sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Baú da Gesteira: Escola primária da Gesteira, ano lectivo de 1982/83


A escola primária da Gesteira, situada entre os terrenos do meu avô, Emídio Tabanez, e do ti Fernando Navalhas, funciona desde os anos 60, e será encerrada em breve por falta de alunos.
Esta foto (cortesia de Foto Primavera, José Carlos R. Brás, de Vila Nova de Gaia) foi no magusto de 1982.

Por trás ainda aparecem duas tradicionais "cabanas" de palhas e quatro pinheiros grandes que hoje já não existem. Aliás, a própria escola está hoje muito mudada, com um muro vedado, e com cedro no interior do pátio.

Gostaria de colocar o nome dos meus colegas na foto, e quem sabe, por onde andam hoje, se alguém puder ajudar agradecia.

De cócoras, da esquerda para a direita:
Fernando, Henrique Vinagreiro, Nuno Silva, Paulo, ?, ?, Bacia de Castanhas, Ulisses Teixeira, Paulo, Pedro

De pé, da esquerda para a direita:
André (filho da professora), ?, Duarte Taboeira, ?, ?, Paula Navalhas, Susana, Cristina, Dulce, Bento, ?, ?, ?, ?, ?, ?, ?, Professora, Fernando Bento, ?, ?, Maria do Céu

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Flora da Gesteira: Papoilas de vermelho garrido

A flora da Gesteira é composta por largas centenas de plantas e flores, selvagens, coloridas e mais bonitas umas que as outras. Uma das principais e mais vistosas plantas que nasce nos campos e na beira dos caminhos é a papoila, papoila-brava, ou papoila-das-searas [Papaver rhoeas L.], também conhecida pelas designações de Papoila; Papoila-brava; Papoila-ordinária; Papoila-rubra; Papoila-vermelha; Papoila-vulgar; entre outros, é uma planta da família Papaveraceae .

Embora não haja muitas certezas sobre o lugar de origem da planta, há quem sustente que é originária da região do Mediterrâneo Oriental e que terá sido introduzida na Europa e noutras regiões do globo com a expansão da cultura dos cereais. Mesmo que assim seja, certo é que ela ocorre, actualmente, não só em terrenos cultivados, mas também em terrenos incultos e em pousio e não hesita em "plantar-se" à beira de estradas e caminhos. Não sei se para ver quem passa, se para exibir a sua beleza e ser vista por quem passa.
Em Portugal distribui-se por todo o Continente e pelos arquipélagos dos Açores e Madeira.
As suas pétalas são usadas em fitoterapia, geralmente sob a forma de infusão, como sedativo em situações de ansiedade e de perturbação do sono.

Na Gesteira esta planta existe e persiste, quer umas papoilas com pétalas mais alaranjadas, quer umas papoilas mais imponentes com um vermelho aveludado e garrido.
Esta planta, pela sua beleza natural, tem alimentado também crenças populares e entrou na cultura lusitana, senão vejamos, por exemplo, uma cantiga popular que se ouvia na Gesteira há uns anos atrás:

O Ti Zé da horta
foi aos agriões
ao saltar a vala
caiu-lhe os calções.

O Ti Zé da horta
foi às papoilas
ao saltar a vala
caiu-lhe as ceroulas. (ciroilas)

(Referência: http://obotanicoaprendiznaterradosespantos.blogspot.com/2010/07/papoila-das-searas-papaver-rhoeas.html)

sábado, 19 de junho de 2010

Baú da Gesteira: Registos de Baptismo (Cadima) 1573-1600 - parte II

No seguimento da mensagem anterior exponho aqui dois tipos de dados: os nomes de baptismo da época e a distribuição dos mesmo baptismos pelas aldeias que então compunham o couto de Cadima.

Nomes de Baptismo
No que diz respeito aos nomes de baptismo (com mais ou menos precisão) a sua distribuição foi a seguinte: Para as mulheres, os três nomes mais comuns eram então Maria (15%), Isabel (10%) e Catarina (6%). No caso dos homens, os três nomes mais comuns eram Francisco (9%), Manuel (8%) e António (8%).
Em cerca de 16% dos casos não me foi possível ler o nome de baptismo.

Naquele tempo, uma em cada três crianças dos sexo feminino era baptizada com o nome de Maria.

Localidades
O couto de Cadima era uma área Gandaresa muito vasta, que então englobava o que são hoje as freguesias de Cadima e da Sanguinheira. Antes de 1600 muitas das localidades que hoje existem nestas freguesias, ou não existiam, ou então tinham nomes diferentes. A lista que segue apresenta as localidades e o seu peso no que diz respeito ao número de baptizados registados entre 1573 e 1600.

