sexta-feira, 14 de maio de 2010

Flora da Gesteira: Estrela-da-Tarde (Oenothera)

Sempre me impressionou esta flor de um amarelo garrido, com pétalas aveludadas, e que abria a partir da tarde, parecendo intimamente ligada à Lua pois à noite mantinha-se aberta e feliz a namorar galhardamente o astro da noite!
Demorei algum tempo a descobrir o nome e origem desta planta que se encontra em muita quantidade na Gesteira e regiões próximas, nos quintais e à beira das estradas.

Nome científico: Oenothera biennis L.

Nomes populares: prímula, onográcea, estrela-da-tarde e erva-dos-burros ou ‘evening primrose’ (nome originado do facto das suas flores se abrirem ao entardecer). Também conhecida por onagra, zécora, canárias; evening primrose (inglês), onagra (espanhol), onagre (francês), onagracee (italiano) e nachtkerze (alemão). Em inglês também é conhecida por Fever plant, Field primrose, King's cure-all, Night willow-herb, Scabish, Scurvish.

Origem: América do Norte.

Detalhes
: Da América do Norte a planta foi trazida para Inglaterra em 1619, onde ficou conhecida como "King’s Cure-all". O seu cultivo expandiu-se pela Europa e Ásia. É uma planta herbácea anual ou bianual, de caule robusto, folhas largas e longas, flores grandes e amarelas. O fruto é uma cápsula que contém numerosas sementes.

Composição química
: Ácido gamalinolénico (GLA), fitosterol, onoterina, taninos, compostos flavónicos, mucilagens, ácido palmítico, ácido esteárico, ácido oléico, beta-sistosterol e citrstadieno.

Propriedades medicinais
: adstringente, antialérgica, antiinflamatória, activadora dos linfócitos T, demulcente, emoliente, inibidora da síntese de prolactina, reguladora da circulação sanguínea e reguladora do tônus muscular.

Indicações
: cólica, diarréia, reações alérgicas de pele, asma, dor, dor peitoral, eczema,
colesterol, esclerose múltipla, dor de nervo causada por diabete, feridas, nervosismo, psoríase, síndrome pré-menstrual, tosse, tosse asmática. O óleo da planta serve também para combater os sintomas de tensão pré-menstrual (TPM), redução das dores de artrite reumatóide, tratamento de disfunções na pele, tratamento e prevenção de doenças cardíacas, alergias, esclerose múltipla, depressão e hiperatividade.

Nota: Não se aconselha a sua utilização de forma alguma sem consulta médica prévia.
O ácido gamalinolénico (GLA) extraído do óleo da planta é normalmente produzido pelo organismo humano pela conversão do ácido linoléico ingerido pela alimentação. No entanto, alguns factores como o stress, colesterol elevado, diabetes, insuficiência hepática e alguns medicamentos, entre outros, inibem essa formação, o que pode acarretar distúrbios no organismo, como aumentar a agregação plaquetária e levar a inflamações, má produção de prolactina, má regulação do tônus muscular e aumentar a susceptibilidade a doenças cardíacas.

Esta curiosa planta parece portanto uma planta quase milagrosa, não admira o nome que os Ingleses lhe deram ("cura tudo"). Devendo ter sido difundida a partir de Inglaterra depois de 1619 para o resto da Europa.

A planta em si apresenta vários botões, sendo que todos os dias um desses botões abre com uma espantosa e quase florescente cor amarela, e com um cheiro frutado muito forte e agradável. Como já foi referido a estrela-da-tarde floresce mais à tarde e mantém-se aberta durante a noite, dando um colorido especial à noite. No dia seguinte, o botão seguinte abrirá, e a flor da tarde/noite anterior murcha e fica com uma cor alanranjada.

Curioso, não?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Baú da Gesteira: Fósseis da nossa terra

Este tópico é um pouco diferente, e com a preciosa ajuda dos professores Pedro Callapez e João Oliveira da Universidade de Coimbra e do site fossil.uc.pt, consigo aqui relatar informações mais precisas sobre alguns fósseis encontrados em terras da Gesteira.

