domingo, 15 de maio de 2011

Baú da Gesteira: Os primeiros 100 anos trentinos da Gesteira

 Resumo de 100 anos de registos paroquiais de baptismo relativos à Gesteira. [1573-1673]

Primeiro registo de baptismo conhecido de pais residentes na Gesteira (ou Giesteira, na altura): 12 de Julho de 1626.


Total de crianças baptizadas durante o período de 1573 a 1673 de pais residentes na Gesteira: 28 (total de 2255 baptizados no couto de Cadima).

crianças do sexo masculinocrianças do sexo femininoilegíveis
9190

Durante esse período de 100 anos foram identificadas 84 referências ao lugar da Gesteira, sobretudo como local de residência/naturalidade dos pais dos baptizados, mas também como padrinhos desses e doutras crianças do couto.

A tabela seguinte apresenta os residentes na Gesteira, durante o período de 1573 a 1673 que foram padrinhos de crianças do couto de Cadima. O número de ocorrências apresenta uma maneira de avaliar quem eram as pessoas e famílias mais importantes na Gesteira naqueles 100 anos, por serem mais requisitados para padrinhos e madrinhas (obviamente também por serem familiares e/ou vizinhos), assim podemos distinguir as famílias Romião, Faim, Nicolau e Gomes.


No que diz respeito ao lugar de origem de crianças onde foram padrinhos residentes da Gesteira, esta deverá ser confrontada com a população existente nos diversos lugares do couto, mas também a distância desses lugares para a Gesteira.

Assim sendo, residentes da Gesteira, aparecem como padrinhos mais frequentes na própria Gesteira e na vizinha Sanguinheira.



Os padrinhos das crianças baptizadas na Gesteira durante aquele período eram moradores nas seguintes aldeias.
 


As famílias que existiam na Gesteira, e que baptizaram crianças entre 1626 a 1673 são as seguintes:
 


Para além destas famílias existiam pelo menos as famílias também mencionadas na tabela dos padrinhos originários da Gesteira (ver acima). Num período de cerca de 50 anos houve mais de 20 famílias na Gesteira, e isto numa altura embrionária da aldeia.



(Investigação a ser continuada quando o tempo o permitir)

sábado, 16 de abril de 2011

Baú da Gesteira: Curiosidades da nossa região

Esta curiosidade é sobre um antigo habitante do lugar do Rodelo, na freguesia de Cadima.

Na página 356 da Revista Universal Lisbonense - Tomo II do ano de 1842-1843 está descrita a seguinte notícia.
Transcrição:
"1520 No logar de Rodèllo, concelho de Cadima, comarca de Cantanhede - nos escreve o nosso amigo, o Sr. gonçalo Tello de Magalhães Collaço - ha um lavrador, chamado João Monteiro, de 103 annos de edade, que ainda lavra com os seus bois, lè, e escreve sem óculos, e gosa de todas as suas faculdades no melhor estado: come, e bebe bem, e anda direito e firme, como nos seus 50 annos. - Seu alimento tem sido sempre o usual de lavrador abastado. - E ainda ha poucos dias foi visto beber meio quartilho de agua-ardente em uma casa, aonde foi dar contas de um depósito: - de vinho tambem lhe não corta a cèpa."

Meio quartilho de água ardente são 0,175 litros!!!!


Pude confirmar que o dito João Monteiro faleceu em 24 de Maio de 1848, era viúvo de Maria Mendes! Se tivesse 103 anos em 1842/1843, terá falecido com 108 anos!

Um exemplo de longevidade e bom viver (ou bom beber)!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Baú da Gesteira: Os primeiros 100 anos trentinos da Taboeira


Resumo de 100 anos de registos paroquiais de baptismo relativos à Taboeira. [1573-1673]

Primeiro registo de baptismo conhecido de pais residentes na Taboeira (ou Taboeiras): 28 de Outubro de 1609.

Total de crianças baptizadas durante o período de 1573 a 1673 de pais residentes na Taboeira: 33 (total de 2255 baptizados na freguesia de Cadima).

crianças do sexo masculinocrianças do sexo femininoilegíveis
19131

Durante esse período de 100 anos foram identificadas 111 referências ao lugar da Taboeira, sobretudo como local de residência/naturalidade dos pais dos baptizados, mas também como padrinhos desses e doutras crianças do couto.