As 5 aldeias do Zambujal (sobretudo denominada na altura por Azambujal), Guimera, Cadima, Casal e Fervença (denominada muitas vezes de Ribeira) representariam cerca de 80% da população do couto de Cadima. Isto sem contar com os quase 13% de registos onde não é possível ver o local de naturalidade.
Há também a registar um baptizado de uma criança que não era natural do couto (Lemede) e o nome diferente de algumas localidades que ainda hoje existem (Póvoa, Lagoa Negra, Entraguas, Aljuriça, etc.)

terça-feira, 15 de junho de 2010

Baú da Gesteira: Registos de Baptismo (Cadima) 1573-1600 - parte I

O Concílio de Trento, realizado de 1545 a 1563, foi o 19º concílio ecuménico. É considerado um dos três concílios fundamentais na Igreja Católica. Foi convocado pelo Papa Paulo III para assegurar a unidade da fé e a disciplina eclesiástica, no contexto da Reforma da Igreja Católica e a reação à divisão então vivida na Europa devido à Reforma Protestante, razão pela qual é denominado como Concílio da Contra-Reforma.

Para além de muitas decisões importantes que moldaram a igreja católica desde então, este Concílio teve especial importância para os pesquisadores de genealogia devido a uma das suas mais importantes resoluções, esta determinava que todas as crianças, para serem baptizadas na igreja católica deveriam possuir um nome cristão e um sobrenome de família, o uso de sobrenomes familiares foi então implantado definitivamente. E passou a registar-se os bapstizados, óbitos e casamentos.

Numa tentativa exaustiva de leitura dos registos paroquiais de baptismo da “antiga” freguesia de Cadima, cheguei finalmente ao ano de 1600. Apresento aqui alguns números e algumas curiosidades.
  • O primeiro registo de baptismo em Cadima foi registado a 30 de Setembro de 1573.
  • Desde essa data até ao final do ano de 1600 foram baptisadas 583 crianças (cerca de 22 crianças por ano).
  • Dessas crianças, 257 eram do sexo masculino, 231 do sexo feminino e 95 não é possível saber por ser ilegível.
  • Naquela altura não era muito comum referir o nome da mãe, dos 583 assentos de baptismo 278 não referiam o nome da mãe (quase 50%).
  • A localidade mais referida nos assentos é o Zambujal (ou Azambujal como se dominava naquela altura) com 158 baptisados.
  • O nome de baptismo mais comum é Maria, nada que nos surpreenda, com 85 baptisados.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Baú da Gesteira: Património Cultural

No seguimento do artigo sobre o “homem do corno”, vou descrever um pouco do que era vida na Gesteira há mais de 100 anos. Mais uma vez baseado no trabalho da tia Maria, e no que lhe fora contado pela minha bisavó Maria “Maranhoa”.

Segundo a minha bisavó, nascida em 1890, a Gesteira tinha ainda poucas casas no século XIX. Ela ficou orfã muito jovem e foi adoptada por um casal já idoso da Gesteira. Este casal criou a minha bisavó e contaram-lhe que havia muitas Giestas no local, e que grande parte do solo não era cultivado (era baldio). Os Gesteireses começaram a cercar e cultivar os terrenos, bem como a construir novas habitações.

Nessa altura cultivavam linho, e fiavam com teares manuais, faziam cmisas de linho largas e muito soltas, que lhes serviam de túnicas ou vestido, apertando-as com um colete até à cintura.

Este seria o traje dos mais jovens, que naquela altura passavam o tempo a guardar ovelhas até cerca dos 18 anos.

Os trabalhadores daquela época usavam camisas de pano crú. Os mais idosos usavam camisas de riscado, ceroulas de pano cru, e barrete. As senhoras vestiam blusas e saias de riscado, lenço e chapéu.

Traje domingueiro de homem: camisa de cabecilho, calças de burel e gabão.

Traje domingueiro de mulher: blusa de chita, saia de burel e tricanas.

Já então frequentavam os bailes, que ocorriam em casas particulares, ao toque de flautas, e mais tarde ao toque de pequenas consertinas, também conhecidas por “sanfonas”.

Nesses bailes, danaçava-se então a farrapeira, o rodízio, o verde-gaio, o vira, etc.

Farrapeira cantada pela minha bisavó:
Farrapeira velha balseada, valha Deus como ela é.
Faz fugir as velhas todas, lá pró canto da chaminé.
Chamaste-me farrapeira, eu não vivo de farrapos.
Tenho aqui uma saia nova, toda cheia de buracos.


No vira havia sempre um par de voluntários que cantavam ao desafio (normalmente um cantador e uma cantadeira), os pais da minha bisavó faziam parte destes animadores de festas.