Os fósseis em questão são marinhos e remontam à Era Mesozóica, Período Cretácico, mais concretamente ao início do Cretácico superior. Neste intervalo da história da Terra, há cerca de 98 milhões de anos, o nível da superfície dos oceanos atingiu cerca de 200 a 250 m acima da sua cota actual, submergindo vastas áreas marginais e do interior dos continentes. A actual Europa estava reduzida a um conjunto de ilhas, entre as quais a Ibéria. Onde estão hoje a Estremadura e a Beira Litoral existia uma vasta plataforma marinha com condições tropicais e inúmeros recifes. Os seus vestígios encontram-se entre os paralelos de Aveiro e de Lisboa, incluindo a Gândara e a Bairrada. Nestas regiões observam-se pequenos afloramentos, como os da Tocha, Mamarrosa, Enxofães, Lapa e Barcouço-Pisão. Consistem em calcários e margas fossilíferos.

As primeiras fotos mostram um molde interno de Tylostoma ovatum, um gastrópode ou búzio marinho.

Este fóssil, foi encontrado nos anos 80 do século passado, numa área de pinhal a norte da Gesteira, estando na altura incluído numa rocha maior, da qual eu o retirei danificando um pouco o fóssil como se pode verificar pelas fotos.


Os outros fósseis representam duas valvas de moluscos bivalves, parentes dos mexilhões actuais. A grande é um excelente exemplar de Pseudoptera anómala e a pequena um Septifer lineatus.

Estes foram fotografados recentemente numa "pedra" de cerca de 1m de comprimento por 20cm de largura, retiradas da terra há menos tempo aquando da abertura de um poço, também na parte norte da Gesteira. Esta "pedra" foi retirada de uma profundidade que não chegava aos 10 m.

Estas "descobertas" demonstram que esta região foi outrora coberta por um Oceano, e com imensas criaturas marinhas, a foto anterior mostra uma enorme quantidade de bivalves, e estado esta enterrada a menos de 10 metros de profundidade, poderá imaginar-se que estes últimos 95 milhões de anos trouxeram não só o recuo do Oceano, mas também uma acumulação de cerca de 10 metros de sedimentos, areias, argilas, e o óbvio aparecimento de rochas e fósseis que foram "conservados" desde então. Esta é a minha pequena conclusão de leigo, fica aqui lançado o desafio para a discussão e apresentação de mais fósseis da Gesteira e região.

Hoje e amanhã: Gesteira vence 9º campeonato de Futsal da freguesia da Sanguinheira

(in Jornal Independente de Cantanhede)

Gesteira venceu campeonato de Futsal da Freguesia

A Gesteira, terminando o campeonato com 17 pontos, 2 pontos a mais que a Palhagueira, foi a justa vencedora deste que acabou por ser o tricampeonato para a nossa terra. Ao fim de 9 edições, é a primeira vez que há "tri" no campeonato de Futsal organizado pela Freguesia da Sanguinheira.

Os resultados da última jornada foram:
Sanguinheira 1 - Palhagueira 0
Pedras Ásperas 2 - Casal dos Netos 1
Gesteira 8 - Grou 0

Com estes resultados, sobretudo a vitória da Sanguinheira sobre a Palhagueira que até então ocupava o primeiro lugar, e com a goleada da Gesteira sobre o Grou, a classificação geral e final passou a ser:

1º Gesteira 17 pontos
2º Palhagueira 15 pontos
3º Sanguinheira 13 pontos
4º Pedras Ásperas 13 pontos
5º Moita 10 pontos
6º Casal dos Netos 8 pontos
7º Grou 8 pontos

Em 2011 haverá mais um campeonato e a Gesteira será então, de novo, o alvo a abater.

Parabéns a todas as aldeias participantes pelo equilibrado campeonato, e parabéns especiais à Gesteira por mais uma conquista.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Gastronomia: Favas à gandaresa

Este é sem dúvida um dos meus pratos favoritos. Um dos pratos típicos desta região!
Os principais ingredientes são favas da Gesteira, fresquinhas, acabadas de colher e de debulhar, batatas novas, também elas recentemente extraídas das areias da Gesteira, e outros ingredientes acessórios como são as carnes de porco, ou as ramas de alho. As favas e batatas são cozinhadas separadamente, e as carnes depois de fritas são misturadas, ou "caldeadas" às favas e às batatas para espalhar um pouco da gordura.
Como estas eram as primeiras favas da época (a 24 de abril de 2010), tive de repetir a dose para matar o desejo e a necessidade desta refeição tão calórica e apetitosa!

