terramoto
  • o mar transbordou em "mais de 2 tiros de espingarda" e logo voltou às suas águas
  • nesta aldeia (Cadima) abriram-se 2 bocas na areia, do tamanho do fundo de uma dorna, mas que logo se encheram da mesma areia, não surtiram fontes destas bocas
  • não se fizeram ainda reparações na Igreja, apenas suplicas ao Senhor para terminar com os terramotos (incluindo penitências e jejuns)
  • depois do primeiro terramoto ocorreram mais duas réplicas, 41 e 60 dias depois, da mesma intensidade mas menor duração
  • não há memória de outros terramotos na freguesia, composta por mais ou menos 2500 pessoas
  • não há falta de mantimentos nem incêndios 
É de notar a descrição dos estragos da (sumptuosa) Igreja, dada a importância da religião na altura:
"Nesta fregª naõ houve ruinas de casas; só sim a sumptuoza Igrª padece sentimº Sozas suas paredes levantada a Cruz do frontispicio da postura, em qe se achava antecedentem.te e cahio huã das bolas de pedra qe se achava na piramida da torre, e ameaça grande ruina a bobeda do Coro da mesma Igrª q pª se edificar depende de despeza, qe ha de exceder as forças do povo por este ser m.to pobre."

Também é muito curiosa a nota ao facto do mar ter transbordado mais de "dois tiros de espingarda" (esta medida de distância não é muito comum e pelos vistos também não é muito conhecida, mas o Professor José Carlos Vilhena Mesquita [3], por mim contactado a este respeito, estima, por alto, que se possa tratar de cerca de 1 Km).

Finalmente, obtemos mais uma informação importante que é o número de almas da freguesia em Maio de 1756: 2500.


Fontes:
[3] Blog PROMOTÓRIO da MEMÓRIA, do prof. José Carlos Vilhena Mesquita

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Hoje e Amanhã: Manuel Marques, da Gesteira

Mais um personagem bem conhecido da nossa terra, o ti-Manel Marques, residente nos Cantos da Gesteira, que eu conheço desde que nasci, e que sempre foi ali vizinho próximo da minha família.
Este artigo veio publicado no jornal "Boa Nova", de 27 de Dezembro de 2012.
Clique na imagem para a ver no tamanho normal e ler a entrevista.

Hoje e Amanhã: Entrevista ao jornal Boa Nova (14/02/2013)

Aqui vos deixo uma imagem da entrevista dada ao jornal "Boa Nova", de Cantanhede, que saiu no dia 14 de Fevereiro de 2013.
 Basta clicar na imagem para a ver em formato maior e poder ler a entrevista.


sábado, 3 de novembro de 2012

Baú da Gesteira: Nomes Antigos

Esta é uma nota sobre nomes que já existiam há cerca de mil anos cá pela nossa região (mais concretamente Coimbra - colimbriesi).

A imagem foi retirada de um testamento que está no Livro Preto da Sé de Coimbra [1]. O Livro Preto é um importante códice medieval que inclui uma série de diplomas que narram um conjunto de acontecimentos que tiveram lugar na região de Coimbra e no centro de Portugal, para além dos territórios dependentes de Coimbra. Esse livro contém acontecimentos ocorridos entre os séculos VIII e XIII.

Apesar de estar escrito em latim, e com um tipo de letra muito característico mas muito bem cuidado é possível aos leigos (como eu) entender algumas partes de alguns documentos, que na sua maioria referem a eventos antes da fundação de Portugal.

Este caso específico indica nomes da época onde reconhecemos:
- Gonçalo (Gudisaluus)
- Maranº
- Sisnando (Sisnandus)
- Domingos (Dnicus)
- Daniel (Danil)
- Pelágio (Pelagiº)
- Rodrigo (Rodricº)
- Nuno (Nunº)
- Pedro (Petrº / Petro)
- Cristóvão (Xpoforº)
- Ibn (Ibns)

Também era indicado nos testamentos a posição social/profissão das testemunhas, neste caso vemos algumas como:
- Pontífice (pontifex)
- Soldado (armari)
- Capelão (capellanº)
- Presbítero (pb'r)
- Prior (p'r)
- Diácono (diaconus/d'c)
- Subdiácono (subdiaconus)

Referências:
[1] O Livro Preto da Sé de Coimbra - Infopédia
[2] O Livro Preto da Sé de Coimbra - Digitalização da Torre do Tombo 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Baú da Gesteira: Redução de impostos para promover o desenvolvimento

A redução de impostos sempre foi a forma mais eficaz de promover o desenvolvimento, sobretudo económico, mas também social (por estranho que pareça).

