Mostrar mensagens com a etiqueta Cadima. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cadima. Mostrar todas as mensagens

sábado, 6 de junho de 2020

Baú da Gesteira: A gripe espanhola (pneumónica) que atacou Portugal em 1918 - Os casos de Cadima e Outil

A denominada gripe espanhola (que de espanhola nada teria) também conhecida como pneumónica que atacou o mundo em finais da I Guerra Mundial, foi a grande pandemia do século XX.

Entre 1918 e 1920 terão morrido entre 50 e 100 milhões de pessoas no mundo inteiro. Em Portugal, o número de mortes situaria-se entre as 50 e as 70 mil pessoas (numa população de aproximadamente 6 milhões para a altura).

Ora, nos Estados Unidos, onde se suspeita que a gripe pneumónica tenha "nascido" por volta de março de 1918, existiram 3 ondas da mesma, a inícial, que viria com os soldados americanos para a Europa, uma segunda a partir do Outono de 1918, e uma terceira em 1919. Morreriam mais de meio milhão de americanos durante a pandemia.
Imagem 1: As 3 ondas da pneumónica nos Estados Unidos
Por cá, em Cadima, a pneumónica (chamada de "numónica" em bom Gandarês), viria a registar-se sobretudo em 1918, e levando a um triplicar das mortes da freguesia só nesse ano.

Como se pode observar na figura seguinte, a média de óbitos em Cadima andava pelos 80 a 90 ao ano, em 1918 foram 235! Este número de óbitos representava cerca de 5,1% da população total (usando o valor de 1911 que era de 4601 habitantes).

Imagem 2: Número de óbitos na freguesia de Cadima de 1912 a 1922



Mesmo durante 1918, a gripe pneumónica terá chegado à freguesia de Cadima em Julho, tendo atingido o pico em Outubro, nesse mês faleceram 95 pessoas, tendo os dois meses seguintes registado também um aumento relativamente à média, mas depois, em Janeiro de 1919, os números regressam ao normal. Não se observou mais nenhuma onda do surto.
Imagem 3: Óbitos por mês em Cadima, 1918-1919
 As localidades mais afectadas pela pandemia foram o Zambujal, com 26 mortes, o Casal, com 19, os Fornos e a Taboeira, com 16, Cadima e a Guimara, com 13, São Silvestre, com 12, os Coelheiros e a Quintã, com 11. Curiosamente, a Gesteira, que era com o Zambujal uma das aldeias mais populosas da freguesia de Cadima, registou apenas 4 mortes em 1918, apenas 3 durante o período do surto (Julho a Dezembro). Porque teria o Zambujal sido afectado seis vezes mais do que a Gesteira?
 
Zambujal 26
Casal 19
Fornos 16
Taboeira 16
Cadima 13
Guimara 13
São Silvestre 12
Coelheiros 11
Quintã 11
Fervença 9
Aljuriça 8
Carreiros 7
Nogueiras 7
Olho 7
Azenha 6
Póvoa 6
Carvalheira 5
Escoural 5
Sanguinheira de Cima 5
Braganção 4
Feitoso 4
Gesteira 4
Lagoa Alta 4
Rodelo 4
Sanguinheira de Baixo 4
Casal dos Netos 3
Corgo do Encheiro 2
Coutada 2
Lage 2
Lombo Folar 2
Palhagueira 2
Pedras Ásperas 2
Pontes 2
Seixo 2
Taipinas 2
Corga 1
Freches 1
Grou 1
Moreiras 1
Recachos 1
Silval 1
Tavaredes 1
 Quadro 1: Número de óbitos por localidade (1918)


Em comparação, a freguesia de Outil, que registava 907 habitantes em 1911, teve uma evolução pandémica muito semelhante.
Imagem 4: Número de óbitos na freguesia de Cadima de 1912 a 1922
 O surto ceifou a primeira vítima a 2 de Agosto de 1918, mas teve o seu auge também em Outubro, tendo ceifado 52 mortes em 1918, 29 dessas mortes durante o mês de Outubro. No total, faleceram 5,8% da população (considerando os 907 habitantes de 1911).