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Hoje e amanhã: Mais um satélite com dedo Gesteirense

Bom dia!

Por muito importantes que sejam as nossas raízes e o nosso passado, sobretudo para nos percebermos a nós próprios, mais importante ainda é aquilo que aspiramos ser e aquilo que efetivamente seremos.

"Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", concluiu Lavoisier no século XVIII. Não concordo com tudo, pois hoje conseguimos criar tanta coisa virtualmente, somos criadores natos, mesmo, por vezes, não criando nada concreto.

Assim foi com a Gesteira, que se transformou ao longo dos séculos, de uma região fértil em ribeiros, córregos, lagoas e abundante vegetação de arbustos, para o que é hoje, praticamente sem esses elementos, restam-nos as memórias.

Assim acontece com este nosso planeta, por vezes tão mal tratado por nós, à beira de crises sociais e de alterações climáticas que poderão ser irreversíveis.

É nesse contexto que foi definida e levada avante a missão Cryosat, e mais tarde Cryosat-2, para poder estudar a fundo e com dados muito precisos, as alterações das extensões de gelo do nosso planeta (calotes polares, gelo marítimo, gelos sazonais, etc).

Esta entrevista para a TV NET apresenta apenas mais uma contribuição onde um Gesteirense esteve envolvido.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Baú da Gesteira: Morte em 1642

O primeiro assento de óbito, de um Gesteirense, data de 1642. Faleceu então Maria Francisca, mulher de João Simões o Romião. A transcrição desse registo é a que segue:

"Aos dezaseis dias de dezembro de 642 falleceo
Mª [Maria] Fr.ca [Francisca] m.er [mulher] de João Simões o Romião da Gesteira não fes testamento far-seha por sua alma o Costumado da igreija. João Fr.co [Francisco] Mont-ro [Monteiro]"

Referência: Arquivo da Universidade de Coimbra, Óbitos da freguesia de Cadima 1609-1766.

Esta Maria Francisca é a mesma que em 1626 deu à luz a primeira criança cujo nascimento foi registado na Gesteira. Em 1642, o seu filho João tinha 16 anos, e já havia mais habitantes na Gesteira, no mínimo a família de Manoel Jorge, sua mulher Izabel Antónia e seus filhos.

sábado, 3 de abril de 2010

Baú da Gesteira: No longínquo ano de 1626

A primeira referência clara à Gesteira, nos assentos de batismo da freguesia de Cadima, até agora por mim encontrada é a seguinte:

"Aos doze dias do mes de Julho de mil seis centos e vinte e seis annos bautizei João fº [filho] de João Simões e Mª [Maria] Fr.ca [Francisca] m.res [moradores] na Gesteira. Forão padrinhos Pº [Pedro] Jorge o Neto m.or [morador] na Ribª [Ribeira] e Isabel Glz [Gonçalves] a Aguda molher de Pº [Pedro] Frz [Fernandes] da Ribª [Ribeira]."

Referência: Arquivo da Universidade de Coimbra, Baptismos da freguesia de Cadima 1573-1719.

Este assento demonstra que a aldeia já era ocupada há pelo menos 383 anos, as principais aldeias da freguesia naquela altura eram: Cadima, Zambujal, Guimara, Casal, Póvoa e Ribeira [Fervença].

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Hoje e amanhã: Ainda o Gandarês da Lua, ou a Lua do Gandarês


A TVI esperou-me no aeroporto de Lisboa, tal era o interesse que uma amostra Lunar tinha. E com mais sono que vontade de falar lá lhes (vos) mostrei a preciosa "pedra".

domingo, 14 de março de 2010

Baú da Gesteira: 1823 na Gesteira ...

Da deficiente leitura dos livros paroquiais da época pode-se extrair alguma informação referente a 1823.
Primeiro procurei a relação entre o Jozé Teixeira e a minha família, mas ainda não encontrei, apenas que o terreno da escritura do post anterior pode ter sido herdado pela minha bisavó, Maria de Jezus, mas ainda não descobri porquê, apenas se sabe que ela herdou dos "Maranhões" da Gesteira, que, ao que parece não tiveram filhos.