Aconteceu em 24 de fevereiro de 1293:

"Mandado ao prior e convento de Santa Cruz de Coimbra, pelo qual os moradores de Cadima e de Arazede e doutros herdamentos do dito convento ficaram livres e quites dos foros e fiscos reais"


Fonte: Torre do Tombo, Leitura Nova, liv. 27 (Livro 11 da Estremadura), f. 300, coluna 2.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Baú da Gesteira: A Gândara no Numeramento de 1527-1532

O Numeramento de 1527-1532, do tempo e D. João III, é a primeira recolha sistemática e completa de dados sobre as comarcas, cidades, vilas e aldeias de Portugal e sobre a sua população.
Naquela altura, a actual região Gandaresa encontrava-se incluída na região da Estremadura.

À data do numeramento da região (1527) a região gandaresa era ainda pouco povoada, sendo quase ignorada (não referida) no dito numeramento. As referências que existem à região são referentes à vila de Mira e seu termo, à vila de Cantanhede e termo, Buarcos e Montemor-o-Velho (onde se icluía o couto de Cadima).

1. Mira

A vila de Myra
Esta vila de Mira he de Simão Tavares e tem 43 vizinhos no corpo da vila.
Titolo do seu termo: A Povoa da Irmida te 2 vizinhos. - Na Curugeira, 2. - Em Petomar, 1.
Tem de termo pera a parte de Cadima e Mõte mor o Velho hua legoa.
Parte cõ Cãtanhede e Vagos e Mõtemor. - Jorje Fernandez o esprevy. - E isto fiqa asynado por o tabeliam da dita vila, no livro que e meu poder fiqa.
Soma, 48 vizinhos.

 2. Cantanhede

 A vila de Camtanhede
Fui a vila de Camtanhede, que he de dom Jorge de Meneses, e achei aver no corpo da vila 103 vizinhos de que sam 6 escudeiros e 7 clerigos.
Titolo do seu termo: - Aldea de Lemede tem 50 vizinhos. - Aldea de Povoa da Lonba, 28. - os moinhos do Ribeiro, 9. - Aldea da Porcariça, 38. - Aldea dOurentam, 28. - A Povoa do Bispo e outras Povoas ahi junto, 16. - Aldea de Mõtarqado e Covoes e Malhada, 27.
Esta vila tem de termo pera a parte de Vagos duas legoas, e pera Ançã te legoa e mea de termo, e pera a parte da vila dAveiro tem de termo hua legoa e mea.
Parte com Aveyro e cõ as vilas de Vagos e Amçã. - Jorjer Fernandez o esprevy e o juiz de Cantanhede o asinou no livro que e meu poder fiqa.
Soma ao todo, e Cantanhede e termo, 299 vizinhos.

3. Buarcos

As vilas de Buarqos e dos Redomdos
Em Buarqos ha duas vilas, a saber; Buarqos, que he vila do cõde de Tetugel; e os Redondos, que he de Samta Cruz de Coinbra, e nõ se mete entre elas somente hua rua que as demarqa, que vai pelo meio deles e anbas jumtas. Os Redomdos [que] esta da parte de cima, tem 46 vizinhos; Buarqos que esta da parte do maar, tem 98 vizinhos.
Parte cõ ho mar e cõ termo de Mõte Mor de todas as partes. - esta eformação tomei cõ Lopo Diaz, morador e Buarqos. - Jorje Fernandez o esprevy.
Soma e anbas, 144 vizinhos.