Imagem 5: Óbitos por mês em Outil, 1918-1919

A grande curiosidade de Outil prende-se com o facto da pandemia ter afectado sobretudo a povoação de Outil, e tendo quase passado ao lado de Vila Nova. Na realidade, das 52 mortes de 1918, 38 aconteceram em Outil e apenas 14 em Vila Nova. Mais espcificamente, dos 29 falecimentos de Outubro, ocorreram 24 em Outil e apenas 5 em Vila Nova. As pessoas que faleceram em Outil eram de todas as idades, sendo que me Vila Nova faleceram sobretudo idosos, tirando 3 menores e duas mulheres trintonas, todos os restantes eram já bastante idosos. Fica a dúvida, terá Vila Nova feito um cerco sanitário em 1918? O que justifica uma letalidade tão baixa?
 
 
Fontes:
Registos Paroquiais de Cadima - Arquivo da Universidade de Coimbra.
Registos Civis de Cantanhede - Familysearch
https://www.cdc.gov/flu/pandemic-resources/1918-commemoration/three-waves.htm
https://observador.pt/2020/04/24/gripe-espanhola-foi-mais-letal-na-segunda-vaga-102-anos-depois-pode-repetir-se/
Instituto Nacional de Estatística - Recenseamentos Gerais da População

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Baú da Gesteira: Aventuras de um casamento azarado em 1770

Quando, na Gesteira, couto de Cadima, Manuel Rodrigues Padelho pediu Bárbara da Cruz em namoro, por volta de 1765, na presença dos pais dela, ninguém imaginaria a complicação que seria nem o destino tão atribulado e azarado desse casal.
É uma parte dessa história que conto AQUI (para quem tem Facebook) ou AQUI (para quem tem conta no Academia).

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Baú da Gesteira: Debaixo do mar?

Portugal teve a sua dose de exploradores e cartógrafos, sobretudo no final do século XIII e no século XIV. Para apenas mencionar brevemente os cartógrafos, que foram dos melhores do seu tempo, apesar de muitos terem "emigrado" de Portugal para oferecerem os seus serviços aos reis de Espanha, Inglaterra, França e Itália, ditam-se os seguintes nomes (sem qualquer ordem cronológica ou de importância):

Apesar de todos eles terem criado mapas que foram muito importantes para registar as descobertas, orientar a navegação, planear acções, ensinar, etc, e que foram depois usados e copiados vezes sem conta, todos os mapas apresentam um mundo diferente do actual.

A costa Portuguesa, por exemplo era diferente, como também já fiz referência AQUI :).

A zona gandaresa já esteve, noutros tempos, muito provavalemente, totalmente submersa. Nos mapas de Pomponius Mela (falecido cerca de 45 antes de Cristo) a Península Ibérica e principalmente a zona da costa Portuguesa aparecem muito para o interior, indiciando que há 2000 anos atrás ele teria informação de que o mar entrava pela terra dentro (daquilo que hoje conhecemos, muito provavelmente até à zona de Cantanhede).
Há bastantes reproduções, mais ou menos fiéis, deste cartógrafo/geógrafo Romano, nomeadamente a seguinte que representa a Europa em ponto maior, o onde se pode ver o avanço do Atlântico na região da costa Portuguesa.