Ora, para o ano de 1823 apenas existem registos de baptismo, não existe registos de óbito nem de casamento. Da análise desses registos de óbito posso afirmar o seguinte:

  • Em 1823 baptizaram-se 111 crianças na freguesia de Cadima
  • Dessas 111 crianças 9 eram da Gesteira (8%)
  • No ano de 1823 nasceram também 111 crianças na freguesia de Cadima, e 9 na Gesteira.
Os 9 registos de baptismo de 1823 referentes à Gesteira são os seguintes:
  • Maria, filha de Joaquim de Oliveira e de Thereza da Conceição
  • Jozé, filho de Francisco Gomes e de Estofania Maria
  • Izabel, filha de João Gomes Netto e de Maria da Cruz
  • Jozé, filho de Jozé Francisco Rolo e de Maria Teixeira
  • António, filho de Jozé Teixeira dos Ramos e de Izabel Maria
  • Maria, filha de António dos Santos e de Maria de Oliveira
  • Maria, filha de pai incerto, e de mãe também orfã
  • Anna, filha de Gaspar Teixeira e de Anna Rodrigues
  • Anna, filha de Joaquim da Silva e de Maria Teixeira
Dada a inexistência de registos de casamento e óbito para 1823 e anos próximos, será dificil identificar o casamento do Jozé Teixeira, no entanto existem algums registos que podem fazer referência a ele:
  • Falecimento de Maria do Santos, em 18 de Agosto de 1833, mulher de Jozé Teixeira da Gesteira
  • Falecimento de Jozé, em 28 de Novembro de 1833, menor de idade, exposto em casa de Jozé Teixeira (ou Maria dos Santos) da Gesteira
  • Falecimento de Jozé Teixeira, em 9 de Maio de 1835, da Gesteira
  • Falecimento de Maria, em 6 de Janeiro de 1837, menor de idade, filha de Jozé Teixeira e de Izabel
Conclui-se por agora, que poderiam existir vários homens com o nome de Jozé Teixeira na Gesteira (pelo menos dois).
Nota: "exposto" era um dos nomes dados a crianças abandonadas, ou de pais desconhecidos.
(A continuar)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Baú da Gesteira: Venda de terreno em 1823

Este documento, redigido no verso do passaporte de Jozé Teixeira, quando este se preparava para ir trabalhar para Lisboa, é uma "escritura" de terreno.

Em Agosto de 1823, António Teixeira, viúvo, morador na Sanguinheira, vende um terreno "no mato" chamado a terra do Carreiro ou Carreira, a Jozé Teixeira. Este terreno fica na Sequilha, na parte norte da Gesteira. Ao que parece o próprio Jozé Teixeira já possuía um terreno a nascente (Este) deste, e para poente (Oeste) o terreno pertencia a Manoel de Oliveira Batata. O terreno em causa foi vendido por 700 Reis.

A transcrição que pude fazer desta escritura é a seguinte:
«Por este e a meu hoge feito por mim asignado comfeso eu Antonio Theixeira viuvo morador na Sanguinheira de Cima deste couto de Cadima termo da vila de Montemor o novo que he verdade que eu de minha propria e livre vontade e sem comtrangimento de pesoa alguma que para isto me obriguase nem demovese vendi e como de feito tenho vendido de hoje para todo o sempre a Joze Theixeira e a sua mulher moradores na Gesteira do mesmo couto e termo acima dito a saber lhe vendi tudo que me pertence no mato chamado a terra do carreiro no citio da Sequilha que parte da nacente com erdeiros do mesmo e mulher e do poem com erdeiros de Manoel de Oliveira Batata isto lhe vendi em preço certo e decretado de setecentos Reis os coais recebi eu vendedor da mam dos ditos compradores e por este lhe dou toda pose e dominio com emtradas e seis das novas e velhas para estes e seus erdeiros que por eles vierem como eu o tenho posuido e por isto asim ser quero que este valha em juizo e fora dele como se fose huma escritura e para esta venda fazer boa obrigo ? pesoa e bens asim ? como de mais assidos e futuros e por isto ser verdade pedi e hajuiza Joze Jorge da Cruz da Sanguinheira que este por mim fizese e comigo? asignase sendo mais ? que prezente estava no fazer deste Manoel de Oliveira Brado o moço feito hoje 3 de agosto de 1823 as. De Antonio Theixeira vendedor De Manoel de Oliveira tª

Eu Joze Jorge da Cruz este fis como tª asignei»