sexta-feira, 4 de junho de 2010
Obrigado
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Hoje e amanhã: Entrevista ao jornal Independente de Cantanhede
Em 2009 a Lua veio a Portugal, pelas minhas mãos. Fiquei com uma história para contar e recontar às gerações actuais e vindouras.Em 5 de maio de 2010 saiu no jornal Independente de Cantanhede uma entrevista sobre esta e outras aventuras da minha vida, um homem com raízes na Gesteira (entrevista de abril de 2010).
Essa entrevista pode ser consultada aqui: Gandarês teve a lua nas mãos
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Baú da Gesteira: Cantador ao desafio
Apresento hoje aqui uma parte desse trabalho, que trata de um "famoso" cantador, natural da Gesteira, e que, pelos vistos, tinha queda para o ofício.
O dito cantador, foi uma vez ao São Tomé de Mira, com o seu "corno" às costas (onde levava a sua pinga), e passando perto de um tocador e de uma cantadeira, foi interpelado pela cantadeira:"Oh homem do corno, diga-me de onde vem, para onde vai.
Diga-me se os tem de sua lavrança, ou se os herdou de sua mãe ou de seu pai."
Ora, esta senhora estava longe de imaginar que o nosso herói era rápido e implacável na resposta, e respondeu-lhe cantando:
"Não os tenho de minha lavrança, nem os herdei de minha mãe nem de meu pai.
Herdei-os de seu marido, que eles de maduros também caem!"
O nosso cantador, não deixou dúvidas sobre quem tinha mais queda para a desgarrada.
Um grande obrigado à tia Maria por mais esta preciosidade sobre a nossa terra e sobre a nossa gente!
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Baú da Gesteira: Quando a Gândara era pequenina
Como já aqui apresentei alguns fósseis marinhos encontrados na Gesteira, é natural acreditar que esta região foi outrora coberta por mares, e habitada por seres marinhos.
Estou a ler com muito interesse e curiosidade a obra "A Gândara Antiga" do Dr. João Reigota, e uma das coisas que me cativou logo a atenção foi o facto de ele referir que a costa da Beira-Litoral, tem sofrido grandes mudanças mesmo em "curtos" espaços de tempo.
O que apresento de seguida são alguns mapas que demonstram estas alterações, e bastaria recuar cerca de 800 anos para que a costa fosse quase aqui ao lado, mais ou menos onde se encontram hoje Vagos, Mira e a Tocha, ou seja, entre 7 a 10 Km mais para o interior.
Por essa altura, a Gândara, pequenina, teria quase menos 10 Km de largura, de alto a baixo.
Os 3 primeiros mapas são de 1560, 1700 e 1810 respectivamente.
A Descrição atual e precisa de Portugal, antiga Lusitânia, por Fernando Alvarez Seco (1560)
Novo Mapa Mostrando as Explorações Espanholas e Portuguesas com Observações dos Mais Engenhosos Geógrafos da Espanha e Portugal (1700)
Mapa da Espanha e de Portugal, Corrigido e Ampliado a partir do Mapa Publicado por D. Tomas Lopez (1810)Ampliando apenas a região das costas Gandaresas, podemos ver mais em detalhe alguma evolução da costa desta região, no mínimo nos últimos 500 anos. Se tivermos em mente onde se encontra hoje a costa, podemos identificar povoações muito mais próximas da costa, mesmo sabendo que estes mapas não tinham a precisão dos mapas dos nossos dias.
Em 1560, podemos ver que a região de Aveiro tinha várias ilhas e que a foz do rio Mondego era muito mais larga, com alguns ilhéus também no seu leito. A costa em si também parece um pouco recuada.
No mapa de 1700, pode-se ver uma ilha grande junto à foz do Mondego, e vários "montes" junto à costa, nomeadamente na zona da Tocha.
Cem anos depois a costa já apresentava os contornos semelhantes aos da costa de hoje e evoluíra a arte de desenhar mapas.De acordo com mapas e informações apresentados no livro "A Gândara Antiga", de João Reigota, fiz uma dedução do que teria sido a costa Gandaresa por volta de 1200, ou seja há 800 anos atrás. A parte amarelada no mapa estaria ocupada pelo Atlântico, a ria de Aveiro estaria recuada, o Mondego era um rio muito mais largo e de grande caudal, bem como todas as ribeiras da região. Por essa altura, ainda não são conhecidas referências à zona da actual Gesteira, mas já existindo habitação no local de Cadima por exemplo, a Gesteira não distaria muito mais de 5 km do mar. Pode-se ver no mapa a localização da Tocha e da Gesteira. Se cá estivessemos poderíamos ir à praia a pé...
Flora da Gesteira: Estrela-da-Tarde (Oenothera)
Sempre me impressionou esta flor de um amarelo garrido, com pétalas aveludadas, e que abria a partir da tarde, parecendo intimamente ligada à Lua pois à noite mantinha-se aberta e feliz a namorar galhardamente o astro da noite!Demorei algum tempo a descobrir o nome e origem desta planta que se encontra em muita quantidade na Gesteira e regiões próximas, nos quintais e à beira das estradas.