Mas não precisamos de recuar 2000 anos para saber de diferenças na costa. É muito provável que alterações climáticas ocorridas há pouco mais de 500 anos tenham não só contribuido para alterações dramáticas a nível de demografia (como por exemplo com a peste negra) mas também da geografia.
Na figura que segue, reconstituição da antiga costa Espinho - Cabo Mondego, de Alberto Souto  – Origens da Ria de Aveiro (Subsídio para o estudo do problema), Aveiro, Livraria João Vieira da Cunha Editora, Tipografia Minerva, 1923, identifiquei alguns locais da Gândara actual, nomeadamente as praias de Mira e da Tocha, que estavam na altura submersas, a Tocha e Mira que se econtravam na costa, e Gesteira e Cadima, a poucos Quilómetros da praia. Esta situação geográfica pode ter acontecido há apenas 1000 anos.
De facto, também no século XIV, Pietro Vesconte, um cartógrafo Genovês, tinha desenhado a costa Gandaresa com o Cabo Mondego perfeitamente identificado e muito saliente para dentro do mar, ou seja, a costa a norte estaria "invadida" pelo Atlântico.
Como diria a o Fernando Pessa: "E esa hein?"

sábado, 2 de março de 2013

Baú da Gesteira: Gândara 1954

Vídeo de 1954, representando cenas dos lugares de Cadima, Taboeira, Pontes, Aljuriça e Olho, realizado pelo Frei Manuel da Luz.
Como as coisas mudam. Assim era a Gândara há 60 anos atrás.
Para além do Padre Rumor e do ti-Toino Taboeira conhecem mais alguém?



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Baú da Gesteira: 6 meses depois do terramoto de 1755

Nos dias que se seguiram ao terramoto de 1755 interrogatórios ordenados pelo rei (D. José I) foram enviados para todas as freguesia do reino. Este interrogatório precedeu em cerca de 2 anos outro bem mais detalhado, preparado pelo Marquês de Pombal, e já AQUI [1] transcrito.

Estes documentos, disponibilizados na Torre do Tombo [2], são extremamente valiosos pois relatam os efeitos do terramoto poucos meses depois do acontecido. Da região de Coimbra inclui as freguesias Anceriz, Arganil, Benfeita, Celavisa, Cerdeira, Coja, Pomares, Pombeiro da Beira, São Martinho da Cortiça, Sarzedo, Secarias, Vila Cova de Alva, Anção, Bolho, Cadima, Cantanhede, Cordinhã, Murtede, Ourentã, Outil, Pocariça, Sepins, Ameal, Antanhol, Antuzede, Arzila, Assafarge, Botão, Castelo Viegas, Ceira, Cernache, Almedina, Santa Cruz, São Bartolomeu, Sé Nova, Lamarosa, São João do Campo, São Martinho de Árvore, São Silvestre, Taveiro, Torre de Vilela, Trouxemil, Vil de Matos, Anobra, Belide, Bem da Fé, Condeixa-a-Nova, Condeixa-a-Velha, Ega, Sebal, Vila Seca, Águas Belas, Alhadas, Brenda, Buarcos, Ferreira-a-Nova, Figueira da Foz, Lavos, Maiorca, Paião, Quiaios, Tavarede, Alvares, Cadafaz, Colmeal, Góis, Vila Nova de Ceira, Foz de Arouce, Serpins, Mira, Lamas, Miranda do Corvo, Rio Vide, Semide, Abrunheira, Gatões, Liceia, Meãs do Campo, Montemor-o-Velho, Santo Varão, Verride, Vila Nova da Barca, Aldeia das Dez, Alvoco das Várzeas, Avó, Bobadela, Lagares, Lagos da Beira, Lajeosa, Lourosa, Meruge, Nogueira do Cravo, Penalva de Alva, Santa Ovaia, São Gião, Travanca de Lagos, Vila Pouca da Beira, Fajão, Carvalho, Figueira de Lorvão, Friúmes, Lorvão, Paradela, Penacova, São Paio de Farinha Podre, Espinhal, Podentes, Rabaçal, Santa Eufémia, São Miguel, Alfarelos, Degracias, Gesteira, Pombalinho, Samuel, Soure, Tapéus, Vila Nova de Anços, Vinha da Rainha, Ázere, Covas, Covelo, Espariz, Midões, Mouronho, Pinheiro de Coja, São João da Boavista e Sinde.  