Já exisitam também as festas tradicionais dos santos populares, nos lugares vizinhos, onde as pessoas íam levando a merenda, o vinho da região, geralmente transportado num corno de animal bovino, tratado e com uma correia para facilitar o transporte. E daqui surge a história do “homem do corno”.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Obrigado

Já lá vão 4 meses que iniciei este espaço. Já cá estão 22 artigos. Já cá se receberam 1000 visitas. A todos os que têm acompanhado o blog, e que me têm dado incentivo para continuar, queria deixar o meu Muito Obrigado! Voltem sempre e deixem também a vossa marca.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Hoje e amanhã: Entrevista ao jornal Independente de Cantanhede

Em 2009 a Lua veio a Portugal, pelas minhas mãos. Fiquei com uma história para contar e recontar às gerações actuais e vindouras.


Em 5 de maio de 2010 saiu no jornal Independente de Cantanhede uma entrevista sobre esta e outras aventuras da minha vida, um homem com raízes na Gesteira (entrevista de abril de 2010).


Essa entrevista pode ser consultada aqui: Gandarês teve a lua nas mãos

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Baú da Gesteira: Cantador ao desafio

Em conversa com a minha tia descobri que ela tinha feito um trabalho sobre a Gesteira, e como era a vida na aldeia há muitos anos, bem como o "património cultural" da nossa terra e da nossa gente.
Apresento hoje aqui uma parte desse trabalho, que trata de um "famoso" cantador, natural da Gesteira, e que, pelos vistos, tinha queda para o ofício.
O dito cantador, foi uma vez ao São Tomé de Mira, com o seu "corno" às costas (onde levava a sua pinga), e passando perto de um tocador e de uma cantadeira, foi interpelado pela cantadeira:

"Oh homem do corno, diga-me de onde vem, para onde vai.
Diga-me se os tem de sua lavrança, ou se os herdou de sua mãe ou de seu pai."

Ora, esta senhora estava longe de imaginar que o nosso herói era rápido e implacável na resposta, e respondeu-lhe cantando:

"Não os tenho de minha lavrança, nem os herdei de minha mãe nem de meu pai.
Herdei-os de seu marido, que eles de maduros também caem!"

O nosso cantador, não deixou dúvidas sobre quem tinha mais queda para a desgarrada.

Um grande obrigado à tia Maria por mais esta preciosidade sobre a nossa terra e sobre a nossa gente!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Baú da Gesteira: Quando a Gândara era pequenina

Todos sabemos que a terra sofre mudanças constantemente, que o que conhecemos hoje foi diferente ontem, e será ainda mais diferente amanhã.

Como já aqui apresentei alguns fósseis marinhos encontrados na Gesteira, é natural acreditar que esta região foi outrora coberta por mares, e habitada por seres marinhos.
Estou a ler com muito interesse e curiosidade a obra "A Gândara Antiga" do Dr. João Reigota, e uma das coisas que me cativou logo a atenção foi o facto de ele referir que a costa da Beira-Litoral, tem sofrido grandes mudanças mesmo em "curtos" espaços de tempo.
O que apresento de seguida são alguns mapas que demonstram estas alterações, e bastaria recuar cerca de 800 anos para que a costa fosse quase aqui ao lado, mais ou menos onde se encontram hoje Vagos, Mira e a Tocha, ou seja, entre 7 a 10 Km mais para o interior.
Por essa altura, a Gândara, pequenina, teria quase menos 10 Km de largura, de alto a baixo.

Os 3 primeiros mapas são de 1560, 1700 e 1810 respectivamente.

A Descrição atual e precisa de Portugal, antiga Lusitânia, por Fernando Alvarez Seco (1560)







Novo Mapa Mostrando as Explorações Espanholas e Portuguesas com Observações dos Mais Engenhosos Geógrafos da Espanha e Portugal (1700)







Mapa da Espanha e de Portugal, Corrigido e Ampliado a partir do Mapa Publicado por D. Tomas Lopez (1810)








Ampliando apenas a região das costas Gandaresas, podemos ver mais em detalhe alguma evolução da costa desta região, no mínimo nos últimos 500 anos. Se tivermos em mente onde se encontra hoje a costa, podemos identificar povoações muito mais próximas da costa, mesmo sabendo que estes mapas não tinham a precisão dos mapas dos nossos dias.
Em 1560, podemos ver que a região de Aveiro tinha várias ilhas e que a foz do rio Mondego era muito mais larga, com alguns ilhéus também no seu leito. A costa em si também parece um pouco recuada.