Nome científico: Oenothera biennis L.

Nomes populares: prímula, onográcea, estrela-da-tarde e erva-dos-burros ou ‘evening primrose’ (nome originado do facto das suas flores se abrirem ao entardecer). Também conhecida por onagra, zécora, canárias; evening primrose (inglês), onagra (espanhol), onagre (francês), onagracee (italiano) e nachtkerze (alemão). Em inglês também é conhecida por Fever plant, Field primrose, King's cure-all, Night willow-herb, Scabish, Scurvish.
Origem: América do Norte.
Detalhes: Da América do Norte a planta foi trazida para Inglaterra em 1619, onde ficou conhecida como "King’s Cure-all". O seu cultivo expandiu-se pela Europa e Ásia. É uma planta herbácea anual ou bianual, de caule robusto, folhas largas e longas, flores grandes e amarelas. O fruto é uma cápsula que contém numerosas sementes.
Composição química: Ácido gamalinolénico (GLA), fitosterol, onoterina, taninos, compostos flavónicos, mucilagens, ácido palmítico, ácido esteárico, ácido oléico, beta-sistosterol e citrstadieno.
Propriedades medicinais: adstringente, antialérgica, antiinflamatória, activadora dos linfócitos T, demulcente, emoliente, inibidora da síntese de prolactina, reguladora da circulação sanguínea e reguladora do tônus muscular.
Indicações: cólica, diarréia, reações alérgicas de pele, asma, dor, dor peitoral, eczema,
colesterol, esclerose múltipla, dor de nervo causada por diabete, feridas, nervosismo, psoríase, síndrome pré-menstrual, tosse, tosse asmática. O óleo da planta serve também para combater os sintomas de tensão pré-menstrual (TPM), redução das dores de artrite reumatóide, tratamento de disfunções na pele, tratamento e prevenção de doenças cardíacas, alergias, esclerose múltipla, depressão e hiperatividade.
Nota: Não se aconselha a sua utilização de forma alguma sem consulta médica prévia.
O ácido gamalinolénico (GLA) extraído do óleo da planta é normalmente produzido pelo organismo humano pela conversão do ácido linoléico ingerido pela alimentação. No entanto, alguns factores como o stress, colesterol elevado, diabetes, insuficiência hepática e alguns medicamentos, entre outros, inibem essa formação, o que pode acarretar distúrbios no organismo, como aumentar a agregação plaquetária e levar a inflamações, má produção de prolactina, má regulação do tônus muscular e aumentar a susceptibilidade a doenças cardíacas.Esta curiosa planta parece portanto uma planta quase milagrosa, não admira o nome que os Ingleses lhe deram ("cura tudo"). Devendo ter sido difundida a partir de Inglaterra depois de 1619 para o resto da Europa.
A planta em si apresenta vários botões, sendo que todos os dias um desses botões abre com uma espantosa e quase florescente cor amarela, e com um cheiro frutado muito forte e agradável. Como já foi referido a estrela-da-tarde floresce mais à tarde e mantém-se aberta durante a noite, dando um colorido especial à noite. No dia seguinte, o botão seguinte abrirá, e a flor da tarde/noite anterior murcha e fica com uma cor alanranjada.
Curioso, não?
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Baú da Gesteira: Fósseis da nossa terra
Os fósseis em questão são marinhos e remontam à Era Mesozóica, Período Cretácico, mais concretamente ao início do Cretácico superior. Neste intervalo da história da Terra, há cerca de 98 milhões de anos, o nível da superfície dos oceanos atingiu cerca de 200 a 250 m acima da sua cota actual, submergindo vastas áreas marginais e do interior dos continentes. A actual Europa estava reduzida a um conjunto de ilhas, entre as quais a Ibéria. Onde estão hoje a Estremadura e a Beira Litoral existia uma vasta plataforma marinha com condições tropicais e inúmeros recifes. Os seus vestígios encontram-se entre os paralelos de Aveiro e de Lisboa, incluindo a Gândara e a Bairrada. Nestas regiões observam-se pequenos afloramentos, como os da Tocha, Mamarrosa, Enxofães, Lapa e Barcouço-Pisão. Consistem em calcários e margas fossilíferos.

As primeiras fotos mostram um molde interno de Tylostoma ovatum, um gastrópode ou búzio marinho.
Este fóssil, foi encontrado nos anos 80 do século passado, numa área de pinhal a norte da Gesteira, estando na altura incluído numa rocha maior, da qual eu o retirei danificando um pouco o fóssil como se pode verificar pelas fotos.
Os outros fósseis representam duas valvas de moluscos bivalves, parentes dos mexilhões actuais. A grande é um excelente exemplar de Pseudoptera anómala e a pequena um Septifer lineatus.
Estes foram fotografados recentemente numa "pedra" de cerca de 1m de comprimento por 20cm de largura, retiradas da terra há menos tempo aquando da abertura de um poço, também na parte norte da Gesteira. Esta "pedra" foi retirada de uma profundidade que não chegava aos 10 m.