No caso do couto de Cadima, o pároco Manuel Rodrigues Trovão foi bastante sucinto, tendo preenchido apenas uma página que a seguir se reproduz.

Cadima: Resposta ao Questionário do Rei, 10 de Maio e 1756 [2]

A informação contida neste documento não deixa de ser muito interessante, nomeadamente:
  • o terramoto sentiu-se durante cerca de um quarto de hora, no dia 1 de Novembro, repetidamente
  • sentiu-se mais ao Sul do que a Norte
  • não causou ruinas em casas da freguesia, mas a (sumptuosa) Igreja teve alguns estragos, a Igreja precisa de reparações que o povo não pode prover por ser muito pobre
  • não morreram pessoas nesta freguesia por causa do terramoto
  • o mar transbordou em "mais de 2 tiros de espingarda" e logo voltou às suas águas
  • nesta aldeia (Cadima) abriram-se 2 bocas na areia, do tamanho do fundo de uma dorna, mas que logo se encheram da mesma areia, não surtiram fontes destas bocas
  • não se fizeram ainda reparações na Igreja, apenas suplicas ao Senhor para terminar com os terramotos (incluindo penitências e jejuns)
  • depois do primeiro terramoto ocorreram mais duas réplicas, 41 e 60 dias depois, da mesma intensidade mas menor duração
  • não há memória de outros terramotos na freguesia, composta por mais ou menos 2500 pessoas
  • não há falta de mantimentos nem incêndios 
É de notar a descrição dos estragos da (sumptuosa) Igreja, dada a importância da religião na altura:
"Nesta fregª naõ houve ruinas de casas; só sim a sumptuoza Igrª padece sentimº Sozas suas paredes levantada a Cruz do frontispicio da postura, em qe se achava antecedentem.te e cahio huã das bolas de pedra qe se achava na piramida da torre, e ameaça grande ruina a bobeda do Coro da mesma Igrª q pª se edificar depende de despeza, qe ha de exceder as forças do povo por este ser m.to pobre."

Também é muito curiosa a nota ao facto do mar ter transbordado mais de "dois tiros de espingarda" (esta medida de distância não é muito comum e pelos vistos também não é muito conhecida, mas o Professor José Carlos Vilhena Mesquita [3], por mim contactado a este respeito, estima, por alto, que se possa tratar de cerca de 1 Km).

Finalmente, obtemos mais uma informação importante que é o número de almas da freguesia em Maio de 1756: 2500.


Fontes:
[3] Blog PROMOTÓRIO da MEMÓRIA, do prof. José Carlos Vilhena Mesquita

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Baú da Gesteira: Redução de impostos para promover o desenvolvimento

A redução de impostos sempre foi a forma mais eficaz de promover o desenvolvimento, sobretudo económico, mas também social (por estranho que pareça).

Aconteceu em 24 de fevereiro de 1293:

"Mandado ao prior e convento de Santa Cruz de Coimbra, pelo qual os moradores de Cadima e de Arazede e doutros herdamentos do dito convento ficaram livres e quites dos foros e fiscos reais"


Fonte: Torre do Tombo, Leitura Nova, liv. 27 (Livro 11 da Estremadura), f. 300, coluna 2.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Baú da Gesteira: A Gândara no Numeramento de 1527-1532

O Numeramento de 1527-1532, do tempo e D. João III, é a primeira recolha sistemática e completa de dados sobre as comarcas, cidades, vilas e aldeias de Portugal e sobre a sua população.
Naquela altura, a actual região Gandaresa encontrava-se incluída na região da Estremadura.

À data do numeramento da região (1527) a região gandaresa era ainda pouco povoada, sendo quase ignorada (não referida) no dito numeramento. As referências que existem à região são referentes à vila de Mira e seu termo, à vila de Cantanhede e termo, Buarcos e Montemor-o-Velho (onde se icluía o couto de Cadima).