A tabela seguinte apresenta os residentes na Taboeira, durante o período de 1573 a 1673 que foram padrinhos de crianças do couto de Cadima. O número de ocorrências apresenta uma maneira de avaliar quem eram as pessoas e famílias mais importantes na Taboeira naqueles 100 anos, por serem mais requisitados para padrinhos e madrinhas, assim podemos distinguir as famílias de António Gonçalves, de Manuel Esteves e de Manuel António eram sem dúvidas as mais importantes daqueles 100 anos na Taboeira.


No que diz respeito ao lugar de origem de crianças onde foram padrinhos residentes da Taboeira, esta deverá ser confrontada com a população existente nos diversos lugares do couto, mas também a distância desses lugares para a Taboeira.

Assim sendo, residentes da Taboeira, aparecem como padrinhos mais frequentes da Fervença (bastante próxima e bastante populosa na altura), da Taboeira (das famílias importantes mencionadas anteriormente e por serem vizinhos/familiares), da Póvoa e da Guímera (também populosas na altura).
De referir que não existe qualquer padrinho ou madrinha residente na Taboeira para crianças do lugar do Zambujal, um dos mais populosos daquela época, talvez dada a distância (mais do dobro das outras localidades) e talvez também pela distância social que existia então entre os habitantes da Tabeira e lugares juntos e o Zambujal que fica nos limites do couto de Cadima, bem mais próximo de outros coutos (Outil, por exemplo) do que propriamente as localidades do couto de Cadima.

Aqui fica este artigo como pequena contribuição para o Grupo de Jovens da Taboeira, que levam a cabo um projecto interessante: "Á Descoberta das Origens da Taboeira" - ADOT.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Flora da Gesteira: Míscaros

Na Gândara, dá-se o nome de míscaros a alguns cogumelos das espécies Tricholoma, que brotam nos solos arenosos dos pinhais, geralmente após as primeiras chuvas de Outono.


Na Gesteira, durante muitos anos, os pinhais "produziam" estes cogumelos aos milhares. Hoje, já é muito dificil encontrar tais míscaros nos areais de pinho da aldeia.


Referência das Imagens: Guía de Campo de Cogumelos Silvestres, Federação dos Produtores Florestais de Portugal, Lisboa, Fevereiro de 2008.

domingo, 20 de março de 2011

Flora da Gesteira: Já cheira a primavera

A primavera já está à porta, mas já se sentem os cheiros, já se notam as cores.
Estas fotos são de 19/03/2011, de terrenos nas Cassacas, Gesteira, num maravilhoso dia de Sábado.


Até parece que nevou na Gesteira, mas a verdade é que estas Margaridas aquecem o nosso coração e lançam um cheiro delicioso no ar.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Baú da Gesteira: Chico Maricato

O Sr. Luís de Jesus, de Aljuriça, publica mensalmente uma crónica cultural denominada Catina Mundi. Catina era o nome romano da Cadima, e o nosso autor é ainda a face da casa do México em Aljuriça.

No boletim de Fevereiro o Sr. Luís de Jesus faz referência a uma personagem Gesteirense, com certeza conhecida de muitos de nós ainda:

O número de pobres que vagueavam pelas aldeias  e feiras quinzenais e mensais de Cantanhede, Arazede, Tocha, Guímera e Portomar era numeroso, recebiam tostões, boroa cheia de bolor e sobras de comida. Nas feiras não faltavam  ceguinhos badalando literatura de cordel , guiados por um moço. Como a maioria dos mendigos não tinha família, eira nem beira, dormitavam em cabanas, palhotas e casitas abandonadas. Dos pobrezinhos que conheci, vindos de várias terras gandarezas , recordo o  Chico Maricato ”o  filósofo andante” que tinha como companhia um cão rafeiro. Oriundo do lugar de Gesteira, ainda que não soubesse ler nem escrever, sabia conversar  com tino e leveza. O Chico Maricato deixou este mundo cruel a finais dos anos 90. Morreu na Praia da Tocha, junto ao mar. O seu fiel amigo permaneceu  junto do cadáver.

O ti Chico Maricato é apenas mais uma das personagens Gesteirenses que fica para a história e que representa a dualidade desta terra.

sábado, 12 de março de 2011

Baú da Gesteira: As "nossas" guerras II

Vocês sabiam que durante a II Grande Guerra a nossa aldeia teve uma pequena ligação à Guerra? Eu não sabia...
Apesar do governo português se manter "neutro" nas acções beligerantes e não participar na Segunda Guerra Mundial, houve actividades na Gesteira (e com certeza em muitos outros locais de Portugal) que contribuiram para o desenrolar da Guerra.