Estas "descobertas" demonstram que esta região foi outrora coberta por um Oceano, e com imensas criaturas marinhas, a foto anterior mostra uma enorme quantidade de bivalves, e estado esta enterrada a menos de 10 metros de profundidade, poderá imaginar-se que estes últimos 95 milhões de anos trouxeram não só o recuo do Oceano, mas também uma acumulação de cerca de 10 metros de sedimentos, areias, argilas, e o óbvio aparecimento de rochas e fósseis que foram "conservados" desde então. Esta é a minha pequena conclusão de leigo, fica aqui lançado o desafio para a discussão e apresentação de mais fósseis da Gesteira e região.
Hoje e amanhã: Gesteira vence 9º campeonato de Futsal da freguesia da Sanguinheira
Gesteira venceu campeonato de Futsal da Freguesia
A Gesteira, terminando o campeonato com 17 pontos, 2 pontos a mais que a Palhagueira, foi a justa vencedora deste que acabou por ser o tricampeonato para a nossa terra. Ao fim de 9 edições, é a primeira vez que há "tri" no campeonato de Futsal organizado pela Freguesia da Sanguinheira.
Os resultados da última jornada foram:
Sanguinheira 1 - Palhagueira 0
Pedras Ásperas 2 - Casal dos Netos 1
Gesteira 8 - Grou 0
Com estes resultados, sobretudo a vitória da Sanguinheira sobre a Palhagueira que até então ocupava o primeiro lugar, e com a goleada da Gesteira sobre o Grou, a classificação geral e final passou a ser:
1º Gesteira 17 pontos
2º Palhagueira 15 pontos
3º Sanguinheira 13 pontos
4º Pedras Ásperas 13 pontos
5º Moita 10 pontos
6º Casal dos Netos 8 pontos
7º Grou 8 pontos
Em 2011 haverá mais um campeonato e a Gesteira será então, de novo, o alvo a abater.
Parabéns a todas as aldeias participantes pelo equilibrado campeonato, e parabéns especiais à Gesteira por mais uma conquista.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Gastronomia: Favas à gandaresa
Os principais ingredientes são favas da Gesteira, fresquinhas, acabadas de colher e de debulhar, batatas novas, também elas recentemente extraídas das areias da Gesteira, e outros ingredientes acessórios como são as carnes de porco, ou as ramas de alho. As favas e batatas são cozinhadas separadamente, e as carnes depois de fritas são misturadas, ou "caldeadas" às favas e às batatas para espalhar um pouco da gordura.
Como estas eram as primeiras favas da época (a 24 de abril de 2010), tive de repetir a dose para matar o desejo e a necessidade desta refeição tão calórica e apetitosa!
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Hoje e amanhã: Mais um satélite com dedo Gesteirense
Por muito importantes que sejam as nossas raízes e o nosso passado, sobretudo para nos percebermos a nós próprios, mais importante ainda é aquilo que aspiramos ser e aquilo que efetivamente seremos.
"Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", concluiu Lavoisier no século XVIII. Não concordo com tudo, pois hoje conseguimos criar tanta coisa virtualmente, somos criadores natos, mesmo, por vezes, não criando nada concreto.
Assim foi com a Gesteira, que se transformou ao longo dos séculos, de uma região fértil em ribeiros, córregos, lagoas e abundante vegetação de arbustos, para o que é hoje, praticamente sem esses elementos, restam-nos as memórias.
Assim acontece com este nosso planeta, por vezes tão mal tratado por nós, à beira de crises sociais e de alterações climáticas que poderão ser irreversíveis.
É nesse contexto que foi definida e levada avante a missão Cryosat, e mais tarde Cryosat-2, para poder estudar a fundo e com dados muito precisos, as alterações das extensões de gelo do nosso planeta (calotes polares, gelo marítimo, gelos sazonais, etc).
Esta entrevista para a TV NET apresenta apenas mais uma contribuição onde um Gesteirense esteve envolvido.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Baú da Gesteira: Morte em 1642
"Aos dezaseis dias de dezembro de 642 falleceo Mª [Maria] Fr.ca [Francisca] m.er [mulher] de João Simões o Romião da Gesteira não fes testamento far-seha por sua alma o Costumado da igreija. João Fr.co [Francisco] Mont-ro [Monteiro]"
Referência: Arquivo da Universidade de Coimbra, Óbitos da freguesia de Cadima 1609-1766.
Esta Maria Francisca é a mesma que em 1626 deu à luz a primeira criança cujo nascimento foi registado na Gesteira. Em 1642, o seu filho João tinha 16 anos, e já havia mais habitantes na Gesteira, no mínimo a família de Manoel Jorge, sua mulher Izabel Antónia e seus filhos.
sábado, 3 de abril de 2010
Baú da Gesteira: No longínquo ano de 1626
"Aos doze dias do mes de Julho de mil seis centos e vinte e seis annos bautizei João fº [filho] de João Simões e Mª [Maria] Fr.ca [Francisca] m.res [moradores] na Gesteira. Forão padrinhos Pº [Pedro] Jorge o Neto m.or [morador] na Ribª [Ribeira] e Isabel Glz [Gonçalves] a Aguda molher de Pº [Pedro] Frz [Fernandes] da Ribª [Ribeira]."