1. Mira

A vila de Myra
Esta vila de Mira he de Simão Tavares e tem 43 vizinhos no corpo da vila.
Titolo do seu termo: A Povoa da Irmida te 2 vizinhos. - Na Curugeira, 2. - Em Petomar, 1.
Tem de termo pera a parte de Cadima e Mõte mor o Velho hua legoa.
Parte cõ Cãtanhede e Vagos e Mõtemor. - Jorje Fernandez o esprevy. - E isto fiqa asynado por o tabeliam da dita vila, no livro que e meu poder fiqa.
Soma, 48 vizinhos.

 2. Cantanhede

 A vila de Camtanhede
Fui a vila de Camtanhede, que he de dom Jorge de Meneses, e achei aver no corpo da vila 103 vizinhos de que sam 6 escudeiros e 7 clerigos.
Titolo do seu termo: - Aldea de Lemede tem 50 vizinhos. - Aldea de Povoa da Lonba, 28. - os moinhos do Ribeiro, 9. - Aldea da Porcariça, 38. - Aldea dOurentam, 28. - A Povoa do Bispo e outras Povoas ahi junto, 16. - Aldea de Mõtarqado e Covoes e Malhada, 27.
Esta vila tem de termo pera a parte de Vagos duas legoas, e pera Ançã te legoa e mea de termo, e pera a parte da vila dAveiro tem de termo hua legoa e mea.
Parte com Aveyro e cõ as vilas de Vagos e Amçã. - Jorjer Fernandez o esprevy e o juiz de Cantanhede o asinou no livro que e meu poder fiqa.
Soma ao todo, e Cantanhede e termo, 299 vizinhos.

3. Buarcos

As vilas de Buarqos e dos Redomdos
Em Buarqos ha duas vilas, a saber; Buarqos, que he vila do cõde de Tetugel; e os Redondos, que he de Samta Cruz de Coinbra, e nõ se mete entre elas somente hua rua que as demarqa, que vai pelo meio deles e anbas jumtas. Os Redomdos [que] esta da parte de cima, tem 46 vizinhos; Buarqos que esta da parte do maar, tem 98 vizinhos.
Parte cõ ho mar e cõ termo de Mõte Mor de todas as partes. - esta eformação tomei cõ Lopo Diaz, morador e Buarqos. - Jorje Fernandez o esprevy.
Soma e anbas, 144 vizinhos.