Soube, de fontes confiáveis, que se cozeu broa, por diversas vezes, em fornos da Gesteira, para a alimentação dos soldados Alemães.
A broa é um alimento importante não só pelo seu valor nutritivo mas também porque se mantém "fresca" durante algum tempo.
Como a broa chegava à França ou à Alemanha ainda não se sabe, mas que a broa da Gesteira foi alimentar os Alemães parece não restar dúvidas.

Parece um wikiLeaks da Gesteira ;)

Cultura: A salgadeira

Bom dia! Hoje decidi escrever sobre umas tradições particulares da nossa região, e de outros locais do nosso país.  Como tudo o que é tradição esta também está em vias de extinção, mas durante muitos anos foi prática comum nas casas gandaresas. Trata-se da salgadeira! 

A salgadeira era uma arca de madeira, normalmente construída sobre 4 pés para evitar húmidades, e com duas divisões: uma para a carne, outra para o peixe.


Como se pode ver nestas fotos (salgadeira antiga desenhada e construída por um grande carpinteiro da Gesteira, o ti Emídio Tabanez), a divisão não era equitativa. Com a tradição e hábito da matança do porco, uma grande parte (cerca de 80%) da salgadeira era reservada para a carne (sobretudo de porco) e o restante para o peixe, que apesar da proximidade do mar, era consumido em muito menos quantidade. A arca das fotos tem pouco mais de 1m de comprimento, uns 40 cm de largura, e uns 60 cm de altura. A tampa fechava por fora da arca para evitar entrada de poeiras, insectos, etc, e para fechar bem a arca.


Esta "arca frigorífica antiga", que se enchia de sal, permitia guardar a carne para consumo. O sal fazia a conserva, da mesma forma que se utilizava o toucinho derretido para se guardar febras e costelas e o azeite para conservar alguns enchidos depois de retirados do fumeiro!
 Geralmente, a disposição da carne ou do peixe era efectuada por camadas, colocando-se camadas de sal, depois camadas de carne (ou peixe), e nova camada de sal. O sal conservava, limitando a entrada de ar, secando a carne, e afastando as pragas de insectos e roedores. Esta tradição ainda durou muitos anos, pelo menos até à chegada a electricidade à Gesteira ( o que ocorreu há pouco mais de 60 anos) e apenas quando os frigoríficos e arcas frigoríficas começaram a entrar nas nossas casas.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Cultura: Origem da denominação "Aldeia"

Encontrei num livro bastante interessante, "Glossario de Vocabulos Portuguezes, Derivados das Linguas Orientaes e Africanas, Excepto a Arabe", por D. Francisco de S. Luiz, Bispo reservatario de Coimbra, livro de 1837.

Este livro apresenta mais de uma centena de páginas com uma descrição da origem de bastantes palavras portuguesas, de origens Gregas, Persas, Hebraicas, Africanas, e outras, demonstrando mais um vez a riqueza do Português.

Como a Gesteira é uma aldeia, apresento aqui a origem do vocábulo "aldeia":

Sem surpresa, a palavra "aldeia", passou da "terra dos pêssegos" (Pérsia) para o Árabe, e daí para o Português.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Baú da Gesteira: Barracos de madeira

Num dos livros que estou a ler neste momento vem um pouco da descrição da "nossa" região.
Na página 46 do livro "História de Portugal", Vol. 1: Antes de Portugal, coordenado pelo Dr. José Mattoso, Editora Estampa, vem o seguinte texto:
"Entre os povoamentos mais recentes deve destacar-se o das areias do Oeste, entre Aveiro e a Figueira da Foz, que, de início, era formado por povoações temporárias, de «barracos» de madeira, construídas e ocupadas por gentes do interior e que aí se instalavam temporariamente para a pesca de Verão; pouco a pouco foram permanecendo ao longo do ano, acabando por constituir povoações fixas, dependentes da pesca e de alguma agrícultura de sobrevivência, possibilitada pela «colonização» das areias pelos sargaços - uso tão importante e antigo que já aparece regulamentado em foros da Idade Média. A partir da década de 60, com o surto do turismo, foram transformadas em estâncias de veraneio, já sem qualquer pitoresco e pejadas de gente. De todas estas povoações, a mais importante, tanto quanto era um singular aglomerado de casas de madeira, com dois e três andares, construídos sobre estacas, como actualmente, em que delas já nada resta, é, sem dúvida, Palheiros de Mira, hoje Praia de Mira, pelo desenvolvimento que atingiu e pelo movimento que regista no Verão. No conjunto, o litoral oeste, que representa cerca de dois terços da extensão total da costa, é rectilíneo e exposto quase todo o ano aos ventos dominantes de oeste."