Referência: Arquivo da Universidade de Coimbra, Baptismos da freguesia de Cadima 1573-1719.
Este assento demonstra que a aldeia já era ocupada há pelo menos 383 anos, as principais aldeias da freguesia naquela altura eram: Cadima, Zambujal, Guimara, Casal, Póvoa e Ribeira [Fervença].
quinta-feira, 1 de abril de 2010
Hoje e amanhã: Ainda o Gandarês da Lua, ou a Lua do Gandarês
A TVI esperou-me no aeroporto de Lisboa, tal era o interesse que uma amostra Lunar tinha. E com mais sono que vontade de falar lá lhes (vos) mostrei a preciosa "pedra".
domingo, 14 de março de 2010
Baú da Gesteira: 1823 na Gesteira ...
Primeiro procurei a relação entre o Jozé Teixeira e a minha família, mas ainda não encontrei, apenas que o terreno da escritura do post anterior pode ter sido herdado pela minha bisavó, Maria de Jezus, mas ainda não descobri porquê, apenas se sabe que ela herdou dos "Maranhões" da Gesteira, que, ao que parece não tiveram filhos.
Ora, para o ano de 1823 apenas existem registos de baptismo, não existe registos de óbito nem de casamento. Da análise desses registos de óbito posso afirmar o seguinte:
- Em 1823 baptizaram-se 111 crianças na freguesia de Cadima
- Dessas 111 crianças 9 eram da Gesteira (8%)
- No ano de 1823 nasceram também 111 crianças na freguesia de Cadima, e 9 na Gesteira.
- Maria, filha de Joaquim de Oliveira e de Thereza da Conceição
- Jozé, filho de Francisco Gomes e de Estofania Maria
- Izabel, filha de João Gomes Netto e de Maria da Cruz
- Jozé, filho de Jozé Francisco Rolo e de Maria Teixeira
- António, filho de Jozé Teixeira dos Ramos e de Izabel Maria
- Maria, filha de António dos Santos e de Maria de Oliveira
- Maria, filha de pai incerto, e de mãe também orfã
- Anna, filha de Gaspar Teixeira e de Anna Rodrigues
- Anna, filha de Joaquim da Silva e de Maria Teixeira
- Falecimento de Maria do Santos, em 18 de Agosto de 1833, mulher de Jozé Teixeira da Gesteira
- Falecimento de Jozé, em 28 de Novembro de 1833, menor de idade, exposto em casa de Jozé Teixeira (ou Maria dos Santos) da Gesteira
- Falecimento de Jozé Teixeira, em 9 de Maio de 1835, da Gesteira
- Falecimento de Maria, em 6 de Janeiro de 1837, menor de idade, filha de Jozé Teixeira e de Izabel
Nota: "exposto" era um dos nomes dados a crianças abandonadas, ou de pais desconhecidos.
(A continuar)
sexta-feira, 12 de março de 2010
Baú da Gesteira: Venda de terreno em 1823
Em Agosto de 1823, António Teixeira, viúvo, morador na Sanguinheira, vende um terreno "no mato" chamado a terra do Carreiro ou Carreira, a Jozé Teixeira. Este terreno fica na Sequilha, na parte norte da Gesteira. Ao que parece o próprio Jozé Teixeira já possuía um terreno a nascente (Este) deste, e para poente (Oeste) o terreno pertencia a Manoel de Oliveira Batata. O terreno em causa foi vendido por 700 Reis.
A transcrição que pude fazer desta escritura é a seguinte:
«Por este e a meu hoge feito por mim asignado comfeso eu Antonio Theixeira viuvo morador na Sanguinheira de Cima deste couto de Cadima termo da vila de Montemor o novo que he verdade que eu de minha propria e livre vontade e sem comtrangimento de pesoa alguma que para isto me obriguase nem demovese vendi e como de feito tenho vendido de hoje para todo o sempre a Joze Theixeira e a sua mulher moradores na Gesteira do mesmo couto e termo acima dito a saber lhe vendi tudo que me pertence no mato chamado a terra do carreiro no citio da Sequilha que parte da nacente com erdeiros do mesmo e mulher e do poem com erdeiros de Manoel de Oliveira Batata isto lhe vendi em preço certo e decretado de setecentos Reis os coais recebi eu vendedor da mam dos ditos compradores e por este lhe dou toda pose e dominio com emtradas e seis das novas e velhas para estes e seus erdeiros que por eles vierem como eu o tenho posuido e por isto asim ser quero que este valha em juizo e fora dele como se fose huma escritura e para esta venda fazer boa obrigo ? pesoa e bens asim ? como de mais assidos e futuros e por isto ser verdade pedi e hajuiza Joze Jorge da Cruz da Sanguinheira que este por mim fizese e comigo? asignase sendo mais ? que prezente estava no fazer deste Manoel de Oliveira Brado o moço feito hoje 3 de agosto de 1823 as. De Antonio Theixeira vendedor De Manoel de Oliveira tª
Eu Joze Jorge da Cruz este fis como tª asignei»
quinta-feira, 11 de março de 2010
Baú da Gesteira: Passaporte da Gesteira com quase 200 anos
Esta relíquia, de Jozé Teixeira, morador da Gesteira no ano de 1823, supostamente relacionado com a minha família, foi-me mostrada pelo meu primo Manuel (http://blog-do-manel.blogspot.com/). É um passaporte para que o dito Jozé Teixeira se possa deslocar livremente por Portugal sem ser considerado fugitivo. Este documento foi guardado e conservado pela minha bisavó Maria de Jesus, também conhecida na Gesteira por Maria Maranhoa.