4. Montemor-o-Velho

A vila de Mõte Mor o Velho
No dito dia atras (17 de outubro de 1527) fui eu Jorge Fernandez, esprivão, a vila de Mõte Mor o Velho, que he do Mestre de Santiago, honde cõ Vasco dOliveira, cavaleiro e almoxarife, e cõ hu tabeliam tomeir eformaçãom dos moradores e termo da dita vila, e achei o segimte: - A vila de Mõte Moor o Velho tem 496 vizinhos no corpo da vila, dos quaes sam 21 cavaleiros e 28 escudeiros e 64 viuvas, e o mais he povo; e mais ha na dita vila 7 vizinhos merqadores.
Titolo do seu termo: - As Alhadas de Baixo que tem 117 vizinhos; a jurdiçãom civel e o crime he de Monte Mor (de Santa Cruz) - O logar de Tavaredo tem 112 vizinhos e ter a jurdiçãom civel somente, ho crime he de Mõte Mor (Cabido de Coinbra) - O logar de Qyayos que he da jurdiçãom crime da dita vila, 63 vizinhos (Santa Cruz) - O logar do Louriçal que he da jurdiçãom crime de Mõte Mor, 220 (Santa Cruz) - O logar de Ulmar que he da jurdiçãom crime desta vila, 26 (Santa Cruz) - O logar dAlfarelos cõ Gravielos, 81. - O logar de Azãbujal que he da jurdiçãom crime desta vila, 25 (Santa Cruz) - Aldea de Vila Franqa, 27. - O couto de Barra, que he do mosteiro de Ceiça, 81. - O Regego de Abitoreiras, 33 - Fermoselhe, 43 (he de dom Pedro de Meneses) - O couto de Lavãos, que ha da jurdição crime desta vila e o civel he do Bispo de Coinbra, tem 64 vizinhos (Bispo de Coinbra) - o couto de Cadima, que he da jurdiçãom crime de Mõte Mor e o civel he de Santa Cruz de Coimbra (Santa Cruz) - O lugar de Sam Verão, que he do crime de Mõte Mor e o civel do Bispo de Coinbra, 24 vizinhos. (Bispo de Coibra) - Aldea de Vila Nova da Barqa, 59 - O Carvalhal, 64. - A Ribeira dos Moinhos, 69. - Aldea da Gramja, 19. - O logar de Figeiro do Canpo cõ Belida, 75. - O logar de Brenha (Brenha he jirdiçã das Alhadas) e Maiorca (he jurdiçã do civel sibre sy) tem 166 vizinhos; Maiorca he o principal (Santa Cruz) - Arazede tem 27 vizinhos (he do Bispo e de Santa Cruz, e cada hu tem seu juiz e sua parte, na jurdiçã civel) - Aldea de Brunhoos tem 24 vizinhos. - O regego das Meaãs, 52. - O logar de Verride he do crime de Mõte Mor e eles tem o civel, tem 174 vizinhos (Santa Cruz o civel e o crime dos daninhos) - O regego de Coles e Figeira e Azoyas, 57 vizinhos (Este tem Simã de Faria e nã he do Bispo) - Serra Vetoso, que he da jurdiçãom crime de Mõte Mor e do civel do Bispo de Coibra, 67 vizinhos (Bispo o civel) - Aldea de Vila Verde, 4 (he do Bispo, te o civel) - A quintã de Treixede que he de Santa Cruz de Coinbra, 1 vizinho, frade (Santa Cruz o civel).
Esta vila de Mõte Mor o Velho tem pera a parte de Coinbra hua legoa e mea de termo, e pera a parte da vila de Cãtanhede tem tre legoas de termo, e pera a banda do maar da augoa de Mira ate ao mar, que sam seis legoas grandes da banda do norte, e pera a parte das Abitueiras da parte do sul tem outras seis legoas de termo, e do vedaval tem tres legoas de termo ate Qyayos.
Parte cõ Coinbra, e cõ a vila de Tetugel e cõ Buarqos e cõ Vila Nova dAnços, e cõ termo da vila de Leiria. - Segundo fiqa por os sobreditos asinado. - Jorje Fernandez o esprevy.
Soma ao todo, 2339 vizinhos.
E neste termo atras desta vila de Monte Mor o Velho diserã os sobreditos almoxarife e tabeliam, que averia outros tantos clerigos como na vila, e mais.

 5.Outras referências próximas


Ançã e termo: 303 vizinhos
Vilarinho e termo: 34 vizinhos
Vagos e termo: 118 vizinhos
Tentúgal e termo: 318 vizinhos
Póvoa de Santa Cristina: 48 vizinhos

6. Notas Finais


Referência: Archivo Historico Portuguez, vol. V, 1907, Anselmo Braamcamp de Freire, pp. 278-282.
O número de vizinhos, no século XVI, pode não referir exactamente habitantes, no entanto para termos de comparação podemos assumir 1 vizinho = 1 habitante.

No "Archivo Historico Portuguez" de Braamcamp, não há discriminação do número de vizinhos do couto de Cadima. Deduz-se que esse valor seja 68 vizinhos. O couto de Cadima incluía então as actuais freguesias de Cadima, Sanguinheira e Tocha, sendo que 68 vizinhos é um numero muito pequeno.

Couto de Cadima em 1527: 68 vizinhos (135 km2, 0,5 viz/km2)
Equivalente do Couto de Cadima hoje: 9400 habitantes (135 km2, 69,6 hab/km2)

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Baú da Gesteira: Propriedade de Cadima em 1162

Um testamento de Março de 1162, de um conde Gonçalo que, na véspera de uma peregrinação à Terra Santa, deixa a Santa Cruz de Coimbra uma sua propriedade em Cadima.
Referência: ANTT - Livro de D. João Teotónio, folhas 62verso-63.