No mapa de 1700, pode-se ver uma ilha grande junto à foz do Mondego, e vários "montes" junto à costa, nomeadamente na zona da Tocha.




Cem anos depois a costa já apresentava os contornos semelhantes aos da costa de hoje e evoluíra a arte de desenhar mapas.





De acordo com mapas e informações apresentados no livro "A Gândara Antiga", de João Reigota, fiz uma dedução do que teria sido a costa Gandaresa por volta de 1200, ou seja há 800 anos atrás. A parte amarelada no mapa estaria ocupada pelo Atlântico, a ria de Aveiro estaria recuada, o Mondego era um rio muito mais largo e de grande caudal, bem como todas as ribeiras da região. Por essa altura, ainda não são conhecidas referências à zona da actual Gesteira, mas já existindo habitação no local de Cadima por exemplo, a Gesteira não distaria muito mais de 5 km do mar. Pode-se ver no mapa a localização da Tocha e da Gesteira. Se cá estivessemos poderíamos ir à praia a pé...

Flora da Gesteira: Estrela-da-Tarde (Oenothera)

Sempre me impressionou esta flor de um amarelo garrido, com pétalas aveludadas, e que abria a partir da tarde, parecendo intimamente ligada à Lua pois à noite mantinha-se aberta e feliz a namorar galhardamente o astro da noite!
Demorei algum tempo a descobrir o nome e origem desta planta que se encontra em muita quantidade na Gesteira e regiões próximas, nos quintais e à beira das estradas.

Nome científico: Oenothera biennis L.

Nomes populares: prímula, onográcea, estrela-da-tarde e erva-dos-burros ou ‘evening primrose’ (nome originado do facto das suas flores se abrirem ao entardecer). Também conhecida por onagra, zécora, canárias; evening primrose (inglês), onagra (espanhol), onagre (francês), onagracee (italiano) e nachtkerze (alemão). Em inglês também é conhecida por Fever plant, Field primrose, King's cure-all, Night willow-herb, Scabish, Scurvish.

Origem: América do Norte.

Detalhes
: Da América do Norte a planta foi trazida para Inglaterra em 1619, onde ficou conhecida como "King’s Cure-all". O seu cultivo expandiu-se pela Europa e Ásia. É uma planta herbácea anual ou bianual, de caule robusto, folhas largas e longas, flores grandes e amarelas. O fruto é uma cápsula que contém numerosas sementes.

Composição química
: Ácido gamalinolénico (GLA), fitosterol, onoterina, taninos, compostos flavónicos, mucilagens, ácido palmítico, ácido esteárico, ácido oléico, beta-sistosterol e citrstadieno.

Propriedades medicinais
: adstringente, antialérgica, antiinflamatória, activadora dos linfócitos T, demulcente, emoliente, inibidora da síntese de prolactina, reguladora da circulação sanguínea e reguladora do tônus muscular.

Indicações
: cólica, diarréia, reações alérgicas de pele, asma, dor, dor peitoral, eczema,
colesterol, esclerose múltipla, dor de nervo causada por diabete, feridas, nervosismo, psoríase, síndrome pré-menstrual, tosse, tosse asmática. O óleo da planta serve também para combater os sintomas de tensão pré-menstrual (TPM), redução das dores de artrite reumatóide, tratamento de disfunções na pele, tratamento e prevenção de doenças cardíacas, alergias, esclerose múltipla, depressão e hiperatividade.

Nota: Não se aconselha a sua utilização de forma alguma sem consulta médica prévia.
O ácido gamalinolénico (GLA) extraído do óleo da planta é normalmente produzido pelo organismo humano pela conversão do ácido linoléico ingerido pela alimentação. No entanto, alguns factores como o stress, colesterol elevado, diabetes, insuficiência hepática e alguns medicamentos, entre outros, inibem essa formação, o que pode acarretar distúrbios no organismo, como aumentar a agregação plaquetária e levar a inflamações, má produção de prolactina, má regulação do tônus muscular e aumentar a susceptibilidade a doenças cardíacas.

Esta curiosa planta parece portanto uma planta quase milagrosa, não admira o nome que os Ingleses lhe deram ("cura tudo"). Devendo ter sido difundida a partir de Inglaterra depois de 1619 para o resto da Europa.

A planta em si apresenta vários botões, sendo que todos os dias um desses botões abre com uma espantosa e quase florescente cor amarela, e com um cheiro frutado muito forte e agradável. Como já foi referido a estrela-da-tarde floresce mais à tarde e mantém-se aberta durante a noite, dando um colorido especial à noite. No dia seguinte, o botão seguinte abrirá, e a flor da tarde/noite anterior murcha e fica com uma cor alanranjada.

Curioso, não?