A transcrição possível do documento é a seguinte:
«Pasaporte
Joze Francisco de Noronha juiz ordinario das pessoas que serve neste couto de Cadima. Faço saber que deste couto e lugar da Gesteira parte Joze Teixeira cazado idade de trinta anos Travalhador de Inxada o qual parte para as partes de Lisboa a travalhar com enxada vai vestido (linha ilegível na dobra)gavão? cara comprida olhos castanhos pouca barba cabello acastanhado e para que lhe não ponha impedimento lhe mandei pasar o prezente que lheva para por tempo de trez mezes. Dado Trasado neste coutto de Cadima aos 27 de Maio de 1823.? Joaquim de ? ? ? ? ?Joze Francisco de NoronhaAsine ? E NadaNoronha»
Tirando algumas partes que são ilegíveis, nomeadamente uma das dobras, dá para ver que o juíz do couto de Cadima passava o documento para o Jozé Teixeira ir trabalhar para Lisboa durante 3 meses, fazendo inclusive uma descrição física da pessoa.
(a continuar)
terça-feira, 9 de março de 2010
Flora da Gesteira: Era uma vez uma giesta
Como já aqui escrevi, a pesquisa sobre a génese do nome da aldeia ainda será longa, no entanto não é difícil perceber que o nome se deve à vegetação então existente na zona, as giestas. Já encontrei nalguns registos de baptismo muito antigos o nome de Giesteira ou Gyesteira.
Aqui apresento algumas fotos recentes de giestas ainda sem floração, bem como uma descrição do tipo de giestas mais comuns na região.
* Nome Científico: Cytisus scoparius
* Nome Popular: Giesta, Giesteira
* Família: Fabaceae (Leguminosae)
* Divisão: Angiospermae
* Origem: Península Ibérica e Ilhas Canárias
* Ciclo de Vida: Perene
* Época de Floração: Abril a Junho
* Distribuição em Portugal: Todo o território
Cytisus scoparius - Giesteira ou Giesta das Vassouras
Cytisus scoparius é nativo em brejos, solos não cultivados e bosques na Europa; é uma planta familiar tanto no estado selvagem como em cultivos. O nome Cytisus vem do grego "kytisos", termo usado antigamente para descrever várias leguminosas lenhosas e scoparius vem do latim "scopa", vassoura. O nome comum desta planta em inglês é mesmo "broom", ou seja, vassoura.
Cytisus scoparius é um arbusto com ramos verdes e angulosos, apresentando diminutas folhas alternas e trímeras. Na parte superior dos ramos, flores solitárias amarelas que são hermafroditas, parecidas com as de ervilhas, aparecem na axila das folhas durante o verão. O fruto é uma vagem avermelhada.
Toda a planta é tóxica. As folhas são lanceoladas ou lineares, pequenas, afiladas e esparsas. É uma planta xerófita, com folhas adaptadas para reduzir a perda de água por transpiração. Para compensar a redução nas folhas, os ramos também apresentam função fotossintética.
A giesta-das-vassouras cresce nas encostas ensolaradas, na orla das florestas, frequentemente formando matagais.
No entanto, muitas vezes não resiste ao frio no clima centro-europeu. Foi no século passado que as suas virtudes medicinais começaram a ser intensivamente exploradas. Seus usos medicinais estão listados em todos herbários europeus mais antigos, sob denominação de "Planta genista" da qual a Real casa britânica de Plantagenet tirou seu nome.
Propriedades Naturais:
Todas as partes da planta têm interesse farmacêutico: flores, cimeiras, sementes, raízes, mas são mais frequentemente colhidas as cimeiras.
As partes mais tenras dos caules são cortadas à mão, postas a secar à sombra, cortadas depois em fragmentos mais pequenos. Entre as substâncias activas, a mais importante é o alcalóide esparteína que afecta o coração e nervos de modo semelhante ao "curare". A giesta-das-vassouras contém igualmente glicosídeos, taninos, óleos essenciais, sucos amargos. É uma erva amarga, narcótica que deprime a respiração, regula a acção do coração e tem efeitos diurético e purgativo.
A forte toxicidade da planta leva a que raramente seja usada em medicina popular: serve principalmente de matéria-prima que permite isolar as diferentes substâncias activas. Os remédios à base de esparteína são prescritos em casos de perturbações da actividade cardíaca e da circulação sanguínea. Dilatam as coronárias e aumentam a tensão. Outras substâncias tiradas da giesta-das-vassouras estimulam a actividade dos músculos lisos e do útero, o que é utilizado em obstetrícia. Têm também um efeito fortemente diurético. Excesso causa colapso respiratório.