4. Montemor-o-Velho

A vila de Mõte Mor o Velho
No dito dia atras (17 de outubro de 1527) fui eu Jorge Fernandez, esprivão, a vila de Mõte Mor o Velho, que he do Mestre de Santiago, honde cõ Vasco dOliveira, cavaleiro e almoxarife, e cõ hu tabeliam tomeir eformaçãom dos moradores e termo da dita vila, e achei o segimte: - A vila de Mõte Moor o Velho tem 496 vizinhos no corpo da vila, dos quaes sam 21 cavaleiros e 28 escudeiros e 64 viuvas, e o mais he povo; e mais ha na dita vila 7 vizinhos merqadores.
Titolo do seu termo: - As Alhadas de Baixo que tem 117 vizinhos; a jurdiçãom civel e o crime he de Monte Mor (de Santa Cruz) - O logar de Tavaredo tem 112 vizinhos e ter a jurdiçãom civel somente, ho crime he de Mõte Mor (Cabido de Coinbra) - O logar de Qyayos que he da jurdiçãom crime da dita vila, 63 vizinhos (Santa Cruz) - O logar do Louriçal que he da jurdiçãom crime de Mõte Mor, 220 (Santa Cruz) - O logar de Ulmar que he da jurdiçãom crime desta vila, 26 (Santa Cruz) - O logar dAlfarelos cõ Gravielos, 81. - O logar de Azãbujal que he da jurdiçãom crime desta vila, 25 (Santa Cruz) - Aldea de Vila Franqa, 27. - O couto de Barra, que he do mosteiro de Ceiça, 81. - O Regego de Abitoreiras, 33 - Fermoselhe, 43 (he de dom Pedro de Meneses) - O couto de Lavãos, que ha da jurdição crime desta vila e o civel he do Bispo de Coinbra, tem 64 vizinhos (Bispo de Coinbra) - o couto de Cadima, que he da jurdiçãom crime de Mõte Mor e o civel he de Santa Cruz de Coimbra (Santa Cruz) - O lugar de Sam Verão, que he do crime de Mõte Mor e o civel do Bispo de Coinbra, 24 vizinhos. (Bispo de Coibra) - Aldea de Vila Nova da Barqa, 59 - O Carvalhal, 64. - A Ribeira dos Moinhos, 69. - Aldea da Gramja, 19. - O logar de Figeiro do Canpo cõ Belida, 75. - O logar de Brenha (Brenha he jirdiçã das Alhadas) e Maiorca (he jurdiçã do civel sibre sy) tem 166 vizinhos; Maiorca he o principal (Santa Cruz) - Arazede tem 27 vizinhos (he do Bispo e de Santa Cruz, e cada hu tem seu juiz e sua parte, na jurdiçã civel) - Aldea de Brunhoos tem 24 vizinhos. - O regego das Meaãs, 52. - O logar de Verride he do crime de Mõte Mor e eles tem o civel, tem 174 vizinhos (Santa Cruz o civel e o crime dos daninhos) - O regego de Coles e Figeira e Azoyas, 57 vizinhos (Este tem Simã de Faria e nã he do Bispo) - Serra Vetoso, que he da jurdiçãom crime de Mõte Mor e do civel do Bispo de Coibra, 67 vizinhos (Bispo o civel) - Aldea de Vila Verde, 4 (he do Bispo, te o civel) - A quintã de Treixede que he de Santa Cruz de Coinbra, 1 vizinho, frade (Santa Cruz o civel).
Esta vila de Mõte Mor o Velho tem pera a parte de Coinbra hua legoa e mea de termo, e pera a parte da vila de Cãtanhede tem tre legoas de termo, e pera a banda do maar da augoa de Mira ate ao mar, que sam seis legoas grandes da banda do norte, e pera a parte das Abitueiras da parte do sul tem outras seis legoas de termo, e do vedaval tem tres legoas de termo ate Qyayos.
Parte cõ Coinbra, e cõ a vila de Tetugel e cõ Buarqos e cõ Vila Nova dAnços, e cõ termo da vila de Leiria. - Segundo fiqa por os sobreditos asinado. - Jorje Fernandez o esprevy.
Soma ao todo, 2339 vizinhos.
E neste termo atras desta vila de Monte Mor o Velho diserã os sobreditos almoxarife e tabeliam, que averia outros tantos clerigos como na vila, e mais.

 5.Outras referências próximas


Ançã e termo: 303 vizinhos
Vilarinho e termo: 34 vizinhos
Vagos e termo: 118 vizinhos
Tentúgal e termo: 318 vizinhos
Póvoa de Santa Cristina: 48 vizinhos

6. Notas Finais


Referência: Archivo Historico Portuguez, vol. V, 1907, Anselmo Braamcamp de Freire, pp. 278-282.
O número de vizinhos, no século XVI, pode não referir exactamente habitantes, no entanto para termos de comparação podemos assumir 1 vizinho = 1 habitante.

No "Archivo Historico Portuguez" de Braamcamp, não há discriminação do número de vizinhos do couto de Cadima. Deduz-se que esse valor seja 68 vizinhos. O couto de Cadima incluía então as actuais freguesias de Cadima, Sanguinheira e Tocha, sendo que 68 vizinhos é um numero muito pequeno.

Couto de Cadima em 1527: 68 vizinhos (135 km2, 0,5 viz/km2)
Equivalente do Couto de Cadima hoje: 9400 habitantes (135 km2, 69,6 hab/km2)