Não é recomendado para mulheres grávidas ou pacientes com pressão alta. As doses e a frequência das administrações devem ser determinadas pelo médico.
As flores amarelas da planta servem de matéria-prima para fabricar um corante. Os ramos secos são utilizados para fazer vassouras (daí o nome vulgar da espécie). Planta sujeita a leis de controle como erva daninha em alguns países.
Em tempos mais remotos, antes da generalização da utilização de adubos, a giesta-das-serras era semeada, juntamente com a giesta-branca no Norte e Centro de Portugal, com o intuito de restaurar a fertilidade dos solos cultivados com cereais, pois uma das características mais frequentes nas espécies pertencentes à família das Fabaceae é a presença de pequenos nódulos nas raízes, nos quais se alojam bactérias fixadoras de azoto, sendo este processo de extrema importância para a agricultura e florestas, uma vez que conduz à independência de fertilizantes azotados.Tal como outras giestas, costumava ser utilizada no fabrico de vassouras artesanais para varrer o chão e o interior dos fornos de lenha e ainda para fazer a cama de animais. Esta última terá sido a utilização mais comum na Gesteira, sendo estas vassouras muito comuns ainda em finais do século XX.
Cultivo:A giesta é um arbusto gracioso, podendo ser cultivado em jardins de inspiração campestre, contemporâneos ou mediterrâneos. Destaca-se quando plantada isolado, em renques ou em maciços. Apresenta boa capacidade de conter a erosão e melhorar a fertilidade do solo, pois é uma leguminosa. É no entanto uma planta tóxica, que contém poderosos alcalóides (esparteína e citisina), e deve ser mantida fora do alcance de crianças ou animais domésticos. Devido à rusticidade da espécie e facilidade de multiplicação, a giesta pode ser considerada planta invasora em algumas situações.
Deve ser cultivada sob sol pleno em solos férteis, bem drenados e irrigados periodicamente. Aprecia solos arenosos e o frio mediterrâneo a subtropical. Adubações anuais na primavera estimulam um intensa floração. As podas de formação devem ser realizadas a cada dois anos e renovam a folhagem. Não tolera o calor excessivo, mas é tolerante a solos salinos e pobres, assim como curtos períodos de seca.
Multiplica-se por sementes.
As giestas pertencem à vasta família das Fabaceae (Leguminosae), que em Portugal se alarga por cerca de 220 espécies, onde estão incluídas, por exemplo, a luzerna (Medicago sativa), a olaia (Cercis siliquastrum), a alfarrobeira (Ceratonia siliqua), diversas espécies de codeços (Adenocarpus sp.), a carqueja (Genista tridentata ), a Acácia (Acacia sp.) e ainda outras que numa primeira observação não colocariamos na mesma família , como o feijoeiro (Phaseolus sp. ), o trevo (Trifolium sp. ), entre tantas outras espécies.
Em inglês, a giesta-das-serras, é conhecida como Portuguese broom, em referência à sua proveniência e igualmente à sua utilização para fazer vassouras.
Num próximo post colocarei fotos de giestas floridas e até de uma vassoura de giesta.
terça-feira, 2 de março de 2010
Hoje e amanhã: O primeiro Gandarês a ter a Lua nas mãos
Regressei definitivamente à terra Gandaresa em 2001, onde ainda hoje vou aos fins de semana. Mas afinal quem sou eu? Nada mais nada menos que o primeiro Gandarês a ter transportado um pedaço da Lua, a ter protegido durante dois dias um fragmento lunar de valor inestimável.
Tudo começou em 2009, Ano Internacional da Astronomia, o Museu da Ciência da velhinha Universidade de Coimbra (no antigo Laboratório Chimico) conseguira o empréstimo, por parte da NASA, de um fragmento de rocha Lunar (sim, da Lua) para abrilhantar uma exposição relacionada com o Ano Internacional da Astronomia.
Dada a relação da empresa onde trabalho (sem publicidade) com a Universidade e com Coimbra, bem como a vocação da empresa para a ciência, decidimos participar no evento ao garantir a recolha do pedaço da Lua, e depois o retorno do mesmo, passado 3 meses ao Johnson Space Center da NASA, em Houston.
Depois de tratados os detalhes da viagem, enviados todos os dados necessários para fazer a recolha e aceites as condições da NASA, lá fui eu recolher o fragmento da lua aos Estados Unidos.
Como responsável pelo transporte do “calhau” teria de ter em minha posse, durante todo o tempo, de documentos oficiais da NASA, e nunca me poderia separar do fragmento da Lua durante a viagem, e até que esta estivesse devidamente depositada num cofre do museu, foram portanto 21 horas sem dormir, Houston-Paris e depois Paris-Lisboa. Finalmente, Lisboa-Coimbra de comboio como etapa final.
No sentido inverso, em Julho, fui de Coimbra para Lisboa de comboio, depois para Londres, e de Londres para Houston, onde quase não passava a Alfândega, não é normal andar um Gandarês com um pedaço da Lua a tentar entrar nos Estados Unidos da América! Mas lá se resolveu a questão, chamando o responsável da Alfândega.
Lembro-me claramente da minha primeira viagem à Lua, com uns 5 anos, sentado num tronco de pinheiro, que serviu de nave espacial, nada do que se passava à minha volta importava, de tão emprenhado que estava em chegar com segurança ao satélite natural da Terra. Mas era apenas um sonho de criança. Com certeza, nessa altura, não imaginaria que hoje já teria visitado a NASA quase uma dezena de vezes... Muito menos que teria sido responsável por garantir a segurança de um fragmento da Lua e do transportar comigo durante tantas horas.
A “pedra” em questão foi recolhida por James Irwin durante a missão Apollo 15 (26 de Julho a 7 de Agosto de 1971), considerada pela NASA a missão tripulada mais bem sucedida de sempre.
Durante a missão Apollo 15 foi realizada uma experiência que confirmou a teoria de Galileu acerca da queda dos graves: sem o efeito da atmosfera, uma pena e um martelo largados em simultâneo atingem o solo ao mesmo tempo.
A “pedra” é um fragmento da rocha original, que quando foi trazida para a Terra, pesava 2,672 quilogramas. A amostra é um basalto lunar, que têm cerca de 3.300 milhões de anos, mais antigos do que 98% de todas as rochas da superfície da Terra.
Terei sido o primeiro Gesteirense, o primeiro Gandarês e quem sabe até o primeiro Português a ter tido a Lua nas mãos! A quem dou a Lua?
Libello e paleografia
Libello:
Foi-me pedido por um amigo para transcrever um documento antigo, de 1666, dado o estado de degradação, o tipo de letras e a grafia usada na época, o estado da língua portuguesa e algumas manchas de tinta e até do tempo em si, o dito documento, era um pouco díficil de perceber.
Tratava-se de um documento do Santo Ofício da Inquisição, de 44 páginas, que detalha todo um processo de um residente de Vila Nova de Outil, que ajudara três senhoras, cristãs-novas a fugir de Montemor-o-velho para Lisboa, fugidas desta mesma Inquisição para não serem presas por crime de Judaísmo.
Ora nesse documento encontrei uma peça processual interessante que então se chamava o "Libello". Pesquisei um pouco mais, para perceber o que era então um "Libello".
O libelo tratava-se de uma peça processual acusatória (pedido ou requerimento) feito pelo equivalente do Ministério Público, que tinha como intuito expor o facto criminoso, indicando o nome do réu, circunstâncias agravantes e razões que poderiam influenciar na fixação da sua pena, tendo em vista o pedido de sua condenação, não podendo obviamente divergir da pronúncia.
LIBELO, do latim libellus, em Direito Penal é a exposição escrita e articulada do facto criminoso e de todas as suas circunstâncias, concluído pelo pedido da pena a que o réu deve ser condenado.
Libelo pode ser também um artigo escrito com caráter satírico ou difamatório, um panfleto. Para os antigos romanos era uma declaração, atestado, certificado, solicitação, súplica, etc. - por escrito. Os primeiros jornais de que se tem conhecimento tinham um forte carácter panfletário e eram chamados de libelos.
Paleografia:
Poucos, certamente.A "arte" de conseguir ler, decifrar, transcrever, textos antigos, livros, inúmeras abreviaturas, é a paleografia.
Há cerca de um ano comecei a tentar interpretar textos deste tipo, documentos bastante danificados, registos paroquiais com 300 ou 400 anos, e tornou-se um hobby, um divertimento e até mesmo um desafio.
Paleografia, que vem do grego Paleos (παλαιός) e Grafia (γραφή), ou Escrita Antiga, é o estudo de textos e manuscritos antigos e medievais. A paleografia estuda a origem, a forma e a evolução da escrita, em qualquer suporte físico onde foi registada.
A imagem seguinte apresenta alguns exemplos de paleografia portuguesa antiga, ou simplemente a maneira como se escreviam as letras do alfabeto. Curioso hein?
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Gesteira: Caracterização
Exibir mapa ampliado
Como o prometido é devido, aqui vai.
Localização:
A Gesteira faz parte da freguesia da Sanguinheira, concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra. Fica portanto situada na região da Beira Litoral, na Gândara, distando 30 km de Coimbra, 10 Km de Cantanhede e cerca de 10 Km do Oceano Atlântico. As coordenadas da aldeia são 40,33 Norte, 8,70 Oeste. A extensão da aldeia é de aproximadamente 4 Km2.
Demografia:
A aldeia, que pertenceu à freguesia de Cadima até 1986 (ano em que a Sanguinheira passou a ser freguesia), tem hoje cerca de 80 casas, com perto de 250 habitantes, sendo a mais populosa aldeia da freguesia da Sanguinheira. Tendo uma mistura de população envelhecida e população jovem que tem cada vez mais tendência para se instalar nas cidades próximas. A aldeia tem uma larga diáspora de emigrantes espalhados pelo mundo, principalmente: França, Suiça, Luxemburgo, Brasil, Canada.
Origens:
Quanto às origens da aldeia, pouco se sabe ainda, mas em 1695 já a aldeia teria quase 50 habitantes, o nome deverá ter origem numa extensão que giestas que outrora existiram na zona, aliás, encontram-se documentos do século XVII onde a aldeia é denominada de Giesteira. Muitas vezes a Gesteira foi também associada a algumas áreas agrícolas envolventes sem grande importância populacional, como são a Sequilha (conhecida popularmente como Esquilha) e o Sanguinhal (conhecido popularmente como Sanhal), esta última chegou a ser uma área com alguns moínhos e casas onde viveram algumas famílias no século XVIII.
Economia:
A aldeia sempre dependeu muito das extensões agrícolas, tendo actualmente uma dezena de pequenas empresas nos sectores primário, secundário e terciário. A principal ocupação dos habitantes continua, no entanto, a ser a agricultura, e em muitos casos ainda, a agricultura de subsistência.
A Gesteira possui ainda algumas extensões de pinhal, de onde os resineiros já extraíram muita resina. Houve também até há uns 20 anos atrás algumas extensões de laranjais que forneciam alguns comerciantes da região centro. As culturas mais comuns nas suas terras de areia clara e leve são principalmente: milho, batata e feijão. Pecuária e produção de leite são também uma actividade muito comum.
Pontos de interesse:
Os “pontos de interesse” da aldeia são a escola primária (na parte norte), a fonte (junto à escola primária) e umas alminhas que ficam no centro da aldeia. Existem ainda algumas casas com cerca de 100 anos na aldeia, e que apresentam um pouco da arquitectura habitacional da região.
A escola EB1 da Gesteira (http://www.eb1-gesteira.rcts.pt), cosntruída em 1960, deverá cessar operações em 2012 dado o limitado número de alunos.
A aldeia tem também um pequeno café na rua Principal (outrora operado pela saudosa Ti Vénia) e outro na parte sul da aldeia na rua Bairro Novo. Havia, até há cerca de 20 anos, duas ordenhas na aldeia, que foram abandonadas e a recolha de leite faz-se actualmente num posto de recolha no centro da aldeia. Existe também uma pequena ribeira que nasce na fonte e que é alimentada por pequenos olhos de água perto da fonte, mas que tem um caudal muito reduzido. Esta ribeira, correndo para norte, chegou outrora a percorrer a Sequilha e misturar-se com a água dos Olhos da Fervença.
PS: comentários, sugestões e correcções são muito bem vindas para poder melhorar esta recolha de informação, que representa a minha visão pessoal da aldeia. Obrigado! Última actualização Fevereiro de 2010.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Afinal o que se passava na Gesteira em 1758?
1. Registos de Baptismo
Em 1758 registaram-se 86 baptismos na igreja de Cadima (pelo menos mais uma criança foi baptizada em casa por nascer fraca).
Nesse ano, a Gesteira viu nascer 11 crianças (mais a tal baptizada em casa):
- Florência : filha de João Francisco Teixeira e Caetana Maria
- Barbara : filha de Manoel Cardozo e Maria de Oliveira
- Jozé : filho de Manoel Francisco Rolo o mosso e Eugénia Maria
- Joaquina: filha de Manoel Francisco Cazadinho e Paula Maria
- Joaquina : filha de Manoel Mendes e Maria Jozepha
- Maria : filha de Manoel Neto e Maria Antónia
- Jozé : filho de Manoel Jorge Teixeira e Izabel Maria
- João : filho de João Faim e Maria Francisca
- Izabel : filho de Sebastião Francisco e Barbara Maria
- Ana : filha de António Cardozo e Marcelina dos Santos
- Maria : filha de Domingos Francisco e Maria do Espírito Santo
2. Registos de Casamento
Em 1758, registaram-se 18 casamentos na igreja de Cadima.
Três desses casamentos com pessoas naturais e/ou moradoras na Gesteira.
Um desses casamentos foi entre Fernando Gomes dos Santos (natural de Vila Nova de Outil) e Caetana Maria (natural da Gesteira) - o pai do noivo, Manoel Gomes Catarruxo (de Vila Nova de Outil) morreu na Gesteira 11 dias depois do casamento do filho.
3. Registos de Óbito
4. ResumoRegistaram-se 28 óbitos na freguesia de Cadima em 1758.
4 óbitos na Gesteira:
- Manoel Gomes Catarruxo, natural de Vila Nova, morreu 11 dias depois do casamento do filho
- Jozé menor, filho de Manoel Francisco Rollo
- criança menor (baptizada em casa), filho de Jozé Ribeiro
- Maria Gomes esposa que fora de Francisco António
A Gesteira representava em 1758 cerca de 13% dos baptismos, 17% dos casamentos e 14% dos óbitos da freguesia de Cadima.
A própria freguesia apresentava um saldo demográfico positivo (86 nascimentos - 28 mortes = 58), sendo que a Gesteira apresentava também um saldo demográfico positivo (11 nascimentos - 4 óbitos = 7).
Pode-se concluir que existiam mais de 12 famílias na Gesteira por volta de 1758, o que pode indicar que o número de 50 habitantes indicado pelo pároco ao inquérito do Marquês de Pombal devia pecar por omissão no caso da Gesteira.(Assim que o tempo o permitir vou avançar com mais análises deste tipo)




